17 março 2012

Política (1)

 


Leonor Beleza, Maria de Lurdes Rodrigues, Assunção Esteves, Eduardo Ferro Rodrigues, são algumas pessoas sobre as quais as cúpulas partidárias poderiam pensar como possíveis candidatos à Presidência da República, pela necessidade e esperança de que a próxima disputa eleitoral nos faça eleger um futuro Presidente melhor que o actual. Não são nada consensuais. Mas isso seria bom sinal para um verdadeiro debate de ideias.


 


No entanto todos sabemos que o que menos interessa, principalmente às cúpulas partidárias, são debates ideológicos. A política, hoje em dia, é feita por gabinetes onde pululam jornalistas acéfalos, na esfera de gente pouco escrupulosa. É muito mais importante espalhar mentiras e vasculhar a vida privada de quem teve ou tem visibilidade, do que discutir a evolução da sociedade e do regime democrático, o papel do Estado em sociedades envelhecidas, a evolução científica e tecnológica no bem-estar das populações, enfim, o uso do poder para servir os cidadãos.


 

Vendidos

 


Quantos de nós já nos pendurámos uma etiqueta a dizer VENDIDO? O problema é que quem nos compra nem sequer se interessa pelas nossas competências, desmentidas imediatamente após a transacção comercial.


 

Em movimento

 



Kate Theodores


 


Em movimento


sempre em labiríntico exemplo de procura


serpenteando
pela incógnita da nossa verdade.


Em movimento


perpétuo e desconhecido


um cansaço


sem fim por dentro do esforço


empurrando
forçando abrindo ventos e mares.


Glória insana


de não desistir.


 

15 março 2012

Servidores do Estado

 


Maria de Lurdes Rodrigues, depois de todos os enxovalhos públicos a que foi sujeita, depois de ter sido arrasada na rua, no Parlamento, nos media, pelos partidos da esquerda grande e da direita estreita, explica na TSF, para quem a quiser ouvir, a manipulação que este governo está a fazer do que se passa e do que se passou na e com a Empresa Parque Escolar.


 


Como é hábito o País não reconhece nem agradece a quem dedicou o seu esforço, a sua competência e a sua motivação ao serviço público. Vale a pena ouvir Maria de Lurdes Rodrigues, às 4ªs feiras, na TSF.


 

10 março 2012

Teach me tonight

 



Amy Winehouse 


 


Did you say I've got a lot to learn?
Well babe, don't think I'm trying not to learn
Since this is the perfect spot to learn
Go on, teach me tonight

Starting with the ABC of it
Right down to the XYZ of it
Help me solve the mystery of it
Go on, teach me tonight

The sky's a blackboard high above you
If a shooting star goes by
I'll use that star to write "I love you"
A thousand times across the sky

One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Teach me tonight

I'll use that star to write "I love you"
A thousand times across the sky

One thing isn't very clear, my love
Should the teacher stand so near, my love?
Graduation's almost here, my love
Oh oh teach me...
Oh oh
Teach me tonight


 

Hienas

 



Ayuna Collins


 


 


Fatias de irreprimível despeito


em fartas espécies de tremente carne


olhos que afastam interrogações


fatias de irreprimível bocejo


entrelaçados dedos em pinça.


 


Pudesse eu desformar essa sentença


esse elástico sorriso de hienas.


 

Depressão

A última semana foi pródiga em motivos de depressão acentuada para quem teima em manter-se otimista em relação às pessoas e ao caminho político e social do país.


 


Desde a instauração da democracia que é difícil encontrar exemplo mais infeliz de um detentor do cargo presidencial, como neste momento. Aníbal Cavaco Silva é, de fato, difícil de igualar em falta de envergadura, elevação, distanciamento, sentido de missão, ponderação, diplomacia, conhecimento, cultura e moralidade para o desempenho da função.


 


Nada obsta a que os protagonistas políticos não deixem as suas memórias para a posteridade. Mas enquanto atores políticos, pede-se-lhe a capacidade de honrarem os cargos que ocupam. O texto a que todos se referem, desde ontem, revela um Presidente que, no exercício das suas funções, num desdobramento de personalidade e auto elogios, justifica azedamente o mal do país com a deslealdade do governo anterior, mais especificamente de Sócrates. Cavaco Silva não consegue abstrair-se da admiração que tem por si mesmo, da sua pequena roda interior, do seu vicioso ciclo emplumado, do seu espelho multiplicador.


 


Por outro lado este infeliz episódio, a que estranhamente foi dada tanta ênfase na comunicação social, visto que se trata de um prefácio ao tomo número n de fascículos dos discursos do presidente, que ninguém alguma vez leu com atenção, serviu para ofuscar a monumental derrota política do governo na Assembleia da República, a propósito do caso Lusoponte.


 


Coincidência ou não, esta é uma semana em que o tempo brilhante de uma Primavera antecipada não fez esquecer a infelicidade de quem teima em manter-se a par do que se passa cá dentro.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...