A abertura da caixa de Pandora do populismo está a ter as suas consequências, umas imprevisíveis, outras previsíveis e perigosas. A diabolização dos políticos e dos detentores dos cargos públicos, com a demagógica redução de remuneração dos mesmos, é apenas uma das facetas daquilo que tem sido empolado por responsáveis dos partidos políticos, de todos, embora mais prevalentes na coligação que nos governa e nos partidos ditos de esquerda, como o BE e o PCP, por vários comentadores, grandes empresários e maravilhosos economistas.
Dito isto, alguém dos vários assessores do Presidente da República deveria aconselhá-lo vivamente a renunciar ao cargo. A panóplia de gente iluminada, da qual Cavaco Silva faz parte, que tem perorado sobre a necessidade de contenção, austeridade, equidade e justiça fiscal, a necessidade de reduzir os hábitos de consumo, de não se gastar acima das nossa possibilidades, está a revelar-se de uma desfaçatez e arrogância, que nada de bom pronunciam para a coesão social.
Mais revoltante que todas as opções ideológicas é o desfile de declarações a que temos assistido, de que as do Presidente, lamentando-se pelo fato da soma das suas reformas não chegar para as suas despesas, é o ponto máximo. Todos os reformados descontaram durante anos para poderem usufruir de um montante que foi seriamente reduzido e será ainda mais. Todos os que descontaram para o subsídio de desemprego agora só podem ter acesso a um escasso número de meses subsidiados e por muito pouco. A imensa maioria das pessoas são obrigados a pagar as suas despesas com muitíssimo menos que as reformas de Cavaco Silva.
Cavaco Silva desprestigia o cargo e a função de Presidente. Era melhor que se fosse embora.