06 julho 2011

A crise é só para alguns

 



 


1. A razão de tantos hipermercados e de tantas grandes superfícies é singela: as lojas tradicionais não querem continuar a vender, estão fartas de existir. Os seus donos fazem um enorme favor ao receber os clientes em mostrar-lhes as mercadorias, em ver se têm para entrega. De tal forma querem que os clientes se vão embora e desistam que, a meio de uma eventual venda de um electrodoméstico, acham muito mais importante atenderem telemóveis e falarem calmamente com o interlocutor, sobre assuntos tão importantes e urgentes como o problema de não cuidar bem dos cães, com este calor.


 


2. Recorri hoje aos serviços, publicitados na internet, de uma firma que prometia arranjos em casa e rapidamente, por profissionais qualificados. Eu precisava de um canalizador, não urgentemente mas com alguma pressa e telefonei.


 


Devo dizer que estou no Algarve e a primeira coisa que perguntei era se também asseguravam serviços em P..., ao que me responderam que sim. Expus as minhas necessidades que se resumiam a arranjar um autoclismo (que não segurava a água) e a compor 4 torneiras, que pingavam.


 


Daí a pouco telefonou-me um senhor para combinar a hora do encontro. Ia primeiro almoçar e depois passava lá por casa. Muito bem, a morada e as referências, para não se enganar, e espero pela hora marcada. O senhor, que se apelidava a si mesmo de Mestre, apareceu 50 minutos depois do combinado. Demorou 1:30h a compor o que tinha a compor, incluindo um intervalo de 10 minutos em que, alegadamente, foi comprar umas anilhas. Depois de completado o trabalho telefonou ao patrão para que ele fizesse a conta.


 


Após umas trocas de palavras, em que as 2:00h fictícias horas de trabalho tinha terminado em 1:30h avantajadas, o Mestre disse-me que o trabalho ficava na módica quantia de 90 euros e que correspondia ao serviço mínimo. Quando eu perguntei, furiosa e perplexa, quanto levavam à hora, respondeu-me naturalmente que o preço/hora era de 35 euros e que a deslocação era de 40 euros. Afirmei revoltada, mais comigo mesma por não ter perguntado os preços ao telefone, que o que me pediam era uma enormidade e que queria uma factura. Aí o preço subiu para 90 euros mais IVA. Recusei-me apagar mais de 90 euros, que era a conta que me tinha sido feita e o Mestre confabulou outra vez com o patrão. Passou-me então uma factura de 86,10 euros. A firma é de Gondomar – percebi, portanto, a razão do montante de tão custosa deslocação.


 


Não há dúvida que a crise é só para alguns.


 

Responsabilidade na oposição

 


Ao contrário do que os líderes do PSD e do CDS fizeram, quando na oposição aos governos do PS, Maria de Belém classifica a atitude da Moody's de imoralidade, ao serviço de eventuais compradores de empresas a privatizar.


 


Como todos percebem, os cortes de rating são especulação pura, agora como antes das eleições. Felizmente o PS está a fazer oposição responsável e faz coro com os partidos que governam. Talvez seja interessante comparar as palavras de quem hoje invectiva as agências de rating, com as de que, há bem pouco tempo, chamava a Sócrates mentiroso, com uma enorme compreensão para a sapiência de os mercados.


 

05 julho 2011

Partir e repartir

 


Pois, lá está, juntos é que não, que os gregos são desordeiros e trapaceiros. Ou saíam eles, ou saímos nós. Onde está a dúvida?


 

Lixo

Então as agências de rating ainda não perceberam que Portugal tem agora um governo credível, que faz cortes e que privatiza, que só diz a verdade e acaba com os subsídios, que não quer Estado mas sociedade civil? Então as agências de rating têm este comportamento indecente para tão decente governo português, que até adianta mais austeridade para agradar aos mercados?


 


Mas será que as agências de rating não sabem que Sócrates já não é Primeiro-ministro? O quê? Tanto lhes faz?

04 julho 2011

Gaivotas

 



Dot Gould: Seagulls and Still Water


 


As gaivotas ainda não pousam na areia. Só as ondas e os chapéus-de-sol arrumados, a brisa marítima que arrepia os poucos veraneantes. Este ano a praia está mais nua e mais apetecível.


 

Eu também

 



Sou bom nos sistemas mas tenho dificuldades nos polos.


[9 anos, 3º ano, 1º ciclo]


 

03 julho 2011

Suspende-se

 


As notícias espalham que se vai suspender para reavaliar o fecho de escolas com menos de 21 alunos. Mas são contraditórias porque não se percebe bem se só não fecham aquelas escolas que seriam agrupadas em novas instalações ainda não concluídas, ou se o governo resolveu andar para trás.


 


Espero bem que esta notícia não se confirme. A reorganização e a renovação do parque escolar são essenciais e as crianças das aldeias têm o direito de aprender em escolas com estabilidade de quadros de profissionais, instalações condignas, equipamentos modernos, etc. Há que racionalizar os recursos e colocá-los ao serviço de todos os cidadãos, em pé de igualdade. Há que assegurar que as crianças possam ser transportadas em segurança para as escolas, caso elas fiquem mais longínquas.


 


Espero sinceramente que, mesmo concordando com algumas das medidas anunciadas por Nuno Crato (revisão dos currículos, exames nacionais, aumento da exigência e rigor, manutenção da avaliação dos professores, exame de admissão na carreira, não utilização de máquinas de calcular nos 5º e 6º anos), aliás idênticas às preconizadas por Maria de Lurdes Rodrigues (com excepção das máquinas de calcular), este governo não ensaie um regresso ao passado. O passado pode regressar, mas não se repete. Por outro lado, os contratos com escolas privadas que o governo socialista queria terminar (e bem) mantém-se, em nome do falacioso argumento da liberdade de escolha.


 


Nas duas últimas legislaturas deram-se passos de gigante na reforma da escola pública, que ficaram aquém do que se pretendia, também por responsabilidade dos partidos agora no poder. Se Nuno Crato for favorável ao rigor e à qualidade, não quererá, seguramente, implodir o muito que se conseguiu, e que assim é avaliado por organizações internacionais.


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...