08 março 2010

Feminismo

 



Joseph el Arid: women working


 


Não sei se sou feminista. Não sei se luto pela igualdade entre os homens e as mulheres.


 


Não penso que um dia internacional das mulheres, como um dia internacional das crianças, possa resolver seja o que for para as causas das mulheres e das crianças. Não concordo com quotas para os cargos políticos ou para lugares de topo das administrações do estado ou das empresas.


 


Nestes dias ouço grandes elogios a várias mulheres, que por um motivo ou por outro se distinguiram, foram e são exemplos de excelentes profissionais, de generosidade cívica, de criatividade invulgar. Assisto à distribuição de flores às mulheres surpresas que franqueiam as portas dos empregos, dos supermercados, das escolas.


 


E no entanto são estas mesmas mulheres que recebem uma flor simbólica que todos os dias são ignoradas pela sua família, pelos seus empregadores, pelos seus delegados sindicais, pelos seus governantes. São essas mesmas mulheres que se levantam antes de todos para prepararem as mochilas, os pequenos-almoços e as merendas dos filhos, que passam a ferro depois de arrumarem as cozinhas à noite, antes de desabarem na cama, são essas mulheres que cumprem o melhor que podem e sabem as suas funções profissionais, roendo-se de culpa pela ausência da companhia aos filhos e a toda a família, são essas mulheres que ganham menos que os homens, que faltam mais que os homens, que são despedidas antes dos homens.


 


Os sinais são muito lentos mas é no dia-a-dia que o feminismo se faz. Não com flores ou com palavras de ordem, mas com a persistência de quem tem razão, promovendo a igualdade e a paridade nos diversos deveres que prendem a mulher aos seus afazeres ancestrais, que distribuem papéis predeterminados aos géneros.


 

3 comentários:

  1. É isso, Sofia!


    :))

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  2. ACÁCIO LIMA23:15

    COMENTÁRIO AO POST-IT DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS - "FEMINISMO"

    01- A denúncia e a condenação persistente das posturas e comportamentos machistas pode ou não ser equiparada à condição de “Feminista”?

    02- O protesto face à verificação de uma situação de discriminação baseada no género, pode ou não ser equiparada à condição de “Feminista”?

    03- As quotas referidas na “lei da paridade” são ou não justificadas pela oportunidade concedida para ser adquirida uma experiência e vivência que eram sistemáticamente negadas antes da vigência dessa “lei da paridade no género”, (num atropelo à igualdade, das mulheres e dos homens, enquanto seres humanos)? Então, essa outorga de uma oportunidade de experimentar e viver uma situação, que a Sociedade ia negando, pode ou não ser equiparada à condição de “Feminista”?

    04- O Simbolismo do Dia Internacional da Mulher colide ou não com a prática diária de persistente e continuado exercício de uma Democracia Doméstica, no seio da família, pautando relações conjugais? Tema que era caro à Engenheira Lourdes Pintasilgo.

    Então o Simbolismo do Dia Internacional da Mulher não parece colidir com a Democracia Doméstica., nem com a condição de “Feminista”.

    05- Certo e de fonte segura, o que vamos tendo, a golpes de energia, é uma tendência histórica espelhando uma aproximação à Igualdade e à Paridade no Género.



    É insofismável que o meu Filho, que tem a mesma profissão da sua mulher, se ocupa mais extensamente do brunir a roupa, do vestir as suas Filhas para irem para a Escolinha, da confecção do jantar para toda a família, do que ela.

    Estas coisas não sucedem por acaso. Nem caem dos céus aos trambulhões. E, muito menos, são "Graças Divinas".

    Quando ele tinha sete anos, um belo dia, a Mãe, a minha ex-mulher, estando atrasada na confeção do jantar, disse-lhe: “Vai hoje pôr a mesa para o jantar, para ver se eu consigo recuperar o atraso”.

    O rapaz, disse de imediato: “Mas isso é “Trabalho de Mulher”.

    Que foi ele dizer!!!!!

    Serenamente ouviu da Mãe:

    “Com que então “Trabalho de Mulher”?- Pois fica sabendo, a partir de hoje passa a ser tua tarefa diária pôr a mesa do jantar, e atenção, até às 20 horas, não havendo a minima tolerância para os atrasos”.

    Foi assim, que se esfumou, o Conceito de “Trabalho de Mulher” em minha casa, ou, melhor, sumiu de vez!!!!

    FEMINISMO!!!!!

    Cordiais e Afáveis Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas

    ACÁCIO LIMA

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