15 outubro 2010

Um dia como os outros (71)

 



(...) Trata-se, afinal, de um partido que não se inibe de venerar publicamente um autor de crimes contra a humanidade que ombreia com Hitler - sim, o "genial pai dos povos" Estaline; cujos dirigentes consideram a monstruosa monarquia da Coreia do Norte "opção do povo", quiçá uma democracia; que defende a greve geral por cá a propósito do corte de salários no sector público e o despedimento de um milhão de funcionários públicos na ditatorial e oligárquica Cuba; que protesta, em comunicado oficial, contra a atribuição do Nobel a Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão por delito de opinião na China do capitalismo selvagem de partido único, da depredação ambiental e do recorde mundial das execuções capitais. (...)


 


Fernanda Câncio

13 outubro 2010

Haiti






 



Caetano Veloso & Gilberto Gil






Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Somos todos chilenos


O resgate


 


Nota: Título roubado (sem saber) à Câmara Corporativa.

10 outubro 2010

10.10.10


 


Ana Vidigal


 

A divisão do país

 


Uma pequena parte do país entretém-se a predizer horrores caso o OE para 2011 não passe na Assembleia da República. De tal forma que há quem peça encarecidamente ao PSD para se abster, mesmo que odeie o OE, mas por imperativo patriótico, nacional, responsabilidade política e, último e indispensável argumento, para acalmar Os Mercados.


 


A outra grande parte do país não percebe o que são Os Mercados, a razão de continuarem nervosos, apesar de todos os prometidos cortes salariais, do incontornável aumento de impostos, da propagandeada redução da despesa pública à custa dos parasitas do país - os funcionários públicos. Suspeito mesmo que essa grande parte do país pense que nada acalmará os irascíveis Mercados, visto que têm um humor mais negro que os ferozes deuses do Olimpo.


 


Essa grande parte do país também não entende muito bem porque é que, no início da crise de 2008 e durante o ano de 2009, a Europa se penalizou e penitenciou pela falta de regulação dos ditos Mercados, pela selvajaria do capitalismo, pelo esquecimento do estado social, sugerindo uma intervenção do Estado na banca, no investimento, nas empresas, no incentivo ao emprego e no apoio aos desempregados, para depois, num volte-face mais ou menos abrupto para o que existia antes da crise, se encarnice agora contra os défices públicos, que aumentaram astronomicamente nos anos anteriores.


 


Essa grande parte do país apenas se interroga: quando vamos receber menos - neste ou no próximo ano? Quando aumenta o IVA para 23% - neste ou no próximo ano? Vamos manter o 13º mês? E no próximo ano, ainda existirá? Quando vou conseguir emprego? E se perco o emprego? E se adoeço? E se não consigo pagar a renda? Essa grande parte do país olha para os dias que passam com aflição e medo. O medo que está a ser uma constante nestes tempos modernos: a criminalidade, o terrorismo, o desemprego, a crise, a bancarrota, o FMI.


 


Essa grande parte do país que votou maioritariamente à esquerda não entende porque é que a esquerda não apoia o governo, como também não entende que o governo não se apoie na esquerda. Não entende que o PSD queira acalmar Os Mercados mas tudo faça para que, fora de Portugal, olhem para nós com a sensação de que a elite política gosta de brincar com o fogo.


 


Se o PSD quer derrubar o governo que o faça e assuma as suas responsabilidades. Se o governa acha assim tão indispensável que o OE seja aprovado, que faça as negociações necessárias, no Parlamento, para encontrar um compromisso com que seja possível não desvirtuar a sua política. Mesmo que, como essa grande parte do país desconfia, não haja grandes diferenças nas práticas dos partidos políticos, tendo em vista as orientações a que nos obrigámos a obedecer.


 


Entretanto a grande parte do país assustada, assiste impotente e incrédula, aguarda que a democracia cumpra o seu papel e que os representantes que elegeu façam o seu trabalho sem se queixarem.


 


Nota: É bom que esclareça que, quando me refiro à pouca diferença nas práticas dos partidos políticos, refiro-me ao PS e ao PSD. O BE e o PCP não apresentam alternativas credíveis. Aliás, penso que a governação é demasiado para os seus horizontes de partidos da contestação, barricando-se continuamente no passado, mais próximo ou mais afastado, sem qualquer respeito pelas escolhas e decisões eleitorais.


 

07 outubro 2010

Pelo pluralismo no debate televisivo.

 


Vale a pena assinar esta petição. Mas, como diz a Maria do Sol, o pluralismo deveria tocar outras áreas que não apenas a económica.


 


(...) De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica. (...)


 


Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico


 

05 outubro 2010

Educação e ciência

 


A inauguração de 100 escolas e do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud parecem-me uma forma apropriada e condigan de comemorar o Centenário da Implantação da República.


 


Leonor Beleza, de quem discordei muito de medidas que tomou enquanto Ministra da Saúde (não esquecer que a ela se deve o início da acentuada redução de vagas para os cursos de Medicina, a tentativa de acabar com a remuneração no Internato Geral - agora Ano Comum do Internato), teve uma visão e uma política de saúde que, em muitos pontos, nomeadamente na necessidade de incentivar a exclusividade de funções no sector público, foi mais socialista do que ministros de governos socialistas. 


 


Neste momento, e por mérito próprio, está à frente de um projecto que prestigia o país e que contribuirá, certamente, para uma melhor compreensão dos mecanismos da doença oncológica e seu tratamento.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...