24 janeiro 2013

Um dia como os outros (123)

 



(…) Apesar de o memorando com a troika ser da co-autoria do PS, o partido remeteu-se ao silêncio distante quando não à crítica aberta ao seu conteúdo, desvalorizando a negociação que fez, não defendendo com convicção nenhuma das propostas nele contidas e, sobretudo, não pontuando, como acho que era seu dever, a diferença entre o que efectivamente constava do memorando e o que lhe foi sendo acrescentado, desvirtuando os equilíbrios nele contidos e pondo em marcha o programa próprio do PSD. Também não vimos o PS - nem nenhuma outra força - apresentar balanços próprios da sua execução, e de como as áreas socialmente mais penalizadoras foram avançando e outras que faziam reformas contra poderes fácticos foram sendo adiadas ou esquecidas.


 


(…) Esta atitude alimenta a ficção de que o país não precisa de reformas, prolonga o embuste de que o país precisa apenas de cortar as famosas "gorduras do Estado", tem subjacente uma atitude conservadora sobre a reforma do nosso modelo social e é incapaz de definir novas direcções de reformas necessárias para um ajustamento que, como todos, terá que ter alguma dose de dor.


 


(…) Aliado à irresponsabilidade à sua esquerda, recusa-se a integrar uma Comissão Parlamentar de Reforma do Estado, boicotando uma discussão em que há que denunciar a agenda do adversário e ter agenda própria e não que defender o corolário conservador da bondade do que existe. Apenas uma séria razão de Estado deve fazer um partido parlamentar recusar integrar uma comissão parlamentar. A banalização desse gesto diminui, o partido, o Parlamento e a democracia.


 


(…) É contraditório dizer-se que se está a acelerar prazos de apresentação de propostas e simultaneamente estar-se a atrasar a relegitimação ou substituição, que inevitavelmente terão que ocorrer, dos protagonistas. Mas não é a primeira nem a mais importante das contradições. Marcar eleições é uma responsabilidade do líder, que deve ler a sensibilidade do partido e do país e tomar decisões. O que não precisamos é de juntar aos problemas sérios de Portugal um tabu partidário risível. Passados dois anos de governo PSD-CDS importa-me mais saber que alternativas de reforma apresentamos e que solução de governabilidade propomos. Oxalá apareçam no momento certo tantos candidatos a liderar o PS quantas essas alternativas e os socialistas decidam quem ganha a pensar na relevância do partido para o futuro do país. Seria uma ruptura séria com o tacticismo que adormeceu o partido há uma década e contagiou a maior parte senão todos os seus principais dirigentes de então e de agora.


 


Paulo Pedroso


 

23 janeiro 2013

Boas notícias

 


Cumpre-se o défice de 5%, a emissão de dívida pública foi um sucesso e há várias vozes no PS a pedir antecipação de congresso, com a possibilidade de discutir a actual liderança socialista.


 


Independentemente do desacordo com o governo, com o empobrecimento geral e a política de substituição de um estado social por um assistencialismo alicerçado em juízos morais, há uma inequívoca vitória do governo nesta operação financeira. É indispensável que a oposição apresente uma alternativa credível e sustentada.


 


O PS deve apresentar-se ao eleitorado com soluções. António José Seguro não tem pressa, mas nós temos.


 

19 janeiro 2013

Jeux Interdits

 



Jeux Interdits

Romance


 Fernando Sor


Narciso Yepes


 

Ainda

 


Vejo cada vez menos televisão e ouço cada vez mais rádio. Pares da República, Governo Sombra, Bloco Central. É tão refrescante ouvir gente inteligente a dizer coisas inteligentes.


 


O que faz António José Seguro ainda na liderança do PS?


 

Sal

 



Salt painting


Dana Jo Cooley


 


 


Um dia de punhos apertados. No teu peito


a irmandade dos povos desabridos desastre


exato e metódico como manto de fado milenar.


 


Habita-nos um pequeno monstro cinzento


que olha e ri das faces demolhadas em banhos de sal.


Ressequidos os montes e cumes de burburinho ocupado


de tantas mãos vazias. Um dia a menos


que a falta do teu peito faz a vida inútil e comprida.


 

13 janeiro 2013

Fundação para a Saúde

 



 


Fundação para a Saúde - Serviço Nacional de Saúde


 


 Debate preparatório do 1.º Congresso da FSNS


Debate: Portugal, Europa e Saúde


Museu do Oriente , Lisboa, 16 Janeiro de 2013


Inscrições: ca@fsns.pt


 


É preciso discutir, trocar ideias, informar e informarmo-nos.


Não nos resignemos à inacção e participemos.


Somos nós a decidir.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...