21 dezembro 2011

No One But You


The Goat Rodeo Sessions


 

Escrevendo

 



Brion Gysin


 


Nada como ir escrevendo os dias


palavras sem medo nem esperança


que o silêncio instalado assobia entre os dedos


e o amor que segredamos respira-se por dentro.  


19 dezembro 2011

Este país não é para nós

 


A falta de preparação política do Primeiro-ministro em particular e do governo em geral, é assustadora. No meio de uma crise como esta, temos um governo que em vez de incentivar a população, dar-lhe confiança e incutir alguma esperança, a aconselha a emigrar.


 


A tristeza alastra e o encolher de ombros aumenta. Ninguém liga ao espectáculo dos (i)responsáveis e a revolta vai alastrando de uma forma larvar. À medida da cobardia, começamos a ter manifestações de vandalismo a coberto de pseudo-luta, como o que se está a passar no Algarve, com a destruição sistemática dos equipamentos para cobrança de portagens e como a pirataria informática.


 


Sem ideias e nada que as motive, vai engrossando o volume dos que, caso apareça um salvador, não quererão mais a democracia e a liberdade, mas a miragem da ordem e do respeitinho, alguma coisa que os poupe da miséria total e que lhe dê algum conforto. Infelizmente há muitos tipos de miséria e a deste governo é a cegueira ideológica.


 


Depressa e em força, para Angola, Moçambique, Brasil... Portugal não serve para os portugueses.


 

17 dezembro 2011

Cesária Évora

 



 

Que Estado?

 


Segundo o Primeiro-ministro, daqui a 20 anos as reformas serão cerca de 50% do que eram em 2007.


 


Fazendo contas, daqui a 20 anos ainda devo estar a trabalhar. Pelo menos enquanto trabalhar recebo a remuneração de quem está no ativo, mesmo que essa remuneração seja cada vez menor, tal como tem acontecido nestes últimos tempos, particularmente desde 2009.


 


Mas se, para esta coligação de direita que nos governa, aqui e na Europa comunitária, as reformas e os subsídios de desemprego se reduzem, aumentam as comparticipações para a saúde, a escola pública deixa de ser prioritária, cortam-se vias ferroviárias diminuindo a capacidade de mobilização das populações e destruindo a coesão do território, gostava que me esclarecessem para que servem os impostos que não param de crescer.


 


Se a ideologia reinante é a do utilizador-pagador, expressão chave que justifica a supressão das funções do Estado, com a hipocrisia e o engano de explicar aos incautos que quem mais ganha mais deve contribuir, esse mesmo Estado deveria abster-se de cobrar a enorme quantidade de impostos anuais para alimentar uma máquina que cada vez dá menos em troca.


 


Pode sempre apelar-se à sociedade civil que se organize para tratar da iluminação das ruas e dos bairros, contratar policiamento, utilizar a prestação de serviços de juízes e advogados quando necessário, construir escolas e hospitais.


 


Podemos até questionar, já que estamos em maré de revoluções de mentalidades, para que serve exatamente um Estado destes.


 

15 dezembro 2011

Quadras de Natal (2)

 


 


 


 


Pelo vento deste norte


entra a chuva de permeio


pelo teto da má sorte


já perdemos o sorteio.


 


Nem taluda de Natal


aquece o fim de Janeiro


nem festa de Carnaval


alumia o ano inteiro.


 


Vaticinam Entidades


em voz alta ou burburinho


tormentosas tempestades


a barrar-nos o caminho.


 


Respiramos nevoeiros


lendas velhas com bolor


sem armas nem cavaleiros


que nos respeitem a dor.


 


Faremos do astro rei


terra água fogo e ar


pelo povo e pela grei


havemos nós de clamar.


 


De Jesus não precisamos


parcos de fé e tão poucos


ao Menino nós amamos


mesmo que cegos e loucos.


 


Somos nós filhos de Deus


a pedir felicidade


possa ele fazer seus


nossos sonhos sem idade.


 

Um dia como os outros (106)

 



(...) A única razão que se pode encontrar para não haver devolução do dinheiro aos portugueses está nos objectivos de política macroeconómica. É preciso travar o consumo privado para reduzir as necessidades de financiamento externo - por muito que se apele ao "consuma português", o conteúdo importado das nossas compras é bastante elevado. E, desse ponto de vista, faz sentido que se reduza o rendimento disponível.

Mas, se o objectivo é travar o consumo privado, por que não substituir o imposto extraordinário por uma poupança forçada? O dinheiro que cada um de nós entregou ao Estado em imposto extraordinário seria aplicado em títulos de dívida pública (certificados do Tesouro, por exemplo), sendo devolvido num prazo pré-definido - por exemplo, no fim do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro.

O que ganhava o Estado e o País? Financiamento mais barato - as taxas cobradas pelos ditos mercados são superiores -; oferecia a alguns portugueses a experiência educativa de poupar; e daria uma pequena boa notícia: os sacrifícios também podem ter algum retorno, pequeno que seja, no curto prazo. No limite, até podia devolver uma parcela do imposto extraordinário a famílias com rendimentos por pessoa mais baixos. (...)

Helena Garrido


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...