08 outubro 2011

Náufrago na lua

 



 


Coberto de dívidas e sem esperança, Kim decide afogar-se, atirando-se de uma ponte sobre o rio Han, na cidade de Seoul. O azar ou a sorte não o deixam morrer e ele acaba numa pequena ilha deserta, da qual se contempla o esplendor de uma grande metrópole.


 


Do outro lado da ponte, em Seoul, fechada num apartamento, vive KIM, uma rapariga cuja existência se confina ao seu quarto. O seu contacto com o mundo é feito através de um telescópio e da internet, onde se inventa em personagens fictícias. A lua é a sua casa.


 


Kim, naufragado na ilha e Kim, naufragada na lua, iniciam uma estranha aproximação, apenas possível naqueles que, despojados de tudo, percebem o essencial da vida e se despem de tudo o que nos parece indispensável e nos escraviza.


 


Filme de actores, com um argumento aparentemente simples, em que a banda sonora acompanha as emoções sem as conduzir nem as condicionar, uma deliciosa descoberta.

07 outubro 2011

Actualidades

 


De vez em quando ainda levanto o pouco o voluntário afastamento das notícias.


 


Ouvi a entrevista que Pedro Silva Pereira deu a Maria Flor Pedroso, em que desmascara a mistificação que este governo fez à volta da execução orçamental do 1º trimestre, do desvio colossal e do conhecimento ou desconhecimento das dívidas da Madeira.


 


Li que Teixeira dos Santos defende que o PS viabilize o Orçamento de Estado para 2012, porque não é altura de tirar dividendos políticos, sendo imprescindível assumir responsabilidades. Ainda há pessoas que colocam o interesse do país acima de qualquer outro interesse.


 


Leio e ouço muitos que rejubilam perante o fracasso da descida do défice e do aprofundamento da recessão, como demonstração de que este governo não é capaz de governar. Não votei no PSD nem no CDS, não aprovo a ideologia deste governo, não me revejo neste mandato presidencial. Mas o fracasso deste governo, que venceu eleições livres apenas há alguns meses, portanto escolhido pela maioria dos portugueses, é o fracasso de todos nós. Não o desejo nem o aplaudo. O governo tem legitimidade para governar e deve fazê-lo. O PS é co-responsável por muitas das medidas que estão a ser tomadas, pois assinou o memorando.


 


Espero que o PS assuma as suas responsabilidades, sem aproveitamentos espúrios da aflição nacional. Debater e combater as políticas com que não se concorda, mas sustentar aquilo que tem que ser sustentado para que todos estes sacrifícios possam fazer algum sentido.


 


Foi um erro o chumbo do PEC IV. O PS deve lembrar-se bem desse erro dos partidos da oposição. É bom que o não repita, agora que já não é governo.


 


Outra notícia que acende uma luzinha de esperança: a maioria absoluta de Alberto João Jardim pode não ser tão certa.

05 outubro 2011

Balada para un loco

 







 Astor Piazzola


 


 


Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese que se yo, viste?
Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mi...
Cuándo, de repente, detras de un árbol, se aparece el.
Mezcla rara de penultimo linyera
y de primer polizonte en el viaje a Venus.
Medio melón en la cabeza,
las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies
y una banderita de taxi libre levantada en cada mano.
Parece que solo yo lo veo,
Porque él pasa entre la gente y los maniquíes le guiñan,
los semáforos le dan tres luces celestes
y las naranjas del frutero de la esquina
le tiran azahares.
Y así, medio bailando y medio volando,
se saca el melón, me saluda,
me regalo una banderita y me dice:


 


Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
No ves que va la luna rodando por Callao,
que un corso de astronautas y niños, con un vals,
me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!


Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos.


 


¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.


 


¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!


 


Y asi diziendo, el loco me convida
a andar en su ilusión super-sport
Y vamos a correr por las cornisas
¡con una golondrina en el motor!


De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!",
los locos que inventaron el Amor,
y un ángel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.


Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!:
provoca campanarios con su risa,
y al fin, me mira, y canta a media voz:


 


Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepate a esta ternura de locos que hay en mí,
ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!


Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite los amores que vamos a intentar
la mágica locura total de revivir...
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!


 


¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca el y loca yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca el y loca yo



Camisa de rã

 



 


Meias de lã


camisa de rã


sapato bicudo


sopé da manhã


olho sisudo


terra de fada


laço desfeito


aperta cintura


afia caneta


que bela figura


fundo decote


sem que se note


alva tremura


suspiro rasante


sorriso de lado


leque arejado


cala o tratante.


 


Meias de rã


sapatos de lã


deixa o cigano


cantar violino


pendura a manhã


na corda do sino.

Res publica

 



Stuart Carvalhais


 


A República - res publica ou coisa pública), seja ela entendida como um regime político, em que o chefe de Estado pode ser qualquer cidadão, desde que seja eleito por voto livre e secreto, seja ela entendida como uma forma de governo e de administração do bem comum, é um princípio de organização política que tem como valores basais a igualdade entre os cidadãos e a responsabilização deles mesmos perante si e perante todos, assim como a ética da obediência à Lei e a obrigatoriedade de prestar contas pelos bens à sua guarda.


 


Nestes 101 anos de comemoração da implantação do regime político, olhamos para estas ideias básicas e estranhamos a distância a que delas nos encontramos.


 


O primado da igualdade, em que as diferenças entre os cidadãos se medem pelo que têm, pelo que auferem ao fim do mês, pelo poder directo ou indirecto, exercido de formas muitas vezes pouco lícitas, pela eternização de privilégios e garantias de justiça para poucos, a maior abertura da sociedade ao racismo e à xenofobia, o subverter da noção do que é bem próprio e bem comum.


 


O primado da responsabilidade, em que a sensação e a postura cultural aceita quase sem discussão uma administração de justiça diferente, relacionada com o poder de cada cidadão, a negligência assumida do que é o prestar de contas, política ou criminalmente falando.


 


O primado da liberdade e da democracia, cujos princípios fundamentais se fundem com os do próprio regime republicano, em que o acesso à informação está condicionado pelos vários poderes.


 


Em 100 anos a sociedade modificou-se radicalmente, o avanço tecnológico é imenso, houve guerras mundiais e locais, fome miséria, prosperidade, ditaduras impuseram-se e caíram, as condições de vida melhoraram abissalmente, pelo menos para a pequena parte do mundo em que nos encontramos. Mas 100 anos não são suficientes para mudar os instintos e as compulsões humanas.


 


E por isso mesmo, apesar da nossa sociedade ocidental ter instrumentos, capacidades e condições cada vez melhores, ciência e investigação, arte e engenho ao serviço dos povos, ainda precisamos de nos lembrar do significado, do conceito mas, predominantemente, falta-nos a todos a prática desse significado e desse conceito.


 

02 outubro 2011

Pim pam pum

 



Jerome Myers


 


Pim pam pum


cada dedo cada mão


sem a casa e sem botão


abre fogo mata tia


entre o jogo da magia


 


pim pam pum


sempre tosco sempre nu


assa lento come cru


entre as migas do almoço


água fria só no poço


 


pim pam pum


já me sobra a cabeça


já me falta a travessa


ponta e liga ponto e nó


que me falta a minha avó.

Serenade Melancolique, Op. 26


Tchaikovsky & Itzhak Perlman

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...