31 dezembro 2014

Dos votos anuais

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And Light Fell On Her Face Through Heavy Darkness


Gavin Worth


 


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Montagem de NUMBERS ONE through ZERO


Robert Indiana


 


Hoje esteve um dia lindo, frio e luminoso, como que a pedir desculpa ao Universo pelos restantes dias do ano que acaba. De uma forma ou de outra, lá vamos cumprindo os rituais das despedidas e das alvoradas dos velhos e novos ciclos de tempo.


 


Espero sempre muito do futuro, do próximo ou do mais longínquo. E por isso me desiludo muito, com o próximo e com o longínquo. É difícil alegrar-me com as vitórias, quando à minha volta conheço tantas derrotas.


 


Felizmente há a música, sempre a música. Vou começar o ano com ela e na companhia de quem comigo partilha ventos e marés, viagens aos abismos e às estrelas. Talvez no abraço que nos damos esteja a vontade renovada de continuar.


 


Que todos possam brindar à esperança. Aguardam-nos mais 365 dias de luta por uma vida melhor, mais digna e mais justa.

30 dezembro 2014

Da (des)animação futura

Pouco me apetece celebrar o próximo 2015. Afigura-se um ano de mais pobreza, mais desesperança, mais tristeza. Enfeitamos o Natal mas ele mostra-se cada vez mais no esplendor da hipocrisia e da falsidade.


 


Eleições, legislativas e presidenciais. O ano político marcará tudo o resto. O PS de António Costa ainda muito morno, não sei se a preparar-se para os embates se porque não sabe o que fazer. Em relação à escolha de um Presidente nem a esquerda nem a direita têm figuras que se perfilem com a qualidade que associamos à mais alta autoridade do Estado. E bem precisamos, depois de 2 mandatos de um Presidente que desconfigurou essa função. Se António Guterres não avançar para a Presidência, o PS ficará com um problema acrescido. Sampaio da Nóvoa não me parece uma boa hipótese e a fabricação de candidatos lembra-me sempre o que se passou com Fernando Nobre. Em relação à direita, continuo a pensar que Marcelo Rebelo de Sousa se não apresentará e as outras hipóteses não são animadoras.


 


A Europa esfrangalha-se perante a incapacidade política dos países membros, principalmente daqueles que são mais iguais que os outros. O bem-estar social evapora-se, com os problemas das desigualdades, das populações migrantes, do desemprego galopante, da falta de perspectiva das novas gerações, com o envelhecimento populacional.


 


De facto nada está animador. Enconchamos cada um na sua realidade, o egoísmo e o autismo medram.


 


Não podemos, no entanto, desistir de um futuro. E por isso alguma esperança ainda persiste. Pode ser que 2015 nos traga alguma boa surpresa.

Vulgar

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Adamo Macri


 


Descubro-me sempre menor


do que me sonho. Tão mais vulgar e apagada


que nos espaços que percorro e conquisto


para me reconhecer acordada


figura de cera inamovível e incolor.

27 dezembro 2014

Dos pequenos temas laterais

Afinal, quase exactamente 2 meses depois, ficamos a saber, de forma relativamente discreta, que o BES teria tido os mesmos resultados que o BCP nos tão famosos testes de stress à Banca, em 2013.


 


Para que servem então estes testes de stress? E qual a credibilidade da regulação e das Instituições que têm essa função?

23 dezembro 2014

Ausências

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Nunca me preparei para as ausências.


Nas gavetas do meu corpo gestos


de carícia ou separação


guardados num qualquer quarto alugado


da alma em permanência


de gelo e paixão.

Das correspondências da época

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Querido Pai Natal,


Querido Menino Jesus,


 


Penso que não tenho nenhum pedido especial. Também me parece que já devem estar bastante cansados dos pedidos da humanidade, daquela parcela da humanidade que pede e se queixa, pois a outra parte nem sequer tem força para se lembrar das épocas natalícias, ocupada que está a sobreviver.


 


Por isso esta carta serve apenas para vos dizer que compreendo a enorme vontade que devem ter de despachar esta quadra o mais depressa possível, para que regresse o silêncio e se refaçam as forças para enfrentar mais um ano de penúria, revolta e tristeza perante o que se passa no país e no mundo. E para que o grande intervalo entre este e o próximo Natal seja aproveitado para devolver alguma esperança a quem já desesperou, alguma decência e dignidade a quem a perdeu ou a quem delas foi obrigado a separar-se. E mais que tudo, antes que tudo e a propósito de tudo, que não nos percamos uns dos outros.


 


Boa Consoada.


 


PS – Ajudava IMENSO a eleição do PS com maioria absoluta e de um Presidente que nos restaurasse a vontade de resistir.

17 dezembro 2014

Das noites solidárias

A solidariedade e o carinho cristãos deixaram de ser sentimentos da intimidade de cada qual, um amor ao próximo íntimo e modesto, apenas conhecido desse próximo e de Deus inspirador de tão santas tendências e convicções, para passar a ser um acontecimento social, propagandeado e apregoado pelos media, com fotos das benfazejas criaturas adequadamente vestidas - ou como se fossem para a ópera ou com a fluorescência dos bombeiros. Alvos de grandes e oportunas reportagens, os desgraçados que tiveram a infelicidade de ser sem-abrigos, novos e envergonhados pobres ou outra qualquer marginalidade, são exibidos sem qualquer pudor para os consumidores de big brothers, condoídos candidatos a qualquer coisa ou empresários com enormes consciências sociais.


 


Tal é a quantidade de iniciativas para ajudar os desfavorecidos que a noite de Natal não chega para tanto ardor de ajuda e amor, pelo que as ceias começam a 14 de Dezembro, para que as santas e os santos ajudantes de Cristo possam ter a noite de 24 para consoarem na paz do Senhor, nas suas quentinhas casas e com as suas famílias mais ou menos funcionais, tranquilizadas as consciências pelo bem espalhado, deixando os sem-abrigo e as famílias carenciadas com o seu Natal minguante.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...