Estou atrasadíssima no que aos preparativos de Natal diz respeito. A compota de abóbora, este ano com a novidade de estar em papa, ainda está por enfrascar e rotular; o licor de café aguarda a divisão pelas garrafinhas; o fudge de chocolate, que decidi enriquecer com lascas de amêndoas, ficou pouco consistente, pelo que será aproveitado para alguma coisa que ainda não me ocorreu; os borrachões ficaram bastante bons, mas falta fazer mais uma ou duas doses.
Planear já planeei, mas do plano à execução do mesmo vai uma certa diferença. Aguardam-me dias de infinita falta de paciência nas filas do supermercado, em busca de farinha, ovos, leite, grão, peru, fermento de padeiro, etc. Sim, porque este ano decidi inovar: vou tentar fazer uma pequena porção de filhós, um bolo-rei minúsculo, uma calda com vinho do Porto para as rabanadas, para além da ritualizada aletria e do bacalhau cozido com batatas e grão – isto tudo para a Consoada, claro, com uns sonhos que virão cá ter e umas azevias que hei-de arranjar algures.
Quanto ao dia de Natal, vou reinventar o peru assado, reciclar, enfim, o conceito do dito recheado. E o que está proposto é este projecto (hoje em dia é tudo um projecto): peru assado no forno (só as pernas) recheado (mas o recheio vai à parte) de refogado de castanhas, nozes, pinhões, passas de fruta, tâmaras, azeitonas (e o que mais me lembrar até lá) acompanhado de esparregado.