É na terra que o corpo acaba, ou que as cinzas se derramam pela acção da gravidade.
E no entanto olhamos para cima, perdidos entre as nuvens de um céu em que crentes ou incréus, instintivamente ligamos à eternidade.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É na terra que o corpo acaba, ou que as cinzas se derramam pela acção da gravidade.
E no entanto olhamos para cima, perdidos entre as nuvens de um céu em que crentes ou incréus, instintivamente ligamos à eternidade.
Na ficção o amor descreve ciclos, começa e acaba de forma avassaladora, com o encontro ou com a separação dos amantes. Vivem um do outro, vivem um para o outro, não vivem um sem o outro. Há redenção e morte, paixão e ventura.
Na vida real a morte de um amante arrasta a solidão do outro, dia a dia, hora a hora, até que a solidão seja um hábito. A separação redunda em esquecimento ou amargura, sem negligência, feridas abertas ou lágrimas dolorosas, apenas a nitidez da rotina de sobreviver, ou de encontrar outro alguém com quem se vai partilhando o que resta da existência.
O que mais assusta é a banalidade, a quotidiana vivência das actividades mais ou menos reduzida ao primitivo e instintivo acto de manter o funcionamento do corpo.
E agora mais este (desfio a colocar música e poesia no facebook - a mim calhou-me a letra P, a pedido de uma amiga):
Mariza
Fernando Pessoa
Mário Pacheco
Há uma música do povo,
Nem sei dizer se é um fado...
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado...
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser...
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver...
E ouço-a embalado e sozinho.
E essa mesmo que eu quis...
Perdi a fé e o caminho...
Quem não fui é que é feliz.
Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção...
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração...
Sou uma emoção estrangeira,
Um eco de sonho ido...
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!
A este desafio (colocar poesia e música no facebook - pediram-me a letra A), respondo com:
Amália
Alexandre O'Neil & Alain Oulman
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Estes apoios crescentes a Seguro que conduzirão à grande vitória nas primárias soam-me estranhamente familiares, exactamente como a grande descolagem da candidatura de Mário Soares nas Presidenciais de 2006.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...