22 novembro 2011

Coragem dos vencidos

 


Coragem, a coragem dos vencidos, dos que sentem que nada podem, nada querem, nada fazem, mas cujas intenções, propósitos e convicções os obrigam a redundar maiúsculas e pontos de exclamação.


 

20 novembro 2011

Sem energia

 


 


 


O dia correu estranho e sem grande cor. Na cama até ao meio-dia, sem estar doente, mas gasta duma apatia cinzenta, que me vai inundando.


 


Ouço rádio no computqador, o Bloco Central e o Governo Sombra. Divirto-me moderadamente. A inconcebível ideia de censurar as notícias sobre o país, numa hipotética rádio internacional, uma das maravilhosas sugestões para a revolução dos canais públicos da televisão e da rádio, mostra bem a que nível se chega. Aqueles deslumbrados que tinham todas as soluções para resolver todos os horrores desenvolvidos pelos governos anteriores, vão-se revelando*.


 


Ontem grande caminhada, Av. Liberdade abaixo, Teatro Dona Maria II, Rossio, Restauradores, Rua dos Fanqueiros, Rua do Ouro, Av. Liberdade acima, chuva e sol, gente, música, gente.


 


Hoje não apetece lá fora, o carro, a conversa, sonolência vagarosa sem a cafeína do costume. Nada apetece neste fim da semana. Com excepção dos pimentos recheados, verdes, um dietético os outros bem gulosos, com carne picada cozinhada em cebola, alho, tomate, linguiça aos bocadinhos, cogumelos, pimento vermelho, courgette, beringela, alho francês, azeite, um bocadinho de vinho tinto, sal, pimenta, louro e coentros. Depois de atafulhar este preparado dentro dos pimentos verdes, sem sementes, com queijo mozarela ralado em cima, o forno fez o resto, durante cerca de meia hora. Mesmo sem direito à linguiça e ao queijo, não dispenso Châteauneuf-du-Pape.


 


Caminhamos para a semana com mais Duarte Lima e BPN, robalos e pães de ló. Comezinho e triste. Avizinha-se uma semana de portugueses mal comportados, segundo a Troika. Não farei greve, mas acho as considerações daqueles senhores aviltantes.


 


Não me sinto com a energia reposta.


 


*Via Jugular


 

19 novembro 2011

Someone like you


Adele

 

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now.
I heard that your dreams came true.
Guess she gave you things I didn't give to you.

Old friend, why are you so shy?
Ain't like you to hold back or hide from the light.

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,"
Yeah.

You know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised
In a summer haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it.
I had hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me it isn't over.

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg


I remember you said, 


"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Nothing compares
No worries or cares
Regrets and mistakes
They are memories made.
Who would have known how bittersweet this would taste?

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you too
Don't forget me, I beg
I remember you said,
"Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead,
Sometimes it lasts in love but sometimes it hurts instead."


 


Modinha da crise

 



 


Salta a pulga coça o braço


morde a perna seu madraço


porte-se bem porte-se mal


já ficou sem o natal


meu amigo não se queixe


morra a boca pelo peixe


puxe o cinto falta o ar


não o sinto acreditar


tire as meias que lhe sobram


tem buracos sem remendos


arre burro que o carrega


a esmola que se nega


o salário que não dá


arre burro venha cá


que não ouço tilintar


a moeda no seu bolso


é tão curto o que é bom


torna e vira o mesmo tom.


 


Salta o braço morde a pulga


coça a perna seu madraço


porte-se mal porte-se bem


o natal é que já não tem.


 

Our day will come


Amy Winehouse 


 


Our day will come (Our day will come)


And we'll have everything
We'll share the joy
Falling in love can bring 



No one can tell me
That I'm too young to know
I love you so
And you love me

Our day will come (Our day will come)
If we just wait a while
No tears for us
Think love and wear a smile

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way
Our day will come

Our dreams are meant to be
Because we'll always stay
In love this way

Our day will come


 

18 novembro 2011

Um dia como os outros (102)

 



(...) Os tempos que correm - eu sei! - não vão fáceis para o Estado e para quantos o defendem. Diabolizado por muitos, o Estado passou a ser o bode expiatório de todos os males e de todos os défices, com alguns a apelar por "menos Estado e melhor Estado", quase sem esconderem o desejo de colocar ao seu serviço o que dele sobrar. Os professores, as forças de segurança, os servidores da Justiça, os militares, os funcionários da saúde pública, os técnicos e administrativos de imensas áreas e, por maioria de razão, essa casta irritantemente snobe que são os diplomatas - tudo isso não passa, no discurso dos turiferários das virtudes angelicais da "sociedade civil", de um bando de inúteis gastadores, de preguiçosos absentistas, de mangas-de-alpaca que pilham o erário e o que foi criado pelo suor de quem "produz a riqueza".



É claro que sei que vou contra "l'air du temps", que vou correr o risco de eriçar alguns sobrolhos e de excitar alguns blogues ou colunistas desses novos "libertadores", mas deixem-me que aqui diga hoje, quatro décadas depois de ter começado a servi-lo, sem uma ponta de arrependimento, com um imenso orgulho e com a liberdade a que o 25 de abril me deu direito: viva o Estado!

 

 


 

Latir

 



Jean-Luc Cornec


 


Acompanho as letras desatenta desatentas as letras


as palavras baralham e baralham-se de lugares variam


do fim para o princípio significados e significantes


significativo cansaço das letras bocejantes a luz que baixa


os olhos a fechar dispara o latir cardíaco e as letras baralham


baralham-se pontos palavras compridas sem significado


significativo do andar mudo do mundo.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...