20 janeiro 2012

Presidência da República desprestigiada

 



 


A abertura da caixa de Pandora do populismo está a ter as suas consequências, umas imprevisíveis, outras previsíveis e perigosas. A diabolização dos políticos e dos detentores dos cargos públicos, com a demagógica redução de remuneração dos mesmos, é apenas uma das facetas daquilo que tem sido empolado por responsáveis dos partidos políticos, de todos, embora mais prevalentes na coligação que nos governa e nos partidos ditos de esquerda, como o BE e o PCP, por vários comentadores, grandes empresários e maravilhosos economistas.


 


Dito isto, alguém dos vários assessores do Presidente da República deveria aconselhá-lo vivamente a renunciar ao cargo. A panóplia de gente iluminada, da qual Cavaco Silva faz parte, que tem perorado sobre a necessidade de contenção, austeridade, equidade e justiça fiscal, a necessidade de reduzir os hábitos de consumo, de não se gastar acima das nossa possibilidades, está a revelar-se de uma desfaçatez e arrogância, que nada de bom pronunciam para a coesão social.


 


Mais revoltante que todas as opções ideológicas é o desfile de declarações a que temos assistido, de que as do Presidente, lamentando-se pelo fato da soma das suas reformas não chegar para as suas despesas, é o ponto máximo. Todos os reformados descontaram durante anos para poderem usufruir de um montante que foi seriamente reduzido e será ainda mais. Todos os que descontaram para o subsídio de desemprego agora só podem ter acesso a um escasso número de meses subsidiados e por muito pouco. A imensa maioria das pessoas são obrigados a pagar as suas despesas com muitíssimo menos que as reformas de Cavaco Silva.


 


Cavaco Silva desprestigia o cargo e a função de Presidente. Era melhor que se fosse embora.

Máscara


Ebon Heath: visual poetry


 


Pedes-me frases despidas de conceitos e artefactos


desenhos retos de uma linguagem figurada


entre o indecoro da lassidão e a experiência do tempo


pedes-me alma sem o alçapão da memória


corpo sem rasura nem mácula.


 


Aceno em sinal afirmativo sabendo que o momento


da entrega terá a evidente máscara


confidente e confiante da ternura.

18 janeiro 2012

A derrota da crise (4)

 


Outra ideia para transformar a realidade.


 



 

A derrota da crise (3)

 


Aqui está uma ideia para apreciar condignamente:


 



 


Programa


 


9h: Sessão de abertura


9h30mn: María José García Soler (Universidade do País Basco) - La presencia de la gastronomía en la literatura griega.


10h: Maria Regina Cândido (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) - Banquete grego: entre o ritual da philia e o prazer da luxuria.


10h30mn: debate


10h50mn: pausa


11h20mn: Carmen Soares (FLUC) - A imagem da arte culinária e dos autores de literatura gastronómica na Grécia Antiga.


11h50m: Elisabete Cação (CECH) - Utensílios e processos de confecção em Arquéstrato e Ateneu.


12h10m: Nelson Henrique (CECH) - Da natureza para o prato: a observação de comportamentos e habitats no De alimentorum facultatibus de Galeno.


12h30m: debate


13h: almoço


15h: Inês de Ornellas e Castro (Universidade Nova de Lisboa) - Discursos e rituais na mesa romana.


15h30m: Carlos Fabião (Universidade de Lisboa) - Os preparados de peixe de época romana na Lusitania: os nomes e os produtos.


16h: debate


16h20m: intervalo


16h45m: Paula Barata Dias (FLUC) - Em defesa do vegetarianismo: Fílon de Alexandria e Porfírio de Tiro.


17h15m: Luís Lavrador (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra) - A propósito dos interditos alimentares no Levítico.


17h35m: debate


18h: Maria do Céu Fialho (FLUC/CECH) - apresentação do livro Práticas Alimentares no Mediterrâneo Antigo, M. R. Cândido (org.). Rio de Janeiro 2012.


18h20m: Sessão de encerramento


20h: Ceia greco-romana (Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra)


 

O acordo

 


 


A Bola


 


Temos pois o acordo. O tal que foi assinado por João Proença, herói ou cobarde, que foi abandonado por Carvalho da Silva, em nome do maior ataque aos trabalhadores desde o 25 de Abril, desde o anterior acordo abandonado por ele e assinado por João Proença.


 


Minguaram as férias e os feriados, o que não me parece mal, minguou o salário mais um bocadinho, o que me parece péssimo. Com ou sem assinatura a reforma avançaria. Cumplicidade ou responsabilidade de João Proença, eu não consigo decidir. Não sei se a prioridade não é mesmo tentar salvar alguma coisa e manter alguma coisa em paz. Irresponsabilidade e cumplicidade de Carvalho da Silva, eu consigo dizer que existem, há já muitos anos, enquanto seguidor doutrinário do PCP que se aliou com esta mesma direita, a da falta dos direitos dos trabalhadores, para derrubar o anterior governo. Tal como a cumplicidade e a responsabilidade do BE, com ou sem sindicatos.


 


Mesmo assim duvido muito que a paz ou a conflitualidade dependessem da assinatura ou do abandono deste acordo. Suspeito que já não há gente esperançosa nas negociações destes sindicatos e destas centrais sindicais. Assim como não há esperança nestas associações patronais. Ou nesta oposição abstencionista e segura de um PS que se apressou a calar o passado feito por Sócrates, rastejando pelas entrelinhas da pseudo responsabilidade oposicionista.


 


Talvez sejam gémeos, João Proença e António José Seguro, tentando segurar a mole humana revoltada. Talvez nem pensem nisso. Talvez sejam honrados cidadãos a fazer o que melhor calculam para o seu país. Talvez calculem que seja o melhor para eles. Talvez se desconheçam e se estranhem totalmente, costas voltadas em estratégicas adversas e contrárias.


 


Talvez nada disto interesse e o melhor que faremos para sobreviver é tentar viver e trabalhar em novos partidos, novas associações, novos sindicatos. Mesmo sabendo a falta de forças que nos tolhe a vontade.


 

Nomeação


 


Quando comecei este blogue não me passou pela cabeça que ele pudesse ser nomeado para qualquer coisa, muito menos pela sua/minha atividade política. Na verdade têm sido anos de grande ebulição cívica. Vem isto a propósito da nomeação, pelo Aventar - a quem agradeço - como um blogue de atualidade política, ultimamente pouco atual e cada vez menos político.


 


Se bem que estas nomeações acabam por ocorrer entre um pequeno grupo de blogues que se vão conhecendo e linkando, dentro de uma imensidão de outros muito mais atuais, muito mais bem escritos e informados, cultos, criativos, originais, etc. Mas é sempre agradável alguém pensar que podemos fazer parte da sua preferência.


 

Perplexidade

 



Ebon Heath: visual poetry


 


Posso guardar os olhos recusando a luz


posso desligar os ruídos ignorando o eco


posso incendiar os dedos rejeitando o toque


que nenhum sentido da inevitável inação


negará a dimensão desta imensa perplexidade.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...