11 março 2010

Face descoberta

 



 


Sondagem realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa


6 - 9/Março/2010


 

Entrevista com o Presidente

 



 


O Presidente da República foi ontem entrevistado por Judite de Sousa. Já outros se expressaram com pormenor sobre a entrevista.


 


Na verdade, nada de novo.



  • O Presidente não dissolverá a Assembleia da República - é um trabalho para a oposição fazer.

  • O Presidente acha que o povo português não está esclarecido sobre o negócio da TVI, porque a Assembleia quer uma comissão de inquérito - forma pouco subtil de acusar Sócrates.

  • No tempo do Presidente como Primeiro-ministro, o negócio nunca se faria sem o seu conhecimento - foi há 20 anos e só havia televisão pública.

  • O Presidente acha que ninguém está acima da lei, a propósito do processo Face Oculta - leia-se Sócrates.

  • O Presidente irá consultar os arquivos para saber quando ponderaram os anteriores presidentes a recandidatura, para ele próprio ponderar - ou seja, anuncia a candidatura lá para Outubro.


Claro que Judite de Sousa nunca se lembrou das quebras do segredo de justiça, não se lembrou do caso BPN nem de Dias Loureiro, e o episódio das escutas de Fernando Lima foram uma ligeira inconveniência a fazer ao Presidente.


 


Claro que o Presidente se referiu sempre a ele próprio de uma forma bastante presidencial.


 


Nada de novo, portanto.


 

Greve na TAP

 


A administração da TAP mostrou intenções de pedir estatuto de excepção para poder aumentar os salários, pois deveriam estar congelados como em toda a função pública e empresas públicas. Mas os pilotos acham que 1,8% é muito pouco e resolvem entrar em greve durante uma semana, precisamente na altura da Páscoa.


 


Há reivindicações que, sinceramente, estão para além da minha compreensão, comum mortal que sou.


 

09 março 2010

Um dia como os outros (42)

 


(...) se telefona um dirigente do PSD ou do CDS, um Durão Barroso, um Paulo Portas, um Santana Lopes, trata-se de um telefonema de amigos, de correligionários políticos que exercem o seu direito a esclarecer uma qualquer notícia coxa, enviesada; mas se o telefonema é de um adversário político, de um qualquer dirigente do PS, por exemplo, o telefonema só pode ser entendido como uma pressão. (...)


 

A capitulação do PS

 



DE


 


O PEC, mais do que um programa de relançamento económico e de tentativa de equilíbrio das contas públicas, para que os mercados e a Europa acreditem na economia portuguesa, expressão empregue por Sócrates ontem na conferência de imprensa que deu às 20h00, é uma visão do País. Visão essa que resulta da capitulação quase total deste governo à política defendida pelo PSD e pela Dra. Manuela Ferreira Leite.


 


Uma das características da anterior legislatura foi a noção de que havia uma estratégia de modernização para Portugal, uma aposta na inovação, na ciência, nas novas tecnologias de informação, nas novas energias, nos transportes ferroviários de alta velocidade menos poluentes. O desenvolvimento das regiões afastadas das grandes metrópoles tudo teriam a ganhar com esta visão de um território mais pequeno pela existência de comunicações (internet e físicas) a alta velocidade, que poderiam por à disposição de todos os cidadãos ferramentas e serviços, repovoando o interior, com maior qualidade de vida.


 


Durante a campanha para as últimas eleições os investimentos públicos como o TGV foram uma das bandeiras do programa socialista, criticadas pelos partidos à sua direita, que acusaram Sócrates de aumentarem o défice e a dívida externa com esse projecto.


 


Outro dos assuntos muito debatidos e que faziam a diferença entre uma visão de esquerda e de direita da sociedade foi precisamente a definição das funções do estado. Até pela profunda crise económica existente, devido à ausência de mecanismos de regulação da economia de mercado, o PS assumiu-se defensor de um estado prestador de serviços, atacando a direita pela sugestão de privatização de parte da segurança social e da caixa geral de depósitos.


 


Pois o PS esqueceu a sua visão do País, esqueceu-se do estado prestador, esqueceu-se das altas velocidades. O PS aceitou as imposições da direita e do presidente, tendo cedido à retórica habitual dos economistas do costume. O PEC apresentado poderia ter sido a proposta do PSD, com uns pozinhos de PS.


 


Para quem votou no PS como eu, não é possível que não esteja profundamente desiludido e confuso, como eu. Para além da crise, dos esforços e da factura que cada um tem que pagar, que aceito como inevitável, não deveria ser inevitável abdicar daquilo que poderia ser o nosso desenvolvimento sustentado, a nossa luta pela democratização da comunicação e da informação, o nosso esforço de redução das desigualdades pela aposta nas novas tecnologias e nos desafios científicos e ambientais.


 


O PS, assim como o BE e o PCP, que inviabilizaram qualquer hipótese de acordo parlamentar e de governação à esquerda, mesmo durante a campanha eleitoral, podem assumir as responsabilidades de terem contribuído, mais uma vez, para o status quo do Bloco Central.


 


O sacrossanto, cinzento, avassalador e presidencial Bloco Central.

 

08 março 2010

Contos

 



Graça Morais




Penteio a tua vida em contos de Outono.

Entranço os teus cabelos brancos

arrumados em ondas de filhos invisíveis

como o rosto que me escondes.


 

Feminismo

 



Joseph el Arid: women working


 


Não sei se sou feminista. Não sei se luto pela igualdade entre os homens e as mulheres.


 


Não penso que um dia internacional das mulheres, como um dia internacional das crianças, possa resolver seja o que for para as causas das mulheres e das crianças. Não concordo com quotas para os cargos políticos ou para lugares de topo das administrações do estado ou das empresas.


 


Nestes dias ouço grandes elogios a várias mulheres, que por um motivo ou por outro se distinguiram, foram e são exemplos de excelentes profissionais, de generosidade cívica, de criatividade invulgar. Assisto à distribuição de flores às mulheres surpresas que franqueiam as portas dos empregos, dos supermercados, das escolas.


 


E no entanto são estas mesmas mulheres que recebem uma flor simbólica que todos os dias são ignoradas pela sua família, pelos seus empregadores, pelos seus delegados sindicais, pelos seus governantes. São essas mesmas mulheres que se levantam antes de todos para prepararem as mochilas, os pequenos-almoços e as merendas dos filhos, que passam a ferro depois de arrumarem as cozinhas à noite, antes de desabarem na cama, são essas mulheres que cumprem o melhor que podem e sabem as suas funções profissionais, roendo-se de culpa pela ausência da companhia aos filhos e a toda a família, são essas mulheres que ganham menos que os homens, que faltam mais que os homens, que são despedidas antes dos homens.


 


Os sinais são muito lentos mas é no dia-a-dia que o feminismo se faz. Não com flores ou com palavras de ordem, mas com a persistência de quem tem razão, promovendo a igualdade e a paridade nos diversos deveres que prendem a mulher aos seus afazeres ancestrais, que distribuem papéis predeterminados aos géneros.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...