07 abril 2013

Da vingança do governo

 


O discurso do Primeiro-ministro não só reescreveu a história como indicou a linha política que sempre foi a sua e que agora assume, culpabilizando o Tribunal Constitucional - reduzir as despesas nas áreas da saúde, da educação e das prestações sociais. Não esclareceu o significado da decisão, mas podemos aguardar despedimentos e redução permanente de remunerações na função pública.


 


Entretanto o líder do PS, o maior partido da oposição, que tem passado os últimos dias a pedir eleições para assumir o poder, resguardou-se não sei bem para que altura e, em vez de responder de imediato ao discurso vingativo e ressentido de Passos Coelho, fez-se substituir por João Ribeiro que, independentemente do respeito que nos merece, não é o candidato a Primeiro-ministro.


 


De facto estamos encurralados entre um governo de desgraça nacional e a futura incapacidade nacional. Entretanto, Sócrates aproveita para fazer política,  arrasando a estratégia do governo.


 

06 abril 2013

Da salvação

 


Numa coisa estou de acordo com António José Seguro. O PS só deve ir para o governo após eleições. Governos de salvação nacional não me parecem a solução. Ou este governo se mantém ou vamos para eleições.


 

Pequena parte

 


Ninguém pode acreditar que o governo não tinha preparado a previsível opinião do Tribunal Constitucional. Mesmo que esperasse o melhor, tinha que ter estudado o pior cenário. Colocar a hipótese de que não havia noção deste desfecho, é passar um atestado de ainda maior incompetência a este Primeiro-ministro, a esta maioria governamental.


 


É claro que a estratégia é culpar tudo e todos do que se está a passar. O que está errado é a existência de um Tribunal Constitucional, de uma Constituição, de um povo português e de um povo europeu que não se comportam como Vítor Gaspar observa nos modelos que projecta. Ou seja, o governo não se demite e tenta fazer crer que a seguir virá o dilúvio.


 


É deste tipo de irresponsabilidade e de cegueira que não precisamos. António José Seguro espreita a sua oportunidade. Estamos rodeados de políticos que não se apercebem do todo, só vêm a sua pequena parte. Se houver eleições agora, a abstenção é capaz de vencer, quase com maioria absoluta.


 

Apostas

 


Como se previa, o governo culpa o Tribunal Constitucional por todos os males que hão-de vir. Também os comentadores das várias televisões o fazem, de forma mais ou menos explícita. Ou seja, o Tribunal Constitucional é uma força de bloqueio.


 


O pedido de audiência urgente a Cavaco Silva poderá significar o pedido de demissão do governo. Deve haver apostadores frenéticos, arriscando desfechos mais ou menos dramáticos. Mas em democracia há sempre alternativas, enquanto as Instituições funcionarem.


 

Dos nossos enormes problemas

 


Realmente estamos muito precisados de algo ou alguém que nos mobilize, que nos tire do casulo cinzento que esta governo e esta maioria nos construiu. Mas infelizmente não é António José Seguro nem a sua retórica, vazia de projectos e de força, que traduzem a tão almejada esperança.


 


Por maior que seja o desejo de que este governo seja substituído e esta maioria derrotada, pelo que significa de retrocesso e de empobrecimento do país, não vejo que o parlamento resultante de novas eleições nos possa proporcionar um enquadramento político que resulte numa alternativa à recessão e ao desemprego. Primeiro porque o PS não explica, concretamente, quais as medidas exactas que entende poder tomar para cumprir os compromissos que assumiu e, ao mesmo tempo, reverter a trajectória descendente em que navegamos. E depois porque o líder do PS não convence ninguém da sua capacidade de negociar com os outros parceiros e com a Troika.


 


Por outro lado, nem o PCP nem o BE são forças políticas em quem se confie o voto para que façam parte de uma solução de alianças ou acordos parlamentares, no sentido de se formar um governo de base alargada à esquerda. Estes partidos têm sido aliados das forças mais reaccionárias da sociedade, resistindo a qualquer empenho de mudança e defendendo acerrimamente o status quo, independentemente da suposta ideologia professada. Estando o CDS à beira de um desastre eleitoral, apesar dos contorcionismos de Paulo Portas e de outros membros do partido, restaria uma solução minoritária com o PS, o que não é solução. Cavaco Silva tem um imbróglio para resolver, imbróglio que ele próprio patrocinou.


 


Em tormentas estamos e em tormentas iremos continuar. Aguardo as medidas adicionais que o governo vai anunciar. Pelo que se tem ouvido, vai continuar a austeridade a todo o custo, pois as boas notas deste maravilhoso aluno não garantem o alívio da tutela com a adopção de medidas menos gravosas para os cidadãos.


 

05 abril 2013

Legalidade reposta

 


A perplexidade é minha ao ouvir o PSD declarar a culpa do Tribunal Constitucional e a responsabilizá-lo por mais aumento de impostos. Não é possível tamanha tacanhez e obtusidade política.


 


Para variar o Presidente declarou algo importante - as decisões do Tribunal são para cumprir. Portanto, se Passos Coelho não aproveita para mudar de ministro das Finanças e refazer o orçamento, após renegociação do memorando com a troika, não terá o aval do Presidente.


 


Que fará agora o CDS? Vai aguentar uma nova carga fiscal ou desfaz a coligação?


 


Esta é a salvação de que Passos Coelho falava - o nosso reino será mesmo de outro mundo.


 


 

Mistério segundo

 



milagre


Gao Xingjian


 


Segundo mistério o homem desaba entre


os muros de uma cidade sitiada. À volta


fervem vapores sulfúricos gritam mil cabeças de ganso.


Segundo o mistério que nos desequilibra vale mais


a acidez de uma queda que a extrema volatilidade


das almas.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...