30 setembro 2013

Dos ganhos e das perdas

 


Têm-se multiplicado as explicações oficiais de como, afinal, não foi assim tão grande a derrota do PSD.


 


Foi mesmo uma colossal derrota. Perdeu câmaras, perdeu votos, perdeu apostas em câmaras emblemáticas e importantes, perdeu por más escolhas, perdeu porque tinha que perder.


 


O PS ganhou muito mais do que eu esperaria que ganhasse. Ainda bem, pois é indispensável que se afirme como uma força política alternativa. Também não faltaram explicações de como, afinal, não tinha sido uma vitória assim tão completa.


 


Foi mesmo uma grande vitória, sem brilho nem glória para António José Seguro, que até na hora de cantar os feitos se apaga, sem conseguir mobilizar os descontentes ou até os já rendidos.


 


Foi também uma grande noite para o PCP e uma negríssima noite para o BE, que se relegou à sua insignificância. Em Oeiras, o espelho de uma sociedade que acha que os meios justificam os fins.


 


O CDS lá se aguentou, bastante melhor do que merecia. o que não augura nada de bom para a saúde da coligação.


 


António Costa continua a corporizar a esperança de quem votou em Lisboa e de quem, em todo o resto do país, votou contra esta maioria que nos governa.


 


Correu bem. Falta a vaga de fundo apra mudar as coisas dentro do PS. Porque dentro do PSD vão mudar. Rui Rio já se perfila e a solidão de Passos Coelho é bem evidente.


 

28 setembro 2013

Votar

 



 


Não sabemos em quem votar. Não vemos alternativas nem soluções. Todos os dias somos inundados de notícias que nos mostram o regime como um manancial de corrupção, compadrio e injustiças. Todos os dias rangemos a raiva e a revolta. Não compreendemos o que nos arrasta para o fundo, o que nos acontece em termos nacionais e internacionais. O desenvolvimento está a regredir, a Europa é cada vez mais um mito. Amanhã é domingo, vai estar a chover e a ventar. É dos poucos dias em que podemos estar em casa, a trabalhar ou a descansar, mas connosco.


 


Como resolver este dilema? Para que temos nós este dever e este direito que estamos tão relutantes em exercer?


 


Talvez porque, se o não fizermos, estamos a abrir caminho a quem acabe com esse direito e com esse dever. Porque é a nossa vez de dizer o que queremos, ou o que não queremos, ou o que quereríamos. Porque também temos que assumir a responsabilidade de participar na vida deste país. Porque em vez de falarmos da sociedade civil, como se ela fosse exterior a nós, é essencial que compreendamos que nós formamos, que nós somos a sociedade civil.


 


Porque ser cidadão é ser-se revolucionariamente democrático, é escolher, tomar decisões, é eleger e ser eleito. Não há maior conforto que o sabermos que a nossa voz é ouvida. Não a dos que têm força, a dos que têm poder, a dos que gritam ou marcham. Desses também, mas em dia de eleições cada um dos votos vale exactamente o mesmo. É um exercício de igualdade. E os votos juntos valem a afirmação de uma comunidade.


 


Amanhã é dia de eleições. Há que votar, sempre, com a alegria de quem se manifesta e é livre.

25 setembro 2013

Setembro

 


 


Caspar David Friedrich


 


Entre as luzes coadas de Setembro


vamos aceitando amarras de folhas e humidade


caminhos demorados para o conforto


das nossas vidas medianas e seguras


para o nosso mundo apertado e macio.


 


Entre os dedos que filtram a ternura do Outono


fechamos as casas e os olhos


ao tempo desabrido que estremece.


 

22 setembro 2013

Da auto-punição

 



 


Deambulando pela TSF (não consigo deixar de ouvir, de vez em quando), ouço um indivíduo dizer, desdenhoso  e revoltado - Eu, como cidadão, não voto - como se estivesse a punir os candidatos e os partidos.


 


No entanto apenas se está a punir a ele próprio, prescindindo do seu direito, alienando um dos seus deveres comunitários. Seja qual for o número de votantes, vão ser eleitos Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, vereadores para Assembleias Municipais, etc. A diferença é que a base eleitoral será menor, se quisermos, como aquele cidadão, castigar os políticos, faltando às eleições.

21 setembro 2013

Da pureza ideológica e totalitária

 


 


Fredrik Reutersward 


 


A nossa sociedade é estruturalmente conservadora. É muito difícil debater ideias que fujam às já estabelecidas. E isto é verdade para múltiplas situações - fale-se da saída do euro ou da discussão entre as vantagens e desvantagens de turmas mistas no sistema educativo.


 


O conservadorismo tem a ver com a dificuldade em discutir ideias. As trincheiras e a catalogação imediata em ser de direita, ou de esquerda, ou ser absurdo, ou ridículo, ou outros epítetos semelhantes, com policiamentos de purezas ideológicas ou de desadequação ao politicamente correcto, impossibilitam as verdadeiras discussões.


 


O resultado é o empobrecimento do espaço público, da informação e do esclarecimento das pessoas. O gosto pelo debate é rapidamente substituído pelo insulto e pelo amesquinhamento do oponente. Não se pode discordar - ou se está do lado certo ou do lado errado.


 


Monocromática e totalitária, esta é uma democracia vigiada pela vanguarda esclarecida.


 

Da incorrecção dos factos

 


As incorrecções factuais dos membros deste governo vão-se somando. A total incorrecção é mesmo o governo todo.


 


E que tal resolver factualmente o assunto transformando a demissão dos incorrectos num facto consumado?

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...