22 junho 2010

Sem destinatário


Jose Parla: Calligraphic Paintings


 


Pelo fundo do que somos restam árvores decepadas. Comemos vagarosamente como se o pensamento nos viesse da filosofia engolida em dias de esmero. Amamos distraidamente sacudindo vestígios da entrega daquele despudor do sentir sem regras nem tempo de suspensão real. Nada como a realidade da percepção que temos da vida sonhada ou vivida. Nossa vida pobre de carne desse calor de gozo dessa quentura de beijo de dor de tanto se gostar.


 


Pelo fundo somos restos mãos pedras livros ou cartas secretas sem destinatário.

Inexistência



Ramos quebrados raízes fundas tudo


arranquei e juntei e cavei buracos


individuais indefesos numa cerca levantada


em muro.


 


Rodeiam-me as sombras geladas das raízes sem vida


com que fui ganhando a minha própria


inexistência.

18 junho 2010

Saramago


José Saramago foi um escritor de excepção, tanto quanto conseguimos, dentro das nossas limitações, incongruências e ignorâncias, avaliar a genialidade na literatura. Não só escrevia excepcionalmente bem como escrevia sobre temas relevantes e compunha personagens inesquecíveis.


 


O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), o livro de todas as polémicas, é dos melhores livros que lhe li. Há muitos escritores de língua portuguesa que mereceriam o prémio Nobel, mas isso não retira valor a Saramago. A inclusão dos seus textos nos livros escolares e o estudo da sua obra é natural. O facto de terem deixado de fora outros escritores não o responsabiliza e não o deslustra, tal como não deslustra quem foi esquecido. Apenas demonstra o pouco cuidado de quem participa na elaboração dos currículos escolares.


 


A obra de José Saramago internacionalizou-se e globalizou-se, fazendo muito mais pela língua portuguesa do que décadas de diplomatas encartados.


 


Como homem político, a outra faceta que conheci de Saramago, não podia estar mais em desacordo, sendo-me antipática a sua figura e o que ela representava, a sua ideologia, a sua vaidade e a sua arrogante certeza de ser detentor da verdade. Mas não é preciso admirar o homem para admirar a sua obra. E a sua foi e é admirável.

16 junho 2010

Náusea

 


Há alturas em que, mais do que o bom senso que nos aconselha a não dar atenção a vermes, está a impotência de quem se vê enxovalhado por manifestar livremente as suas opiniões. Neste momento a publicação de correspondência privada passou a ser aplaudida como um acto de limpeza moral da corrupção suspeitada de tudo e de todos. A blogosfera rejubila com a maledicência e as tentativas de assassinato de carácter de todos quantos se aproximaram ou aproximam das posições do PS ou do governo, alimentando-se da ignomínia duma criatura desprezível.


 


 


A noção que tenho de que é inútil protestar é claríssima. Mas não deixo de dizer, quando o estômago já não suporta tanta náusea, que a calúnia é a arma dos fracos e dos cobardes e que subscrevo a indignação do Eduardo, do Valupi e dos que se incomodam com os inacreditáveis enredos da delirante personagem.

14 junho 2010

Nem pensem que me enganam


Então e o Quenervos não era o Eprecisoetercalma que comentava os posts do Estoucheiodecalma no blogue daquele grupo de apoio ao... hummm... aaa... Primeiro?


 


E não era também primo do tio da cunhada da ex-mulher da namorada do sobrinho do fundador do masqueascoqueistoe.belogue.come, onde se comentavam uns aos outros e usavam aqueles documentos e emails sigilosamente guardados como SPAM?


 


A verdade é que nunca vi o Quenervos mas tenho a certeza de que o Estoucheiodecalma era nada mais nada menos que Porestaequeeunaoesperava, aquela estranha criatura com gostos pouco recomendáveis, e que foi convidada pelo jornalista vendido ao companheiro que tinha sido comprado pela promessa do convite da assessora daquele cargo importantíssimo de abrir a porta ao secretário do ajudante do nosso, aaaa... hummmm... Chefe.


 


Mas posso provar, até porque guardei os guardanapos lambuzados onde estava escrevinhado o plano para comprar a casa do pai do contínuo do prédio ao lado da rua onde passava o....esse mesmo, que alguém me aliciou para despejar o caixote do lixo do blogue masqueascoqueistoe.belogue.come. Mas eu preveni-me e fechei o blogue. Mas gravei os comentários e sei que o Aiquenojo também assina Estoufartadisto e ainda como Estatudodoido.


 


Mas eu guardei. Tudo. Depois apaguei. Tudo. Nem pensem que me enganam.


 


(Quem avisa amigo é)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...