01 junho 2011

Portugal melhor

 


A campanha do ódio

 


Quase em jeito de balanço desta campanha chego à conclusão que o único motivo que esteve subjacente à convocação de eleições legislativas antecipadas foi não só, nem principalmente, a ambição de poder por parte da direita, mas o afastamento quase compulsivo de José Sócrates.


 


Com disse Manuela Ferreira Leite, Sócrates nem na oposição se deve manter. É preciso exterminá-lo.


 


Um dia há-de ser possível estudar cientificamente este fenómeno sociopolítico. Durante 6 anos Sócrates foi apelidado de tudo o que pior se pode imaginar, acossado e julgado na praça pública por corrupção, não tendo nenhum dos processos provado qualquer actividade ilegal. No meio da tentativa de destruição pessoal do Primeiro-ministro, vasculhou-se milímetro a milímetro a sua vida privada, os seus familiares, conhecidos, amigos e correligionários, encheu-se de lama muita gente, sempre sem se conseguir provar fosse o que fosse.


 


Desde escutas ilegais a fabricação de casos políticos, como o caso das "escutas de Belém", não houve nada a que não se recorresse para derrubar a credibilidade de José Sócrates, para delapidar a confiança nacional e internacional.


 


Já em campanha eleitoral, depois de a precipitação de eleições legislativas inúteis e desnecessárias, a única alternativa que a oposição conhece é a eliminação política de Sócrates. Pelos vistos, foi esta a verdadeira e última razão do chumbo do PEC IV - a total incapacidade dos partidos políticos e o receio das suas lideranças de lutarem e ganharem, na arena política, o protagonismo a José Sócrates. Não é ele que se julga invencível. Foram os outros que, com a sua incompetência e inabilidade o transformaram num adversário que têm medo de não vencer.


 


As pressões das corporações que mantém o Estado refém, continua, numa atmosfera de ódio e intolerância que tem marcado esta campanha.


 


Este fenómeno sociopolítico é estranho e radica em entranhados valores antidemocráticos. Sócrates governou 6 anos por escolha dos cidadãos em eleições livres e justas. As próximas eleições serão o juízo do país à sua actuação e à suas escolhas políticas. Os insultos e a intimidação diária de quem se atreve a dizer que vota PS não decidem quem deve ou não governar.


 


Outro aspecto importante destes últimos anos e desta campanha é a demissão dos jornalistas por uma informação isenta e exigente. Os jornalistas transformaram-se em actores políticos partidários. A informação livre é um dos pilares do regime democrático. Esta informação é tendenciosa, superficial, incompetente, com falta de rigor e sem o mínimo interesse de ser imparcial. Haverá excepções, obviamente, mas o panorama geral é desolador.


 


Enfim, Domingo lá estaremos, para votar.


 

29 maio 2011

Tocata e Fuga

 



J. S. Bach & Dave Mathews

 

Palcos


 


 


Seis passos de espera em palcos


fantasmas do inevitável delírio dos actores


inexistência de máscaras onde se escondem


as crateras e paraísos dos bastidores


onde invisíveis nos procuramos.


 


 

28 maio 2011

Mais perfume

 



Adriana Calcanhoto 


 


Quando reclama do meu vestido
quando se zanga porque trabalho
quando se mostra muito amoroso
quando aparece não atrasado


 


Sai para o jogo com ar distraido
e volta pra casa mais perfumado
ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Quando repara no meu cabelo
quando pergunta do meu passado
quando precisa comprar cigarro
porque acordado de um pesadelo


 


Quando sai cedo terno escovado
e volta como quem foi linchado
Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 

A uma semana das eleições

 



 


Falta uma semana para as eleições legislativas que, ao contrário do que desejaríamos, não vão alterar substancialmente a escolha efectuada a 5 de Outubro de 2009, mostrando a irresponsabilidade e a inutilidade deste acto eleitoral, provocado pela coligação negativa entre a direita e a extrema-esquerda.


 


A uma semana das eleições, o BE e o PCP colocam-se como partidos que foram, são e serão sempre adereços parlamentares, capazes de se unirem entre si e com os partidos da direita para afrontarem o PS, mas incapazes de se entenderem entre si e com o PS numa plataforma mínima que viabilize uma alternativa governativa de esquerda.


 


A uma semana das eleições o PSD, consegue a proeza de não conseguir ganhar claramente nas intenções de votos. Pela repetição cíclica da irredutibilidade de negociar um governo com o PS, se vencer as eleições o PSD só poderá ter o CDS como aliado. Entretanto vai revelando uma agenda conservadora, retrógrada e inconstante, centrada em Zelig, a sua personagem central.


 


A uma semana das eleições, o CDS está a um passo de decidir com quem governa. Caso o PS ganhe, apenas poderá contar com o CDS, a não ser que Passos Coelho se demita. Será pois o CDS a decidir se avança coligado com o PS ou, não querendo, e após o Parlamento inviabilizar um governo minoritário do PS, a impor condições a uma coligação CDS/PSD.


 


A uma semana das eleições, e perante as mudanças que se impõem, desde a educação à justiça, da saúde a trabalho, não é a opção por um estado mínimo e caritativo que poderá manter a coesão social e garantir a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, defendida pelo PSD e pelo CDS, que poderá responder às dificuldades a superar. Os governos do PS, liderados por Sócrates, foram aqueles que mais fizeram para mudar, de facto, alguma coisa, e no sentido que julgo adequado.


 


A uma semana das eleições, apesar de todos os erros do governo, do PS, de Sócrates, da campanha, etc., penso que a melhor opção para Portugal é ter um govern liderado pelo PS. A 5 de Junho vou votar, e vou votar no PS. Também faço votos para que, caso o PS não vença as eleições, José Sócrates se demita e o PS assuma as responsabilidades que melhor servirem o país - na oposição ou num governo de coligação. Porque isso é o que espero de um partido e de um líder que defendem o país.


 

Negociações

 



 


 


Ganhar ou perder faz parte da vida. Não é vergonha perder, é fugir ao combate.


 


Se [o PS] perder, deve ir para a oposição, não pode ser pau de cabeleira de um governo formado pelo PSD e pelo CDS.


 


Não gosto que digam que estão dispostos a dialogar com o PS, mas sem José Sócrates. Se o excluem a ele, excluem-me a mim, excluem cada um de vós!


 


(...) é o momento de nos unirmos pelo essencial, defender a democracia com todos os direitos políticos e sociais - o seu SNS, as suas leis laborais (...)


 


DN, citando Manuel Alegre


Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...