24 fevereiro 2013

Eu, bonzo, me confesso

 



 


Dos comentários ouvido na TSF - Bloco Central e Governo Sombra - e na SIC-N - Eixo do Mal - cheguei a algumas conclusões revolucionárias, e que enformarão o meu viver democrático e republicano daqui em diante:



  1. Segundo Ricardo Araújo Pereira, os cidadãos podem impedir um ministro de falar, porque é ministro, mas os ministros não podem impedir os cidadãos de falar, porque isso é fascista - daqui se depreende que os ministros não são cidadãos.

  2. Segundo João Miguel Tavares, como Miguel Relvas já devia ter sido demitido, por indecente e má figura, obviamente que os cidadãos (que não Miguel Relvas ou qualquer outro ministro, não sei se outros detentores de cargos públicos também estão incluídos) têm todo o direito a insultá-lo e impedi-lo de falar. Esta tese é também defendida por Clara Ferreira Alves e, mais difusamente e menos claramente, por Pedro Marques Lopes, Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira e Luís Pedro Nunes. Claro que é injusto fazer o mesmo a Paulo Macedo, ninguém explicou bem porquê, nem quem é que decide tal coisa.

  3. Segundo Clara Ferreira Alves, todos os que não apoiam nem aceitam estas teses, são bonzos, e teriam muito que aprender com Bocage, Almeida Garrett, Alexandre O´Neill e Natália Correia. Ela não, que já aprendeu tudo e, pelo contrário, tem muito a ensinar sobre liberdade e democracia mas, principalmente sobre cultura, toda ela, desde histórica a política, com especial ênfase na literária e, como pano de fundo, sobre a cultura da revolução permanente e formas de protesto renovadamente esclarecidas.


Daqui depreendo que a lei é variavelmente aplicável consoante se é Relvas, Paulo Macedo, Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Vítor Gaspar, João Semedo, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, Ana Avoila, ou até Clara Ferreira Alves, Pedro Adão e Silva, Pedro Marques Lopes, João Miguel Tavares, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes, Ricardo Araújo Pereira, Pacheco Pereira e muitos outros. Daqui depreendo que Miguel Relvas não conhece limites, mas que todos estes mentores das liberdades criativas sabem quais são os de Miguel Relvas mas não os deles.


 


Por isso visto a camisola de bonzo que se me cola à pele e que Clara Ferreira Alves tão apropriadamente desmascarou.


 


A partir de agora sempre que todos estes oradores aparecerem em conferências, lançamentos de livros, inaugurações de eventos ou quaisquer outras situações, é perfeitamente normal e até saudável, cantar, gritar, insultar, e até atirar ovos podres, visto que isso não belisca minimamente a liberdade de expressão de nenhum deles e é um direito que todos nós temos. A não ser que eles sejam cidadãos, e nós não. Ou é ao contrário?


 

23 fevereiro 2013

Balada de Outono

 



Zeca Afonso

 


Águas


E pedras do rio


Meu sono vazio


Não vão


Acordar


 


Águas


Das fontes


calai


O ribeiras chorai


Que eu não volto


A cantar


Rios que vão dar ao mar


Deixem meus olhos secar


 


Águas


Das fontes calai


O ribeiras chorai


Que eu não volto


A cantar


 


Águas


Do rio correndo


Poentes morrendo


P'ras bandas do mar


 


Águas


Das fontes calai


O ribeiras chorai


Que eu não volto


A cantar


 

Apetrechos

 



 


Agora é que vai ser: o apuramento culinário e a capacidade de irmanar com os melhores cozinheiros, de todos os géneros e feitios, inventando iguarias de fazer rebolar de gozo o paladar de vários comensais, está ao meu alcance.


 


Após aconselhamento internáutico, parti rumo ao El Corte Inglés, em busca do afamado ralador Microplane. Mas vim de lá com vários apetrechos e muito agradavelmente surpreendida pela cortesia, conhecimento e afabilidade dos comerciantes, que simpaticamente me arranjaram um maçarico para queimar açúcar, com o respectivo gás e lição prática de uso, termómetro para pontos de açúcar e saca-rolhas que, espero eu, funcione bem.


 


Tudo isto porque quero aceitar este convite. Já tenho o poema e já imaginei o doce. Só que, entre a ideia e a sua concretização, vai alguma distância. Principalmente se há percalços como o talhar do leite-creme, e coisas semelhantes. Nada que me impeça de continuar a inventar, audaciosamente, até à volúpia aveludado de um leite-creme inovador, desconstruído e reafirmado.


 

Vergonhoso

 



 


Este é, de facto, o pior Presidente da nossa era democrática, responsável por muita de descredibilização da classe política. Não o único, mas um dos principais. É quase inacreditável.


 

Resistir

 



 


Aqui está uma manfestação de resistência pacífica, inteligente e irónica. Na verdade até bastante justa.


 

20 fevereiro 2013

Totalitarismo vanguardista

 


Grândola Vila Morena foi uma das senhas para o Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974. Foi uma das senhas para a instauração de um regime democrático, o contrário do que os arruaceiros do movimento Que se lixe a Troika fazem quando a utilizam, de forma a conspurcá-la, tal como a conspurca o Ministro Miguel Relvas ao fazer chacota do acompanhamento musical desafinado e grosseiro, no Clube dos Pensadores.


 


Ao contrário do que Pedro Adão e Silva e Luís Delgado disseram, não me parece que isto seja um movimento inorgânico. Parece-me um movimento de uma minoria antidemocrática que, infelizmente, tem a compreensão dos media e dos comentadores, que ontem, na SIC-N, ao abordarem os desacatos à volta de Miguel Relvas nas redes sociais, apenas mostraram opiniões que validam e desculpabilizam este tipo de contestação.


 


Pois ela parece-me não só orgânica, organizada e orquestrada, como o contrário da oposição a um governo eleito democraticamente. Não conheço alternativas à democracia representativa, não sei o que é a democracia de rua, parafraseando a pergunta no forum da TSF.


 


Isto é um festim para as vanguardas esclarecidas e para ditadores frustrados, e está a tornar-se perigoso. Prefiro ministros como Miguel Relvas, que podem ser apeados e demitidos por Presidentes da República e por eleições livres e democráticas, que contestatários como os estudantes lixados pela troika, que nem sequer entendem o que é o protesto político, a pessoas surdas e incapazes de discutir alternativas, por muito desesperadas que estejam.


 


Desesperados e lixados estamos todos, com este governo, com esta Europa, com esta Troika, e mais ficaremos se a democracia da rua vencer.


 


Nota: Outras opiniões, que vale a pena ler:


Paulo Pedroso - Portugal está a desaprender a liberdade


Valupi - No país do Miguel Relvas


Diogo Serras - Alternativa zero


 

19 fevereiro 2013

A ditadura das minorias pseudo democráticas

 


O que se está a passar neste momento, com hordas organizadas de pseudo democratas a manifestarem-se em todo o lado onde aparecem ministros, nomeadamente Miguel Relvas, é uma distorção do direito à indignação e da liberdade de expressão. Este governo foi escolhido livremente pelo povo, em eleições livres. Isto que se está a tentar fazer, é a ditadura de uma minoria autoritária que assume a vontade de uma maioria que, quando é chamada a decidir, decide de outra forma.


 


É vergonhoso. Não gosto do governo ou do Ministro. Mas isto é o contrário do debate democrático. Miguel Relvas fez mal em tentar alinhar na brincadeira. Não só fez uma triste figura como isto não é uma brincadeira.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...