28 setembro 2013

Votar

 



 


Não sabemos em quem votar. Não vemos alternativas nem soluções. Todos os dias somos inundados de notícias que nos mostram o regime como um manancial de corrupção, compadrio e injustiças. Todos os dias rangemos a raiva e a revolta. Não compreendemos o que nos arrasta para o fundo, o que nos acontece em termos nacionais e internacionais. O desenvolvimento está a regredir, a Europa é cada vez mais um mito. Amanhã é domingo, vai estar a chover e a ventar. É dos poucos dias em que podemos estar em casa, a trabalhar ou a descansar, mas connosco.


 


Como resolver este dilema? Para que temos nós este dever e este direito que estamos tão relutantes em exercer?


 


Talvez porque, se o não fizermos, estamos a abrir caminho a quem acabe com esse direito e com esse dever. Porque é a nossa vez de dizer o que queremos, ou o que não queremos, ou o que quereríamos. Porque também temos que assumir a responsabilidade de participar na vida deste país. Porque em vez de falarmos da sociedade civil, como se ela fosse exterior a nós, é essencial que compreendamos que nós formamos, que nós somos a sociedade civil.


 


Porque ser cidadão é ser-se revolucionariamente democrático, é escolher, tomar decisões, é eleger e ser eleito. Não há maior conforto que o sabermos que a nossa voz é ouvida. Não a dos que têm força, a dos que têm poder, a dos que gritam ou marcham. Desses também, mas em dia de eleições cada um dos votos vale exactamente o mesmo. É um exercício de igualdade. E os votos juntos valem a afirmação de uma comunidade.


 


Amanhã é dia de eleições. Há que votar, sempre, com a alegria de quem se manifesta e é livre.

25 setembro 2013

Setembro

 


 


Caspar David Friedrich


 


Entre as luzes coadas de Setembro


vamos aceitando amarras de folhas e humidade


caminhos demorados para o conforto


das nossas vidas medianas e seguras


para o nosso mundo apertado e macio.


 


Entre os dedos que filtram a ternura do Outono


fechamos as casas e os olhos


ao tempo desabrido que estremece.


 

22 setembro 2013

Da auto-punição

 



 


Deambulando pela TSF (não consigo deixar de ouvir, de vez em quando), ouço um indivíduo dizer, desdenhoso  e revoltado - Eu, como cidadão, não voto - como se estivesse a punir os candidatos e os partidos.


 


No entanto apenas se está a punir a ele próprio, prescindindo do seu direito, alienando um dos seus deveres comunitários. Seja qual for o número de votantes, vão ser eleitos Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, vereadores para Assembleias Municipais, etc. A diferença é que a base eleitoral será menor, se quisermos, como aquele cidadão, castigar os políticos, faltando às eleições.

21 setembro 2013

Da pureza ideológica e totalitária

 


 


Fredrik Reutersward 


 


A nossa sociedade é estruturalmente conservadora. É muito difícil debater ideias que fujam às já estabelecidas. E isto é verdade para múltiplas situações - fale-se da saída do euro ou da discussão entre as vantagens e desvantagens de turmas mistas no sistema educativo.


 


O conservadorismo tem a ver com a dificuldade em discutir ideias. As trincheiras e a catalogação imediata em ser de direita, ou de esquerda, ou ser absurdo, ou ridículo, ou outros epítetos semelhantes, com policiamentos de purezas ideológicas ou de desadequação ao politicamente correcto, impossibilitam as verdadeiras discussões.


 


O resultado é o empobrecimento do espaço público, da informação e do esclarecimento das pessoas. O gosto pelo debate é rapidamente substituído pelo insulto e pelo amesquinhamento do oponente. Não se pode discordar - ou se está do lado certo ou do lado errado.


 


Monocromática e totalitária, esta é uma democracia vigiada pela vanguarda esclarecida.


 

Da incorrecção dos factos

 


As incorrecções factuais dos membros deste governo vão-se somando. A total incorrecção é mesmo o governo todo.


 


E que tal resolver factualmente o assunto transformando a demissão dos incorrectos num facto consumado?

Um dia como os outros (133)

 



(...) Como se não bastassem os económicos e sociais, parece-me ter-se gerado na sociedade portuguesa um problema anímico, o cansaço de uma geração que dedicou todas as suas energias a um projecto político que agora, em tempos de verdadeira necessidade, se revela uma fraude. O cartaz acima, por exemplo, com um Soares exultante, pode ser agora apreciado ironicamente perguntando-lhe: Conseguimos o quê?... É perante estes cenários antagónicos que se esperaria que a política portuguesa estivesse a ser disputada por protagonistas defendendo causas distintas e fracturantes (abaixo)… mas não. No PSD e no PS é-se pró-Europeu por definição e se alguma os distingue é onde de um lado se pede 4,5%, do outro pede-se mais 0,5%… (...)




A. Teixeira



A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...