Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Ontem, quando estacionei o carro em Lisboa e me aproximei da caixa para adquirir o ticket de parqueamento, ouvi umas buzinadelas e uns gritos de Hei! Senhora!
Virei-me espantada, sem perceber muito bem se o chamamento me era dirigido. Dentro de um carro muito velho, um homem dizia-me que não tirasse o ticket, porque o dele ainda dava para mais 1:15h. Aproveite! Quase não tive tempo de agradecer.
Aproveitei. Alguns pequenos gestos devolvem-nos, ainda que momentaneamente, a fé na verdadeira generosidade.
Manhã no Porto, sem destino nem rumo. Deambulando pela Praça Carlos Alberto e pelas ruas à volta.
Entro no Café Progresso, com a penumbra dos cafés a sério, das tertúlias, dos habituais cafés com jornais, pastelinhos a acompanhar, vida a meio ou a escorrer para tantos olhos pensativos sobre as mesas.
Um aviso aos novatos - provem o café de saco, o verdadeiro, à portuguesa. E eu provei. Café que cheira a sem tempo, com letras e com poemas, café demorado nas palavras, no sabor de não ter compromissos.
Manhã no Porto, sem destino nem rumo. Entro na Poetria, pequena, cheia de gente secreta que aqui encontra o seu lugar.
Addis: North Wind and South Wind
E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.
E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.
Tiago Taron: soprado 3
Vidros algas qualquer coisa de neve
qualquer coisa de espelho
qualquer coisa de leve.
Febre gelo qualquer coisa que corre
qualquer coisa de velho
qualquer coisa que morre.
Tiago Taron: a preto e branco
Não são precisos os teus passos
nesta estrada que constróis.
Mas a areia que se acumula no caminho das horas
que transportas e nas plantas que percorres
erguem fragmentos de vida que de ti esperam
um sinal.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...