22 janeiro 2011

Meditando


Addis: North Wind and South Wind


 


E aqui estamos nós no meio de um sábado glorioso a matar horas para chegar o dia de amanhã. Como não podemos falar no assunto, podemos pensar, olhar, rir e suspirar pela enorme e monumental realidade que cairá nas nossas cabeças. Na realidade ela já caiu, mas é sempre bom pensar que poderemos ser salvos por algum desígnio divino ou terreno, no último segundo do último minuto, que na penumbra cósmica as forças se congregam e tudo tende ao momento zen.


 


E aqui estamos nós, preguiçosamente meditando no que já está muito meditado.


 


21 janeiro 2011

Qualquer coisa

 



 Tiago Taron: soprado 3


 


Vidros algas qualquer coisa de neve


qualquer coisa de espelho


qualquer coisa de leve.


 


Febre gelo qualquer coisa que corre


qualquer coisa de velho


qualquer coisa que morre.


Sinal

 



Tiago Taron: a preto e branco


 


Não são precisos os teus passos


nesta estrada que constróis.


Mas a areia que se acumula no caminho das horas


que transportas e nas plantas que percorres


erguem fragmentos de vida que de ti esperam


um sinal.


 

Cumes


Tiago Taron: soprado


 


Verdes sumos


dormentes lumes


sementes húmus


repentes cumes


pendentes


carentes


rumos.


 

Votar no Domingo


  


Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.


 


Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa.


 


Cavaco Silva


 


Custa a acreditar que o actual Presidente da República e candidato à reeleição use estes argumentos para cativar os eleitores. Para Cavaco Silva os custos da democracia podem ser evitados.


 


Amanhã é dia de meditação e de contenção, um silêncio tornado ainda mais necessário para tentar acalmar a triste campanha a que assistimos, desde o BPN/SLN às ameaças de morte, à defesa dos animais e à candidatura de um colectivo partidário, tudo tem contribuído para dar a razão a quem reitera que não vale a pena votar.


 


Não concordo, nem nunca concordei, com boicotes eleitorais. A ausência de votos na região de Coimbra em protesto por causa do Metro parece-me totalmente deslocado, sem qualquer consequência. Nem a visibilidade da notícia fará qualquer diferença, enquanto que a demissão do acto eleitoral tem consequências directas nos próximos 5 anos.


 


A falta de poderes presidenciais é outro dos argumentos que sustentam a abstenção. No entanto, mesmo que sejam poucos, esses poderes podem ser cruciais e para os exercer é bom que o Presidente, mandatado pelo povo, esteja à altura de quaisquer circunstâncias.


 


O Presidente é também uma figura simbólica e de referência. Cavaco Silva é o símbolo do que passou, de um Portugal atrasado, pequenino, comezinho. O Portugal da minha senhora, do tenho que a sustentar, das manobras de bastidores, da manipulação dos media, da desonesta criação de factos políticos. Cavaco Silva é alguém que demonstrou que não é confiável.


 


É claro que só podemos escolher alguém de entre os que se apresentam para ser escolhidos. É nosso direito e nosso dever participarmos nessa escolha, nesse afirmar colectivo do que queremos ser.


 


Por isso no Domingo irei votar. Não me revejo em nenhum dos candidatos, mas ainda me revejo menos no candidato Cavaco Silva. No Domingo irei votar para que haja uma 2ª volta, para que seja possível derrotar Cavaco Silva.


16 janeiro 2011

Investigação Científica


 


Nos últimos dois dias decorreu, na Fundação Champalimaud, o 2011 Champalimaud Cancer Research Symposium, em homenagem trabalho de Judah Folkman, organizado por James Watson (foi quem, juntamente com Francis Crick, descobriu a estrutura da molécula de DNA) e Raghu Kalluri.


 


Foi um acontecimento científico do mais alto nível. Estiveram presentes cientistas cujo trabalho se tem centrado em perceber os mecanismos do microambiente tumoral, mais precisamente da angiogénese, com o objectivo de desenvolver terapêuticas que impeçam o fenómeno da mestastização.


 


Apesar da simplicidade dos palestrantes, do entusiasmo dos interlocutores e das perguntas dos participantes, não pude deixar de me aperceber, com alguma angústia e muita humildade, a enorme quantidade de descobertas que diariamente são feitas, a perseverança e persistência dos cientistas, o quanto não sei e gostaria de saber.


 


No meio da transcrição genética, dos supressores dos factores de crescimento vascular, dos indutores da hipoxia e da diferenciação celular, reverente e esperançosa como numa catedral, senti um imenso orgulho por poder assistir a este meeting, num auditório belíssimo, repleto de gente nova e faminta de novidades.


 

13 janeiro 2011

Um dia como os outros (79)

 Carlos Castro não me era indiferente. Pelo contrário, personalizava muitas coisas de que não gosto e que se tornaram muito populares (a histeria mundana; a vulgaridade mediática e a coscuvilhice de sarjeta promovida a jornalismo). Mas o modo condescendente como tem sido tratado o seu bárbaro assassinato, com reflexo nos media e nesse esgoto a céu aberto que são as caixas de comentários e os diversos fóruns, é um fiel retrato do país. (...)


 


Pedro Adão e Silva


 


 


Na mesma semana em que foi assassinado um cronista social faleceu um capitão de Abril, ao primeiro a comunicação social dedica horas, ao segundo dedicou minutos, para o primeiro são ouvidas dezenas de “personalidades”, do segundo nada se diz, do primeiro até temos de saber por onde vão ser distribuídas as cinzas, do segundo soube-se que o corpo esteve algures em câmara ardente, do primeiro traça-se um perfil de grande lutador pelas liberdades, do segundo pouco mais se diz que era um oficial na reserva. (...)


 


Jumento


Quebradiço

A voz do mar na boca O gume afiado do horizonte Na curva infinita do esquecimento   Reconheço nos ossos A aridez da vontade Queb...