16 maio 2011

Frémito

 



Sayaka Kajita Ganz: Loner


 


Tento precisar o momento da desistência.


Um frémito nos lábios um recuo dos ombros


um leve cerrar de olhos que não se percebe


que não se alcança. Tento apagar


a sombra que se instala.


 


Entre a luz da certeza


o intervalo da negação.


 


 

13 maio 2011

Médicos "de segunda"

 


Mais uma vez, e infelizmente, fui precipitada ao aceitar uma notícia como verdadeira.


 


Isto tem a ver com as cartas que o Dr. Pereira Coelho, Presidente da Secção Regional do Sul da OM, escreveu à Ministra da Saúde, questionando-a sobre o facto de haver médicos, no caso colombianos, a exercerem medicina sem esterem reconhecidos pela OM, o que é ilegal.


 


Pelos vistos o Dr. Prereira Coelho não sabia que as licenciaturas desses Colegas tinham sido validadas pela Universidade do Porto. O Bastonário da OM parece que estava ao corrente. Mas agora preocupa-o, assim com à FNAM, a competência destes Médicos que não sabem receitar pílulas nem fazer citologias. Ficamos descansados com esta preocupação, mas estranhamos que seja dirigida apenas ao médicos colombianos - será que não há médicos portugueses que não sabem fazer citologias? Como está a OM, ou a FNAM, a avaliar os Colegas? Quem lhes pediu para que os avaliassem? É habitual haver auditorias à competência técnica dos médicos?


 


Tanto quanto sei, para que médicos estrangeiros possam exercer Medicina em Portugal, têm que ver a respectiva licenciatura validada por uma Universidade portuguesa e a especialidade avaliada por um júri, nomeado pelo respectivo Colégio de Especialidade. Caso o curriculo seja julgado insuficiente, o médico pode exercer medicina e fazer a especialidade on job, ou seja, com um Tutor, até fazer o currículo apropriado para o poderem considerar Especialista.


 


Este coro de vozes da OM e da FNAM apenas dão razão a quem pensa que a verdadeira razão de tanta preocupação se prende mais com xenofobia ou medo da concorrência, do que com a qualidade da medicina praticada.


 

11 maio 2011

Juros europeus

 


Não deixa de ser extraordinário a União Europeia cobrar juros bastante mais altos do que o FMI. Esta é uma boa imagem da União e da Solidariedade da Europa.


 


Haja ao menos alguém que se pronuncie contra e que proteste.


 


Nota: Vale a pena ler A. Teixeira.


 

Objectos

 



Gerry Judah 


 


Dando as voltas imóveis dos objectos


que me guardam a memória, envio sinais


irrequietos para o medo. Entre os dentes


nem cigarros nem sorrisos. Está tudo


em pequenos cilindros instantâneos


que se aquecem sem acelerador.


 

Coligações

 


Estão todos muito preocupados com a solidão de Sócrates e com a aparente impossibilidade de se fazerem coligações pós eleitorais com o PS, caso José Sócrates ganhe as eleições.


 


Mas numa coisa eu estou de acordo com Ricardo Costa. Qualquer dos líderes do PS ou PSD que perca as eleições, demitir-se-á. Também estou convencida disso e espero que isso seja verdade.


 

Debates

 


Não tenho assistido aos debates entre os líderes dos vários partidos, com excepção de um pequeno fragmento do debate entre Paulo Portas e José Sócrates e entre Francisco Louçã e José Sócrates.


 


Mas tudo o que tenho lido e ouvido, agora mesmo na SIC, nos ensina e explica que Sócrates perde com todos. Ricardo Costa demonstra a péssima escolha de Sócrates que, no fim deste debate, falou para o eleitorado do PSD e não para o eleitorado do BE, que ele deveria ter tentado seduzir.


 


O fragmento que ouvi do debate entre Louçã e Sócrates foi aquele em que Louçã disse, sem ambiguidades, honra lhe seja feita, que nunca faria parte de um governo cumprisse o acordo com a Troika, colocando-se imediata e irremediavelmente de fora de qualquer voto de alguém que, minimamente, use estes debates para decidir o seu voto. O BE está, ele próprio a afastar os seus eleitores.


 


Entretanto, não posso já ouvir Sócrates falar do pedido que fez a todos os partidos para se coligarem com ele, em 2009. A quem quer ele enganar? Mas será que alguém acredita que não importa qual o partido com se se fazem alianças, ou que Sócrates alguma vez tinha em mente fazer alianças com algum partido?


 

Placa giratória

 



David Annand: perspectives 


 


Arrasto os pneus pela calçada


adentro a força centrípeta do ímpeto


em placa giratória para o mundo.


 


Arrasto os dedos pelo teclado


adentro a culpa centrífuga do músculo


instante obrigatório do segundo.


 


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...