12 junho 2011

O vôo do zangão (III)

 



 Aliqua


Rimsky Korsakov

O vôo do zangão (II)

 



Itzhak Perlman

Rimsky Korsakov

 

O vôo do zangão (I)


 Malena Ernman, Martin Fröst

Niklas Sivelöv

Rimsky Korsakov

 

De olhos fechados

 



Tiago Taron: Fuga de Ideias


 


Sopros silvos sussurros


de olhos fechados brisas


por fora cantos por dentro


restolho chuva rumorejo aves


asas nuvens susto serpente sibilina


rastejar fuga de água sopra


vento beira rio erva degrau


foge corre pinga secreto


suspiro sons de ar.


 

11 junho 2011

Constituições

 


É preciso esclarecer que não tenho nada de princípio contra uma revisão da Constituição ou contra uma nova Constituição. Apenas não compreendo nem me parece aceitável que se culpe a Constituição daquilo que António Barreto acha que falhou nestes anos de democracia. Mudar, adaptar, alterar, substituir - nada é eterno. Quanto aos círculos uninominais e aos caciques partidários, pergunto-me se fenómenos semelhantes a Valentim Loureiro, Isaltino de Morais ou Fátima Felgueiras não se multiplicariam.


 

Julgamento sumário

 



 


A memória das pessoas, principalmente das pessoas públicas, é condicionada pelo que a elas convém lembrar. As cerimónias oficiais de comemoração do 10 de Junho, foram mais uma oportunidade de ouvirmos, através do discurso de António Barreto, a hora apocalíptica que vivemos.


 


António Barreto refere-se a Portugal e aos seus governantes como se de duas populações se tratasse. Portugal, o bom povo enganado, os governantes, de que ele já fez parte, a perfídia que engana o povo. A perfídia dos últimos anos de governação do PS, como ficou bem subentendido, e não a perfídia anterior, não os governantes anteriores, dos quais não se recorda.


 


António Barreto é de Portugal, mas não é português, fez política, mas não é político, fala da sintonia entre governantes e da sintonia entre o povo e os governantes, esquecendo-se que há medidas e reformas que são odiosas ao povo, que a luta política se alimenta dessa incompreensão para quebrar os adversários. É assim agora, como o foi no passado, antigo e recente.


 


António Barreto apela ao apuramento de responsabilidades, mais uma vez na senda justicialista da punição das decisões políticas. António Barreto apela à revisão da Constituição, colocando nela o ónus dos governos minoritários, da falta de reforma na justiça, da falta de confiança entre os órgãos de soberania.


 


António Barreto assume a posição do Juiz em vez de assumir as suas opções políticas. Alterar a relação entre os vários órgãos de soberania significa um regime presidencialista ou um regime parlamentarista? Alterar o sistema eleitoral significa a possibilidade da existência de círculos uninominais, de duas câmaras, ou de considerar como expressos os votos em branco?


 


O Dia de Portugal serviu, mais uma vez, para alguém nos lembrar, do alto da sua tribuna, como somos feios, porcos e maus. Sem a mais pequena centelha de espírito inovador ou motivador, lembrando as gestas do povo, do bom povo português quando bem conduzido, os egrégios avós ressuscitaram apenas para morrerem de novo, arrepiados perante este julgamento sumário, comum, injusto e, cada vez mais, tristemente inútil.


 

09 junho 2011

Reafirmação da esquerda

 



 


As eleições legislativas de 5 de Junho fecharam um ciclo político. Se quer ser o representante da esquerda moderna e democrática e protagonizar uma alternativa de poder, o PS tem que, forçosamente, olhar para si próprio, para o país, para a Europa e para o resto do mundo de uma forma crítica, reanalisando os seus valores, as suas bandeiras, os seus objectivos.


 


Para além da mudança de líder, é absolutamente necessária uma afirmação ideológica do único partido de esquerda, em Portugal, com uma verdadeira cultura democrática. Estas eleições também mostraram que o BE ruiu e que vai voltar à ínfima expressão de um grupo extremista, populista, demagógico, de protesto constante e inconsistente. O PCP mantém-se no reduto das lutas sindicais conservadoras e corporativistas, num anacronismo de frases feitas, iguais em todas as legislaturas desde a eleição do I governo constitucional, após o 25 de Abril.


 


O PS, que sempre se afirmou como um partido do centro-esquerda, tem que renovar e explicitar o que significa ser do centro-esquerda na sociedade de hoje. Na era da globalização, da precariedade e escassez de emprego, de envelhecimento e migrações populacionais, de carência energética, de desertificação do espaço interior e sobrepopulação das grandes cidades, do ressurgir de sentimentos nacionalistas, racistas e xenófobos, tudo é preciso reequacionar e encontrar novas ideias, novas soluções, novas ambições e novas causas.


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...