Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
01 dezembro 2015
30 novembro 2015
Dia novo
Saboreio o dia como o couro
de uns sapatos velhos
o conforto meigo
da pele macia da manhã
que estreia o ar
e o cheiro da chuva.
Aliso as rugas
com a cascata do banho
e preparo a alma enxuta
para a próxima luta.
27 novembro 2015
Reaparecem
Tenho perdido palavras
petrificadas no desalento.
Cristais de silêncio reaparecem.
Cíclicas e renovadas as mãos
que se abrem e descobrem
a permanência da vida.
26 novembro 2015
Temos governo
Discurso de força e esperança de António Costa, contrastando com o lúgubre e azedo discurso de Cavaco Silva.
25 novembro 2015
Um fim de época
Catorze dias depois da rejeição do governo de Passos Coelho e Portas, cinquenta e dois dias depois das eleições, Cavaco Silva finalmente marcou a data de posse do governo de António Costa, não se coibindo de atropelar as regras da boa convivência Institucional, agendando a cerimónia para a mesma hora do início da sessão plenária na Assembleia da República.
Não é bonito de se ver, este fim de época, independentemente do que se opine sobre a reviravolta política a que temos assistido desde as últimas eleições. Cavaco Silva ficará na memória como um Presidente que nunca soube assumir a postura que a sua função lhe exigia, optando por um magistério que, objectivamente, favoreceu a sua família política, para não dizer que boicotou e conspirou contra o leque partidário à esquerda. Este arrastar do tempo entre a queda do governo de Passos Coelho e a decisão de empossar o governo socialista foi inqualificável. Nada o justificava, nada esclareceu ou clarificou, nada resolveu.
Quarenta anos depois do 25 de Novembro de 1975, altura em que a democracia foi reposta em Portugal resistindo ao golpismo radical do PCP e dos movimentos extremistas de esquerda, António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins conseguiram concordar em que era melhor unirem esforços para que a direita não governasse. E este acordo mínimo, mesmo que de curta duração, é já um feito assinalável e foi suficiente para que todos nos espantássemos com a marcha dos acontecimentos.
Estou céptica, mas desejo muito que este seja um governo de viragem, um governo que demonstre que é possível fazer melhor sem empobrecer ainda mais os cidadãos. Que é possível sentir que o centro e o objecto da governação sejam o bem-estar das pessoas.
O governo precisará de muita sorte, muito engenho e muita arte. E nós também.
A mudez perante o indizível
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