28 março 2010

Novos deputados

João Galamba é um jovem que vive a idade da sua geração. Não tenta vender a ideia de uma vida planeada para a política, não tenta mostrar erudição precoce ou espontânea, não tenta ser aquilo que não é.


 


João Galamba entende a cidadania sem complexos e não se veste de intelectual de esquerda nem de descendente de lutador antifascista. Assume a sua infância desafogada, o seu diletantismo, a sua inaptidão para causas que já não existiam. Fez o percurso de um jovem da classe média, média-alta e não se envergonha dele.


 


João Galamba vai sabendo o preço do seu comprometimento. Há muitos que se comprazem e se realizam a enlamear os ingénuos, pois a pequenez e a inveja, aquela mesmo com que enchem a boca das palavras de João Gil, sem perceberem que lhe encarnam a filosofia, amesquinham o que tocam. É bom que o Parlamento possa contar com João Galamba.


 


(via Jugular)

27 março 2010

A derrota dos cavaquistas

 



 


A eleição de Passos Coelho como líder do PSD, pela margem com que foi eleito, é um facto importante e que poderá significar o princípio do fim do cavaquismo, assim como o princípio do começo de uma oposição a sério.


 


Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim e Paulo Rangel saíram grandemente derrotados assim como, esperamos, uma certa forma de fazer política.


 


É bom que haja definição à direita para que a esquerda também se reposicione. O PS e o país precisam de luta política e de clarificação ideológica.

26 março 2010

Diário aberto


 


Depois de cerca de 1600 dias a escrever neste blogue, 125 pessoas por dia, em média, vieram ler ou ouvir o que postei.


 


Estou espantada e orgulhosa. Não sei o que esperava a 5 de Novembro de 2005. Ainda hoje me pergunto porque mantenho este diário aberto, em que as opiniões muitas vezes não espelham as dúvidas que me assaltam, as mudanças de humor, os estados de alma, o que vou descobrindo de mim e do mundo.


 


Obrigada a estes mais de 200.000 visitantes.


 

24 março 2010

Autismo

Já todos percebemos que ninguém está minimamente preocupado com o facto do Primeiro-ministro ter dito ou não a verdade sobre o negócio da TVI. O que tem interessado a oposição, nomeadamente o PSD, é desgastar continuamente a imagem de Sócrates, pela manifesta incapacidade de o derrotarem convencendo os cidadãos de que tem uma alternativa para o país.


 


As audições na comissão de ética são inequívocas. Até Nuno Santos desqualifica Mário Crespo. Acredito que o país inteiro encolha os ombros perante tanto disparate.


 


 


Entretanto os sindicatos continuam a delapidar todo o seu já escasso potencial de defensores dos trabalhadores. As greves anunciam-se e fazem-se por aumentos salariais. Da função pública aos pilotos da TAP, passando pela CP e pela REFER, o autismo é total.

Agências de rating

É muito estranho o timing da agência Fitch, que piorou a classificação da dívida portuguesa. Na verdade não percebo nada de economia, mas se isto não é especulação e chantagem, parece muitíssimo. Por um lado elogiam o PEC, por outro sugerem que não vai ser cumprido e contribuem grandemente para essa possibilidade.


 


Cada vez mais esta obrigação de um estado, de um país, obedecer às agências financeiras, tomando as medidas que elas entendem e sujeitando-se a este tipo de análises e de má publicidade, me revolta. Isto não é melhorar a nossa economia. Isto é obedecer a uma lógica de ganhar dinheiro a todo o custo.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...