Carlos Lopes
Fernando Pinto do Amaral
Nelson Ferreira
Natália Luíza
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É com o tempo que me enredo entre os campos da memória e dos afectos.
Lá fora caminhamos sobre escolhos de sonhos que foram, e ainda não sabemos como salvar a vastidão de perguntas que nos restam. Sobram meses sem estação definida, tudo numa mistura sem sabor nem cor que se deseje.
Dizemos lá fora para que a fronteira definida pelo corpo alastre e guarde todos os que são as nossas projecções, de carne ou apenas de vontade.
Dizemos lá fora para explicar o agreste rumorar dos ruídos estranhos e azedos, o amargo do desperdício.
Dizemos lá fora como bandeira de resistência e paixão, como se fosse essencial separar, quebrar o enguiço deste tempo sem cerejas mas com caroços, deste caminho de pedras.
É este o tempo da insensível e mórbida mesquinhez. Cada vez mais isolados neste abrigo de névoa, tendemos ao esquecimento das estradas que abrimos e dos sonhos que nos visitam, tentações de felicidade.
É este o tempo da revolta, em que as barricadas que erguemos se somam aos abismos cíclicos, aos socalcos do retrocesso.
É por isso, meu amor, que em ti me centro, como rocha inamovível de segurança e perfeição, como amparo de ombro e de chão. É por isso meu amor que te detenho, fresco oásis e sombra em dias de solidão.
Claros são estes sentidos, claros como as portas que esperam o renovar da terra e o acordar deste sono imenso que nos tolhe e nos aquieta. Ao pó que somos havemos de chegar, de ossos ou de cinza, mas moldados na dignidade de quem tem uma relação de posse com a vida.
E assim seremos.
Casa Fernando Pessoa, 22 de Novembro de 2013
Obrigada a todos os que quiseram partilhar comigo o lançamento do meu livro. Apesar do caos do trânsito, da chuva, do frio, do cansaço de uma semana de trabalho, tive o privilégio de contar com os meus amigos num espaço emblemático.
Agradeço especialmente ao Tiago Taron, que transformou um livro numa pequena obra de arte, ao Nelson Ferreira, que emprestou à sessão a delicadeza e a profundidade de Bach, à Natália Luíza, que deu aos poemas uma magia que eu lhes desconhecia, ao Prof. Fernando Pinto do Amaral, cuja intervenção resultou numa brilhante palestra sobre poesia e, finalmente, ao Carlos Lopes que, mais uma vez, assumiu o risco de publicar um livro de poesia.
Em Lisboa, o livro estará disponível nas livrarias Barata e Pó dos Livros e, directamente através do site da Edita-Me.
Pelo que pude entender, Paulo Branco atropelou a lei ao não pedir autorização aos herdeiros de João César Monteiro para que fossem lidos textos seus numa homenagem que decorreria no Lisbon & Estoril Film Festival, titulada Leitores improváveis, o que é lamentável e inaceitável.
Na carta aberta dirigida ao produtor, afirma-se, a certa altura:
(...) agora com um ministro, rodeado por numeroso séquito hemicílico, a ler uma carta do César a um organismo estatal e sabe-se lá mais o quê de igual jaez e esperta solicitude. Que "eles" comem tudo, está na canção e na sabedoria popular, por (forçada) experiência própria. Mas "que não deixam nada", já é de contestar. Porque deixam: deixam um rasto repulsivo, que soma ao abuso puro e duro o intuito subjacente de branquear, neutralizar, festivalar o furor interventivo, manifestamente Anti-Sistema, do cineasta, assim posto à mercê de tais canibais homenageantes. (...)
Ainda sobre este assunto, a realizadora Margarida Gil terá dito que:
(...) mas pôr um ministro, um governante, a ler um texto do João César é desfavorecer e desprezar ainda mais o cinema em Portugal (...)
Ficamos pois a saber que há cidadãos que estão proibidos de ler certos textos, ou de os interpretar, talvez porque se lhes mutaram os genes da emoção, do gosto pelas artes ou da sensibilidade. Isto porque são de direita ou governantes. Quando se preenchem estes dois critérios, não há poeta que lhes valha.
Isto é uma síndroma sobejamente conhecida, em Portugal - a apropriação do coração, da cultura e da delicadeza pela classe artística de esquerda. Diria mesmo mais, não há artistas se não os de esquerda. E quem disser o contrário é porque é de direita.
Jonathan Borofsky
Nos últimos dias têm-se multiplicado posts e declarações a propósito de uma entrevista publicada na Visão, em que Fernando Moreira de Sá explica como se utilizaram meios de desinformação e manipulação da opinião pública a partir de blogues, de contas de facebook e de twiter, para campanhas sujas contra opositores de Passos Coelho e contra José Sócrates.
Não me esqueço de ter sido envolvida numa questão semelhante após um artigo, se não me engano do jornal i, em que se publicitaram as afirmações de um indivíduo que fez parte do blogue SIMplex - Carlos Santos* - e que foi um dos fundadores do blogue A Regra do Jogo, aos quais também pertenci. Não me esqueço também que essa criatura foi ouvida por alguns dos que, agora, se sentem ofendidos com o que Fernando Moreira de Sá diz.
Não sei o que se passou nos blogues de campanha patrocinados pelo PSD, mas sei o que se passou no SIMplex, e posso afirmar hoje, como o fiz na altura, que nunca assisti a manobras de desinformação e manipulação, campanhas de assassinatos de carácter e inundação de notícias falsas. Portanto as notícias veiculadas por Fernando Moreira de Sá merecer-me-iam a mesma credibilidade que as de Carlos Santos - nenhuma.
Por isso eu até entenderia a revolta de Pedro Correia. Talvez agora ele venha a ter mais capacidade de entender a dos outros. Não tenho dúvidas de que se manipulam informações e de que a luta política suja se trava através de blogues e de redes sociais, e que há uma enorme promiscuidade entre jornalistas e políticos, em todo o espectro partidário. Mas convém também não esquecer que as campanhas movidas contra blogues, apenas porque pertencem ao outro lado da barricada, como as que existiram e existem contra tudo o que tinha e tem a ver com o PS e com José Sócrates, nomeadamente contra os blogues Câmara Corporativa, Aspirina B ou SIMplex, contaram com a conivência, nem que fosse pelo silêncio, daqueles que agora se sentem atingidos e melindrados.
Como diria uma amiga minha: a justiça divina tarda, mas fulmina. Talvez o Pedro Correia perceba, agora, que as más companhias podem acontecer aos que se julgam mais prevenidos.
E em relação a este tipo de manipulação - e para que servem os comentadores televisivos, os tais que, após entrevistas, declarações ou debates, aparecem a explicar-nos o que devemos concluir? E qual é a surpresa da explicitação de manipulações, desinformações e campanhas sujas? Só agora acontecem? Uma coisa é considerarmos essas práticas condenáveis, outra muito diferente é fingirmos que as desconhecemos. O problema é a falta de um sistema de justiça a funcionar, para que as ilegalidades, assim como as calúnias e as difamações, possam ser tratadas e punidas exemplar e atempadamente.
A incapacidade de debater ideias, se calhar porque não as há, sunbstituiu o combate político por assassinatos de carácter e perseguições pessoais. Tudo serve, desde o embuste do problema do anonimato, até às insinuações das promessas de prémios em troca de serviços ínvios e condenáveis. Todos os dias e a toda a hora somos inundados por desinformação. Felizmente estamos em democracia, e podemos escolher entre as inúmeras e variadas desinformações aquela que mais nos convence.
*Carlos Santos apagou o blogue A Regra do Jogo e todas as suas intervenções nos blogues SIMplex, Corta-fitas e Aventar.
O General Ramalho Eanes demonstrou, enquanto militar, político ou simples cidadão, uma dignidade, uma honestidade e um sentido de serviço público raros. Um grupo de cidadãos decidiu dar o seu Testemunho a 25 de Novembro, data emblemática na sua vida e na vida do país, no grande auditório da Feira Internacional de Lisboa, com conferências e o anúncio do prémio Responsabilidade e Cidadania António Ramalho Eanes.
Parece que há algum desconforto, por parte de algumas pessoas, com a data. Pois não entendo esse desconforto. Se o 25 de Abril é a data da revolta militar que pôs cobro ao regime ditatorial, o 25 de Novembro assegurou o regime democrático e a liberdade em Portugal. É preciso não reescrever a História e não esquecer a deriva totalitária que decorreu predominantemente a partir de 11 de Março de 1975.
A Ramalho Eanes, e a alguns outros como ele, devemos mais de 30 anos de democracia. Devemos-lhe ainda a estatura que sempre mostrou, independentemente do acordo ou desacordo com as suas posições e decisões. Num tempo em que a descrença e o achincalhamento de tudo o que seja serviço público, a desesperança e o desalento minam a nossa sociedade, é importantíssimo que homenageemos quem é uma referência moral e ética.
Parabéns pela iniciativa e parabéns ao General Ramalho Eanes.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...