13 fevereiro 2012

Tocando em frente

 



Almir Sater & Renato Teixeira


canta Maria Bethânia


 


Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz


 

A todo o custo

 



 


A Grécia continua o seu calvário para a exclusão do euro, que fará implodir o que resta do mito da Europa. Ontem assistimos a uma selvajaria destruidora em Atenas, aplaudida pelos saudosistas das lutas de massas. É outra versão do a todo o custo. Violência, incêndios a prédios, confrontos com a polícia, cerco ao parlamento, nada disto me parece justificável, mesmo que a raiva seja compreensível. Não é assim que espero ver a dignidade portuguesa defendida.


 


Faltam as alternativas, gente com ideias diferentes, que coloque à opinião pública escolhas autênticas, por muito duras que sejam de encarar. Por isso a ideia do referendo grego era boa, importante e democrática. Tal como democrática é a decisão do Parlamento grego em aceitar o acordo para o resgate. O problema é que a liberdade do Parlamento grego está condicionada por imposições de um colectivo que é um conjunto único, não pelo bem da Europa mas pelo bem da Alemanha. É não haver quem, na Grécia ou em Portugal, desenhe um outro futuro – fora deste simulacro de União Europeia, sem dinheiro, com desemprego, com enormes dificuldades, e tente recomeçar o que se destruiu.


 


Mas a esquerda está mais preocupada em mostrar-se de esquerda, com manobras de má publicidade, abraçando tudo o que é alarmismo e desgraça. Pois ela aqui está, a desgraça, desgraçadamente globalizada neste canto que desejávamos especial e imune.


 

12 fevereiro 2012

Inutilidades

 


 


 


A inutilidade do automatismo de almas e corpos


inúteis porque iguais a todas as partículas universais


movimentando-se caoticamente governadas por leis invisíveis


que exaltam eternamente a inutilidade filosófica do pensamento.


 

Trezentos mil

 



 


Os manifestantes contam-se às centenas de milhar, cem mil, duzentos mil, trezentos mil, começaram contra Mário Soares, Salgado Zenha, Cavaco Silva, Maria de Lurdes Rodrigues, Sócrates, continuam agora contra a Troika, Passos Coelho e Cavaco Silva. Jerónimo de Sousa rejubila com tantos milhares precisando até de recuar 32 anos, para abarcar a enchente.


 


Infelizmente é isso mesmo, estamos a recuar muitas décadas. Mas não só nos direitos adquiridos. Também no conveniente apagamento do que é uma democracia representativa, resultados eleitorais, no competente exaltar das forças trabalhadoras e da rua, a rua que o PCP, a CGTP e o BE tanto gostam de invocar para fazer cair governos democraticamente eleitos. Exactamente os mesmos partidos que em sede parlamentar tudo fizeram para derrotar o governo anterior, o tal mais à direita de sempre, como todos os governos de Portugal desde 25 de Novembro de 1975.


 


O sindicalismo velho e derrotado pelas circunstâncias, pela História e pel’Os Mercados continua, cego e surdo às avalanches da sociedade. Os trabalhadores já não usam calças com peitilho mas os sindicatos continuam a usar o mesmo espartilho. A consagração de Arménio Carlos foi apoteótica. E os próximos capítulos serão iguais aos que já passaram.


 


Nota: Vale a pena ler o Valupi.


 

10 fevereiro 2012

O sentido do fim / The sense of an ending

 



 


O fim não tem que ter um sentido. Mas pode haver sentido para um fim.


 


Em busca do que falta nas nossas vidas ou do que não sabemos. Ou do que sabemos ou do que nos lembramos. A memória é apenas uma ajuda para o esquecimento activo. O que somos ou o que vamos sendo, sem honra nem glória. Aquilo que depuramos dentro do que nos foi tocando aceitando as derrotas manipulando as nossas próprias emoções. Tudo fazemos para sobreviver ao nosso próprio tédio.


 


Ao chegar perto do fim tentamos encontrar um fim para cada um. Para todas as roturas que encontrámos ou provocámos. Para todos os amores que sofremos realizados ou não. Para todas as derrotas as vergonhas escondidas as pequenas maldades os pequenos orgulhos as pequenas ambições as pequenas invejas as pequenas lealdades as pequenas razões de tudo.


 


Mas será preciso primeiro fazer essa viagem. Ir desenrolando o que aplicadamente fomos colocando em gavetas labirínticas talvez à espera de não ser preciso escancarar as janelas. Ou nem sequer ter consciência da sua existência.


 



 

Attaboy

 



The Goat Rodeo Sessions


 

Crespologia

 


Não se pode acusar quem relata conversas privadas em restaurantes e cafés, sejam sobre política, astros ou futebol, para depois vir pedir justificações a Vítor Gaspar. Os jornalistas sabem as regras que estão afixadas. Não vale a pena invocar o interesse público. Essa conversa dá sempre para o lado que se quer. É uma conversa de moucos. São mais uns limites que se ultrapassam. Limites que foram impostos por estruturas onde as regras são às claras. Mais tarde serão limites impostos por ditaduras.


 


Nada disto tem a ver com combate e afirmação de repúdio à política europeia, defesa da soberania ou recusa de protectorados alemães.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...