10 abril 2010

Procura-se um Presidente

Manuel Alegre esteve os últimos anos a aproximar-se do BE, criticando duramente a indispensável reforma dos serviços de urgência, usando-a como bandeira para atacar o governo, colando a defesa do SNS à manutenção do status quo. A demissão de Correia de Campos parou o ímpeto reformista do governo, nesta e noutras áreas, tendo-se assistido a uma falsa acalmia, com os problemas na saúde a agudizarem-se pela falta de definições, pela tentativa de não criar constrangimentos nas classes profissionais e para não abrir espaço à oposição mediática.


 


No entanto Manuel Alegre, na questão de Valença, que é o reacender da apropriação partidária populista na suposta defesa do SNS, resolveu focar o problema na questão da forma de protesto e não no abandono da obrigatoriedade de assistência nocturna ao povo.


 


Porfírio Silva defende que deveria haver uma luta franca à esquerda, com o aparecimento de um candidato, ou mais, que possa clarificar o político.Seria interessante, mas a verdade é que não se nota vontade de qualquer outra figura da área do centro-esquerda disponível para aceitar esse desafio. Fernando Nobre aí está, tendo já causado algum mal-estar no BE, mas o PS ainda não se revê em qualquer destes dois candidatos.

Um dia como os outros (50)

 



(...) Não se percebe para que querem os juízes e os magistrados do Ministério Público um sindicato. Os magistrados não são simplesmente funcionários públicos. Não são simplesmente trabalhadores. São um órgão de soberania. São uma componente essencial da separação de poderes numa democracia avançada. Um sindicato de juízes é tão aberrante como o seria um sindicato de deputados. Não faz qualquer sentido. E, bem vistas as coisas, só serve para trivializar a própria justiça. (...) Estes sindicatos raramente tratam da componente laboral da justiça. São sobretudo instrumentos de intervenção política ativa. (...)


 

A inevitabilidade

A crise. A maior crise desde a grande depressão. A crise dos mercados desregulados. A crise do capitalismo selvagem. A crise dos lucros rápidos e efémeros. A crise bolsista dos especuladores e dos gestores com remunerações milionárias, prémios de produtividade e prémios de despedimento.


 


O mundo tremeu, como é hábito uns mais do que os outros. Principalmente se falarmos dos mundos individuais. Cada vez mais mundo a tremer muito, cada vez menos a não tremer de todo. Os anos de 2008 e de 2009 foram anos de grandes declarações de rotura com o estabelecido, do renascimento do estado como ideia de apoio aos cidadãos, como garante da dignidade e da redistribuição justa. O desemprego alastrou mais do que as boas intenções e as boas palavras.


 


Mas já estamos em 2010. A banca está de boa saúde. Os mercados recuperaram, robusteceram e, mais uma vez, são a razão e a explicação, a causa e a consequência de todas as decisões políticas, dentro do país, na Europa, no mundo. A globalização.


 


Aprendemos todos os dias que não há alternativa. Que a discussão das escolhas do Estado, dos contratos milionários para gestores públicos e de empresas públicas, caucionados pelos representantes do estado, são inevitáveis e até desejáveis, pelo risco de perdermos tão qualificados gestores. Claro que a demonstração da fuga desses gestores para outros paraísos nunca é necessária.


 


Como nunca é necessária a demonstração do que se apregoa. A proliferação de maternidades e clínicas privadas nas localidades onde o estado as fechou, por segurança e boa prática, está por encontrar. Mas o que importa é falar dessa possibilidade para indignar a população.


 


Aprendemos todos os dias como é inevitável o desemprego, a falta de competência e a negligência, a falta de assiduidade, os queixumes constantes, o abismo sempre à espera do passo fatal. Aprendemos todos os dias que a obscenidade e a imoralidade das destinadas fortunas de poucos e a pobreza irreversível de muitos é um desígnio divino.


 


Pois a felicidade só será alcançada no outro mundo. Alegremo-nos pois, na esperança da redenção.

09 abril 2010

Unchained Melody









U2


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?


I need your love
I need your love


Godspeed your love to me


 


Lonely rivers flow to the sea,
to the sea
to the open arms of the sea
lonely rivers sigh 'wait for me, wait for me'
I'll be coming home wait for me


 


Oh, my love
my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
and time goes by so slowly
and time can do so much
are you still mine?
I need your love
I need your love


Godspeed your love to me

O preconceito do preconceito

 


Para responder à Helena Matos, é mesmo importante que se perceba exactamente do que se está a falar. Em relação ao assunto da alegada discriminação dos homossexuais na doação de sangue, escrevi vários posts sobre o assunto. É natural a reacção do Presidente do IPS. Eu também agurado as indicações do Ministério da Saúde.


 

04 abril 2010

O pecado da Igreja


 


A Igreja Católica escondeu a pedofilia, sendo conivente com crimes durante décadas, tal como foi conivente com a violência doméstica, com os crimes de sangue e de honra, tal como foi conivente com as visões mais conservadoras e reaccionárias da sociedade, durante muitos anos.


 


Numa sociedade aberta como a que existe hoje, não é mais possível manter em segredo situações como estas. A Igreja perdeu influência, principalmente perdeu poder, que usou de forma autocrática e ditatorial, cobrindo tudo o que dizia e fazia com efectivos poderes terrenos e hipotéticos poderes celestes. Todos os desvios, prepotências, imoralidades e crimes praticados, anteriormente escondidos, calados e lançados como calúnia para quem tinha a coragem de falar deles, afloram agora à superfície.


 


A Igreja pede perdão pelos padres pedófilos. Mas o seu silêncio é um pecado pesado e longo, pelo qual não sei há penitência que a possa limpar.


 

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...