12 abril 2014

Salário mínimo

 


Estive a fazer contas.


 


O salário mínimo é 485,00 euros:



  1. Nos meses de 30 dias (Abril, Junho, Setembro e Novembro), quem recebe o salário mínimo pode gastar 16,16 euros por dia - para comer, pagar transportes, água, luz, gás, vestir-se e pagar casa.

  2. Nos meses com 31 dias (Janeiro, Março, Maio, Julho, Agosto, Outubro e Dezembro) tem a enorme quantia de 15,64 euros por dia.

  3. Em Fevereiro terá 17,32 ou 16,72 euros, para anos normais ou bisextos, respectivamente.


Se o salário mínimo passasse para 500,00 euros estaríamos a falar de



  1. mais 0,5 euros/dia

  2. mais 0,48 euros/dia

  3. mais 0,53 ou 0,51 euros/dia


Não há vergonha nem decência.


 

01 abril 2014

Um dia como os outros (139)

 


 



 


(...) Para o deputado Duarte Marques (e seguramente para o eurodeputado do CDS, Nuno Melo), o que importa é saber se Constâncio sabia ou não sabia do caso BPN, umas horas, uns dias ou uns meses antes do que disse. Isso é que é importante. Isso é que conta. Porque se isso for provado, o culpado de tudo o que se passou no BPN é de Constâncio. Os senhores Oliveira Costa, Caprichoso, Fantasia e todos os que fizeram negócios mentirosos com créditos que nunca pagaram do BPN (por acaso todos figuras gradas do cavaquismo) são uns santos e umas vítimas. Funcionasse a supervisão do Banco de Portugal e eles não teriam sido tentados pelo pecado da ganância. (...)


Nicolau Santos

29 março 2014

Lisboa

 



 Lisboa


 


 


O arco do Tejo abraça Lisboa.


Imóvel e secreta no cais do mundo


a cidade escreve a próxima viagem


no preciso instante em que regressa.


 

Da cidadania

 


A Assembleia da República é a Instituição que, no Portugal Democrático, deve discutir e decidir a melhor forma de conduzir os destinos do País. Por isso assinei a petição pública para que o Manifesto 74, depois do Manifesto dos 70seja discutido pelos deputados.


 


Reestruturar a dívida insustentável e promover o crescimento, recusando a austeridade


 


O programa do FMI e da União Europeia para Portugal (2011- 4) deve terminar a 17 de Maio de 2014. Nas próximas semanas será tomada a decisão de aceitação de um programa precaucionário continuando as mesmas políticas ou de submissão à vontade dos mercados. Em qualquer dos casos, a regra da austeridade continuaria num país em que o nível de desemprego já duplicou para cerca de 20%, como resultado da estratégia escolhida.


 


Para mais, apesar de fortes reduções do orçamento de Estado, o rácio da dívida no PIB subiu para 129%. Nos dois anos anteriores a 2008, a dívida pública tinha aumentado 0,7%; nos dois anos seguintes, cresceu 15%. Os resultados são claros: a austeridade orçamental reduziu a procura agregada, agravou a recessão, aumentou o nível da dívida pública e impôs sofrimento social à medida que as pensões e salários foram reduzidos, os impostos foram aumentados e a protecção social foi degradada.


 


Como economistas de diversas opiniões, temos expressado as nossas preocupações quanto aos efeitos da estratégia de austeridade na Europa. Recomendámos fortemente a rejeição das ideias da “recessão curativa” e da “austeridade expansionista” e os programas impostos a vários países. Criticámos as decisões do BCE durante a recessão prolongada e a recuperação medíocre. Os resultados confirmam a razão da nossa crítica. É tempo de mudar o curso desta política. 


 


Assim, apelamos a uma política europeia consistente contra a recessão. Apoiamos os esforços dos que em Portugal propõem a reestruturação da dívida pública global, no sentido de se obterem menores taxas de juro e prazos mais amplos, de modo que o esforço de pagamento seja compatível com uma estratégia de crescimento, de investimento e de criação de emprego. 


 


Para quem o quiser fazer, aqui fica o link.


 


Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente


 


Para: Sua Excelência a Presidente da Assembleia da República


 


Hoje, há um consenso amplo na sociedade que reconhece que Portugal enfrenta uma crise sem precedentes na sua história recente que combina dimensões económicas, sociais e financeiras, tendo também importantes manifestações políticas que podem abalar os alicerces do regime democrático. 

Nenhuma estratégia de combate à crise pode ter êxito se não conciliar a resposta à questão da divida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e de solidariedade nacional. A reestruturação honrada e responsável da divida no âmbito da União Económica e Monetária a que pertencemos é condição sine qua non para o alcance desses objectivos, tendo igualmente em atenção a necessidade de prosseguir as melhores práticas de rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais. Sem crescimento económico sustentável, a dívida actual é insustentável. 

Após a entrada em funções do novo Parlamento Europeu e da nova Comissão Europeia, deverá estar na agenda europeia o início de negociações de um acordo de amortização da divida pública excessiva de vários Estados membros. Portugal precisa de identificar as condições a que deve obedecer um processo eficaz de reestruturação da divida nesse âmbito e deve fazê-lo no respeito pelos processos inscritos no quadro institucional europeu. No entendimento dos signatários essas condições devem visar: 

- o abaixamento significativo da taxa média de juro do stock da dívida; 

- extensão de maturidades da divida para quarenta ou mais anos; 

- a reestruturação, pelo menos, de divida acima dos 60% do PIB, tendo na base a divida oficial. 

Os mecanismos de reestruturação devem instituir processos necessários à recuperação das economias afectadas pela austeridade e recessão, tendo em atenção a sua capacidade de pagamento em harmonia com o favorecimento do crescimento económico e do emprego num contexto de coesão nacional. 

A Assembleia da República é o espaço institucional por excelência para desencadear um debate democrático alargado sobre as condições gerais a que deve obedecer a eficaz reestruturação da dívida pública. Uma deliberação da Assembleia da República sobre tais condições genéricas não será um factor de fragilidade. Pelo contrário, reforçará a legitimidade das instituições democráticas, e ao mesmo tempo, fortalecerá a posição negocial do Estado português junto das instâncias europeias. 

Neste sentido, e nos termos da Lei que regula o direito de petição, os peticionários pedem à Assembleia da República que aprove uma resolução recomendando ao governo o desenvolvimento de um processo preparatório tendente à reestruturação honrada e responsável da dívida, com os fundamentos constantes do manifesto: “Preparar a Reestruturação da Divida para Crescer Sustentadamente” que se anexa. Mais pedem à Assembleia da República que desencadeie um processo parlamentar de audição pública de personalidades relevantes para o objectivo em causa.


 

23 março 2014

De partida

 



Arpad Szenes


 


 


Estamos todos de partida


no fim do olhar a música do adeus


palavras que nos doem e empurram


como mar de mágoa a que nos damos


como estradas em que nos perdemos


de nós e dos outros.


 


Estamos todos de partida


nos sinos dolentes com que retomamos


caminhos de regressos que ansiamos.


Nas madrugadas em que nos desfazemos


partimos sempre para aqui chegar.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...