06 maio 2011

Um homem honrado

 



 


Teixeira dos Santos foi ontem entrevistado por um rude e duro José Rodrigues dos Santos. E muito bem. É exactamente esse o papel dos entrevistadores. Penso que pela postura, pela extrema lealdade e elegância com que foi respondendo, mesmo às perguntas sobre a sua relação com Sócrates, Teixeira dos Santos mostrou a sua honradez, seriedade e espírito de missão e de dedicação à causa pública. O país em geral e Sócrates em particular têm muito a dever-lhe.


 


Por outro lado, é cada vez mais patente a solidão que rodeia o líder do PS, ao ver afastarem-se, sejam quais forem os motivos, os verdadeiros artífices do que de bom foi feito por estes dois últimos governos. Isso é muito preocupante até porque, nos tempos difíceis que aí vêm, não é qualquer um que aceita os desafios da impopularidade. Talvez não fosse má ideia José Sócrates pegar no espelho em que nós nos devemos estudar, e se pergunte quais as características da sua liderança que estão a causar esta lenta, mas inexorável aridez. Seria certamente instrutivo e seguramente saudável.


 

Fabricação de notícias

 



 


Não tenho tido muita disponibilidade para assistir aos vários debates e programas que têm surgido após o acordo celebrado entre a Troika e o governo.


 


Por isso não sei se já se formaram vários grupos de estudo, se já se fizeram vários inquéritos internos e externos, se já se cruzaram argumentos e se denunciaram propósitos, obscuros ou claros, em relação ao que se passou com a comunicação social nos dias anteriores ao acordo.


 


As manchetes, as informações, as previsões, os estudos, as certezas e as sentenças que se escreveram, disseram e assumiram deveriam gerar, de imediato e com a emergência que se impõe, numerosos grupos de trabalho que dissecassem e iluminassem os incautos cidadãos sobre os bastidores da fabricação de notícias.


 

04 maio 2011

"Musikalisches Opfer" BWV 1079


J. S. Bach


Swingle Singers & Modern Jazz Quartet


 

Das notas que tomamos (5)


Um dia passado, às voltas com as notícias que vão saindo nos jornais online, no rádio e na televisão, algumas notas vou tomando:


 





      • Pudemos perceber que, ao longo do último mês, pelo menos, os jornais serviram de veículo de propaganda e de desinformação, alarmando continuamente a população, tudo fazendo para que a avaliação que fizéssemos do governo fosse aquela que os partidos de direita e de extrema esquerda, em união perfeita, uns por um lado outros pelo outro, queriam.

      • À parte uma nota final no editorial de Pedro Santos Guerreiro, não me apercebi de qualquer tentativa de justificação da parte dos media de tanta incompetência. A não ser que não seja incompetência, que seja mesmo luta política, da mais baixa.

      • As medidas que se vão conhecendo são, tanto quanto me apercebi, as que estavam previstas no PEC 4, com algumas outras alterações ou especificações, nomeadamente na redução da despesa do estado, privatizações, etc.

      • De facto a sensação que fica, mais uma vez e com mais sustentação, é que o PSD precipitou a queda do governo para evitar que Sócrates conseguisse evitar a intervenção externa e, apesar de tudo, pudesse aguentar-se este ano, com a eventual ajuda da União Europeia, e ultrapassar a pressão d'Os Mercados.

      • Ficámos com a certeza de que o PSD precipitou a demissão do governo negando apoio ao último PEC, primeiro porque era muito duro, depois porque era pouco duro, para agora vir a apoiá-lo, ensaiando uma distância e uma soberba ridículas, descredibilizando-se totalmente, se ainda tinha algum crédito de sobra.




Sócrates conseguiu ganhar mais esta batalha. Vamos a eleições sem qualquer razão, perdemos um mês sem qualquer préstimo, mostrámos internacionalmente uma imagem de doidos e oportunistas, cavámos mais fundo o insuportável fosso entre eleitores e eleitos.


 


Cada vez mais se configura a repetição do quadro parlamentar anterior, com a vitória do PS nas próximas eleições. E ainda bem, porque este PSD demonstrou bem qual a importância que dá ao país. Tudo vale, mas mesmo tudo, para alcançar o poder.


 

03 maio 2011

Vitória de Obama

 



 


morte de Osama Bin Laden foi uma vitória da Administração Obama e uma vitória da luta contra o terrorismo. Simbolicamente, foi a neutralização do mais importante inimigo dos Estados Unidos, com quem os EUA estavam em guerra há décadas.


 


É claro que teria sido preferível que Osama Bin Laden tivesse sido capturado, julgado e condenado em tribunal. Mas a realidade não se compadece, em muitas situações, com o que deveria ser.


 


O terrorismo não acabou, obviamente. Mas, e mais uma vez simbolica e politicamente, sofreu um rude golpe.


 

Propagandas

 



 


A comunicação ao país do Primeiro-ministro demissionário, acompanhado de um demissionário Ministro de Estado e das Finanças com uma postura fechada, desaprovadora da sua própria presença, foi apenas uma peça de propaganda eleitoral.


 


Não ficámos a saber nada de concreto sobre as medidas que terão ficado acordadas com a Troika. A única preocupação de José Sócrates foi desmentir aquilo que foi sendo avançado pelos media como certezas de austeridade. Desmentiu o desaparecimento dos 13º e 14º meses, inclusivamente a hipótese de serem pagos em títulos de poupança, desmentiu cortes em salários e em pensões, desmentiu mais medidas orçamentais para além das do PEC 4, desmentiu o aumento da idade da reforma, desmentiu a necessidade de alterações constitucionais por causa de alterações das leis laborais, SNS e escola pública.


 


Não ficámos a saber rigorosamente nada do que vai acontecer.


 


A comunicação de Eduardo Catroga, também uma peça de propaganda, não lhe correu muito bem. Como não tinha nada para dizer, visto que nada se sabia, Eduardo Catroga insinuou que as medidas desconhecidas iriam ser muito piores que as do PEC 4, que já nunca teria chegado, mas muito melhores do que seriam sem a contribuição do PSD. O que é mais uma contradição e também não se compreende, pois o PSD não aprovou o PEC 4, pelas razões mutuamente exclusivas de serem muito e pouco duras.


 


A comunicação de Francisco Louçã foi irrelevante, para não variar, assim como a de Carvalho da Silva. A de Assunção Cristas foi a mais normal e cautelosa.


 


Continuamos a aguardar, portanto. Para já, Sócrates saiu-se melhor neste acto de campanha eleitoral.


 


Nota: 78 mil milhões de euros.


 


 

02 maio 2011

Sociedades


 


Não percam este livro e, já agora, o lançamento:


de Porfírio Silva - Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...