11 agosto 2010

Meu caro amigo









Chico Buarque


 


Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita


 


Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


 


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta


 


Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão


 


Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades


 


Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


 


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta


 


É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão


 


Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa


 


Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


 


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta


 


Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão


 


Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco


 


Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol


 


Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta


 


A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

10 agosto 2010

Branco


Marlous Borm: sem título


 


Dias brancos tórridos


brancos como a cegueira de luz


tanta luz. O ar parado como o raciocínio


imóvel a surda incapacidade de compreender.


Não se notam os contornos dos sentidos


não se sentem as agulhas da tristeza.


O ar parado insuspeito de vida.


Presa do branco


de fios inúteis brancos espessos


de uma teia infinita.

09 agosto 2010

Extremamente alto e incrivelmente perto


 


Oskar procura um cofre, procura o pai por toda a cidade de Nova Iorque, tentando calar a dor da ausência provocada pela morte deste no atentado às Twin Towers do World Trade Centre.


 


Oskar inventa ininterruptamente quando sente as botas pesadas, quando sabe que vai demorar muitas horas a adormecer, angustia-se com a hipótese de novos atentados e com o pânico, tenta equilibrar-se num mundo que se desequilibrou no momento em que os aviões embateram no betão, o fumo, o ruído, os gritos e a ausência, até de um corpo num caixão.


 


Jonathan Safran Foer escreve um livro deliciosamente triste, cheio de nódoas negras no corpo e na alma, atravessando os bombardeamentos de Dresden e de Hiroxima na 2ª Guerra Mundial e o atentado de 11 de Setembro nos EUA.


 


Um livro brilhante e comovente - Extremamente alto e incrivelmente perto - de nós.

A Justiça e o Supremo Magistrado da Nação

O caso Freeport continua a expor a indesmentível politização da justiça. Demonstrando uma inequívoca falta de princípios e embarcando no perigo que é a destruição do estado de direito, os líderes dos partidos políticos, em vez de se demarcarem das múltiplas tentativas de substituição ilegítima dos poderes legalmente exercidos, resultantes dos órgãos representativos consagrados na Constituição, aproveitam o que podem considerar uma vantagem na luta política. Não percebem que será uma vantagem de muito curto prazo e que esta situação é ideal para o germinar de projectos ditatoriais.


 


Tão ou mais grave que a promiscuidade entre a justiça e a política, caucionada pelos líderes partidários, está o silêncio do titular e dos candidatos ao cargo de Presidente da República. A justiça é um dos pilares do regime democrático. Parece-me tristemente significativo que nenhum dos candidatos tenha considerado este assunto merecedor da sua atenção.


 


Nota: ler Helena Garrido em Pior é possível.

08 agosto 2010

Wish you were here









Pink Floyd


 


 


So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...