13 novembro 2011

L'altru mondu

 



A Filetta & Antoine Ciosi

 

 


À l'altru mondu, u tempu hè longu, ci stà l'eternità.


È m'hà pigliatu à tempu natu; di mè, chì n'hà da fà?


O cara mamma, u paradisu hè grande cume tè,


È s'e ti chjamu à l'improvisu s'arricummanda à mè


Santa Marìa a to sumiglia ùn nu mi lascia più,


È mi cuntentu è mi ramentu, cume s'ell'era tù.


 


Timandu un fiore, u so culore, u sceglierai tù.


Hè ind'u pratu di u Muratu ch'ellu face u più.


S'e fussi eiu frà i più belli u cuglierebbi à tè,


Ma stocu in celu, è i to capelli sò luntanu da mè,


Ma i t'allisciu cù Ghjesù Cristu chì sà quale tù sì,


È mi cuntentu è mi ramentu, è megliu ùn possu dì.


 


Ùn piglià dolu, u to figliolu cù l'ànghjuli stà bè.


È ciò ch'e vogliu, u mio custodiu a sà prima cà mè.


Quì l'aria fine cume puntine cosge senza piantà,


Ore tranquille, à mille à mille, senza calamità.


À l'altru mondu, canta un culombu è paura ùn hà,


Per cacciadore ci hè u Signore, O mà ùn ti ne fà!



 

Terra de ninguém

 


Se há alturas em que os funcionários públicos especialmente e toda a população em geral têm razões fundadas para protestar e fazer greve, é esta. Estamos a viver uma crise económica, financeira e social gravíssima, temos um governo que foi eleito com base em falsos pressupostos, que tem feito exactamente o contrário do que apregoou, que está a implementar, sem oposição, o programa mais ideologicamente à direita desde o 25 de Abril, delapidando valores de equidade e justiça fiscal, igualdade de direitos fundamentais e destruição de conceito de Estado e de Serviço Público. Tudo isto numa Europa num crescente de autoritarismo e subversão dos valores democráticos, em que os governos e os povos são manietados e chantageados pel'Os Mercados e pela todo-poderosa Alemanha.


 


Eu sinto-me entre duas realidades que me assustam. Por um lado a necessidade e a vontade de protestar, de manifestar o meu desconcerto, desapontamento, a total desaprovação de tudo o que se passa e firme convicção de que tudo vai piorar. Por outro a certeza de que as manifestações a que assistimos neste último sábado, anacrónicas, repetitivas, iguais às que têm sido organizadas pelas mesmas estruturas sindicais anquilosadas, com as mesmas palavras de ordem, com os mesmos oradores, a dizerem as mesmas coisas que têm dito em todos os governos, de direita ou de esquerda, fossem quais fossem os partidos e as políticas seguidas, com as mesmas músicas de intervenção, importantíssimas e ícones de uma outra realidade, de um outro tempo, de outras gerações.


 


Mas se não me revejo na irrelevância destas acções de protesto, a que já ninguém dá crédito, tal como a greve geral marcada para 24 de Novembro, que tem toda a razão de ser, não fora o manancial de greves gerais marcadas pelos motivos mais disparatados, e pelo facto de ter a sensação de que quem mais tem a perder são os próprios trabalhadores em greve, ainda menos me revejo nas manifestações dos indignados, em que a pulsão antidemocrática e populista me repugnam.


 


Na terra de ninguém estou pior que o tempo invernoso, céu pesado e de chumbo, chuva forte e vento louco, numa temperatura amena de fim de época, humidificando e parasitando a nossa mente.


 

12 novembro 2011

A Paghjella di l'impiccati

 



A Filetta


 


 


 


Sè vo ghjunghjite in Niolu


Ci viderete un cunventu


Di u tempu u tagliolu


Ùn ci n'hà sguassatu pientu


Eranu una sessantina


Chjosi in pettu à u spaventu


 


Dopu stati straziati


Da i boia o chì macellu


Parechji funu impiccati


Ci n'era unu zitellu


L'anu tuttu sfracillatu


E' di rota è di cultellu


 


Oghje chi hè oghje in Corsica


Fateci casu una cria


Si pate sempre l'angoscia


Intesu dì Marcu Maria


Era quessu lu so nome


Mancu quindeci anni avia


 

11 novembro 2011

Onze do onze de dois mil e onze

 



 


Onze do onze de dois mil e onze. Fim do mundo inteiro não, fim de uma determinada visão do nosso pequeno mundo. Não há terramotos nem trombetas apocalípticas. O fim do nosso pequeno mundo é tão pequeno e tão fim que nem direito tem a ser grandioso. O fim das nossas glamorosas certezas democráticas, das nossas ideias de igualdade de oportunidades, dos nossos valores eleitorais, da nossa liberdade, é tão pequeno e continuado que a adaptação natural do ser humano, principalmente se governado ou representado por eunucos, não dá direito a grandes indignações.


 


Como é hábito ouvem-se as habituais vozes manifestantes de grande horror, que assim se indignam e manifestam desde o dia vinte e cinco do quatro de mil novecentos e setenta e quatro, e as habituais vozes rancorosas e saudosas do dia vinte e quatro do quatro de mil novecentos e setenta e quatro. Mas o que mais indigna é a manifestação vermiforme de quem se diz opositor e oposição e bale com a fraqueza de quem não sabe o que é grandeza nem alternativa, de quem procura um espaço para mostrar a tacanhez dos vencidos sem luta.


 


Onze do onze de dois mil e onze é uma data sem história, como na história ficarão alguns dos que se submetem ao poder dos incolores que pairam sobre o mundo sem fronteiras, ou com as fronteiras que esse poder incolor determina.


 

10 novembro 2011

Opereta antidemocrática

 


Tal como Pacheco Pereira e António Costa, preocupados com o rumo antidemocrático da União Europeia, que se reflecte na subversão da democracia em cada país europeu, também estranho e acho totalmente inaceitável as afirmações de Otelo Saraiva de Carvalho, em relação ao quase incitamento dos militares à realização de um golpe militar.


 


A democracia é frágil e as Forças Armadas são o garante da defesa desse mesmo regime democrático.


 

09 novembro 2011

Feriados

 


Num país laico, não deixa de ser extraordinária a notícia de que a Igreja (Católica) impõe condições ao governo para acabar com alguns feriados.

A subversão da democracia europeia

 



 


Depois de Michael Fuchs ter defendido a demissão de Berlusconi, Angela Merkel assumiu que não pode haver políticas domésticas dentro da moeda única. Para quem ainda alimenta esperanças de integrar uma União Europeia que se rege por regras democráticas, em que os estados soberanos se respeitam, as últimas declarações destes responsáveis alemães, a efetiva demissão de Berlusconi, e o recuo da ideia referendária na Grécia, pode perder definitivamente as ilusões.


 


Neste momento são Os Mercados e a Alemanha, não sei se a ordem dos fatores é arbitrária, que verdadeiramente apoiam ou demitem os governos. O funcionamento democrático de cada país, em que os cidadãos escolhem os seus governantes, é totalmente subvertido pelas pressões externas, os juros das dívidas a aumentar, os ratings a diminuírem e pelo despudor dos responsáveis alemães. Péssimos sinais e péssimas notícias.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...