24 abril 2011

Farófias e bel-canto

 



 


As farófias tomam conta da vida política. Por um lado, ficamos mais leves e mais doces. Tal como as farófias, as ideias derretem-se e é como se nunca tivessem existido. Ocupam o lugar do ar batido entre as claras, fofas, leves, como espuma.


 


Ao lado das farófias só o canto, o bel-canto, para ser mais precisa, a voz funda e vibrante, a postura da boca e das cordas vocais, os olhos que sonham o horizonte, enquanto o som treinado de uma laringe educada se faz ouvir aos ouvidos das gentes simples. Lá lá lá lá lá lá…


 


Ao lado das farófias e do bel-canto soa a família, a que se tem e a que se queria ter, os filhos, os cães, os periquitos, as tartarugas, os beijos, as mãos dadas, o eu amo-o profundamente, o ser brincalhão, os romances e os pastéis de nata.


 


E assim vamos nós, das farófias para o bel-canto, da mensagem pascal para as cadelas, do cor-de-rosa para o cor-de-laranja, do que não interessa nada para o que não tem interesse nenhum.


 

Inclinação

 

Cheryl H. Hahn: Incline

 


A tarde com as mãos na terra


ervas e aromas acalmam o dia.


Lá fora os ruídos do mundo sem chão


e as palavras sem rega nem regras


sem perdão.


 

Música Pascal


Take the A train


Michel Petrucciani


Steve Gadd


Anthony Jackson


 

Cabrito Pascal

 



(fotos da internet)


 


A melhor das receitas é mesmo a que é improvisada… e sai bem.


 


O meio cabrito que hoje assámos ficou divinal, como é próprio de um almoço pascal. Foi comparado num hipermercado, não sei qual, já partido a preceito e bem embalado, ficou a marinar desde 5ª feira em várias ervas aromáticas – tomilho, rosmaninho, louro, vinho, sal e xarope do ácer. Bem acamado do tabuleiro do forno, em lume muito brando, demorou cerca de 1:30h a cozinhar. À parte cozeram batatas pequenas, com casca que, depois de peladas, mergulharam no molho do cabrito para tomar gosto. Acompanhado de esparregado e Chateauneuf du Pape, tinto, sacrificámos o cabrito resignada e gostosamente.


 


A outra experiência também não correu mal, mas precisa aperfeiçoamento.


 


É uma tarte. Como despachada matrona que sou, isto de fazer massas quebradas, areadas ou folhadas não é comigo. Há umas maravilhosas no Pingo-Doce que é só esticar nas formas e/ou tabuleiros e colocar a assar no forno. No entanto, quando as ditas massas quebradas quebram mesmo por ficarem esturricadas, negras, totalmente impróprias para consumo, a internet é um excelente auxílio para nos livrar de embaraços. E assim resolvi seguir as indicações de algumas almas caridosas, fazendo uma pasta de tarte com bolachas moídas (250g). A receita aponta para bolachas Maria mas como não as tinha em casa, usei uns borrachões que me tinham dado, bem moídos no copo misturador. Depois juntei 150g de margarina derretida (no microondas), 2 colheres de chá de açúcar e sumo de meia laranja. Tudo muito bem homogeneizado, espalhado na forma de tarte, no frigorífico durante 2 horas.


 


Para o recheio usei uma receita de doce que me ensinaram há muito pouco tempo e que é rapidíssima e facílima de fazer: mistura-se 1 lata de leite condensado com 1 pacote de natas e sumo de 3 limões. Já está. Coloquei o recheio na forma já forrada com a pasta de bolacha e frigorífico com ela. Antes de servir coloquei em cima doce de morango que fiz há uns dias.


 


Ficou maravilhosa, com o ligeiro problema do recheio ser um pouco líquido de mais. Por isso ainda precisa de algum trabalho de remodelação.


 


Enfim, um belo repasto de Domingo de Páscoa.

Imagem de Páscoa


Ilha de Páscoa

22 abril 2011

Quase lá...

Triturado

 



 


Fernando Teixeira dos Santos é mais um dos que são triturados pela política. Apesar do coro que, agora, põe nas mãos dele a iminente bancarrota do país, ele foi um dos responsáveis por muitos votos favoráveis ao PS, nas últimas eleições. Foi um dos ministros das finanças mais competentes e voluntariosos que tivemos. Tentou opor-se a Alberto João Jardim a propósito da lei das finanças regionais. Segurou o governo e Sócrates em várias circunstâncias.


 


Não tenho dúvidas que cometeu grandes erros, talvez o maior tenha sido a sua dedicação ao país e a sua lealdade ao Primeiro-ministro. Como é hábito passou de bestial a besta em pouco tempo. Neste momento o PS faz de conta que ele não existe e relegou-o ao anonimato e à transparência. Dura recompensa para quem tanto deu. Para quem foi segundo na lista de candidatos a deputados pelo círculo do Porto em 2009, nem sequer foi considerada a sua inclusão nas listas de deputados para estas eleições legislativas. Servir a causa pública não é compensador, a não ser para as consciências de quem o faz.


 

Conversas matinais

Deitada no sofá, obedecendo ao seu pedido, sinto as mãozinhas pequenas em festas, nos meus pés.      - Estou a pôr creme à vovó (carinha so...