
A 6 de Novembro de 2008 Teixeira dos Santos previu, no Orçamento do Estado para 2009, um défice de 2,2%. Em Março de 2009 reviu essa previsão para 3,9%. Em Julho de 2009 reviu novamente o défice para 5,9%. Em Novembro de 2009 reviu mais uma vez o défice para 8%. A 26 de Janeiro de 2010 o défice de 2009 é de 9,3%.
A credibilidade de Teixeira dos Santos, por muita confiança que se tenha na sua capacidade técnica, e por muito que tenha demonstrado a realização da proeza que foi reduzir o défice entre 2005 e 2008, ficou seriamente danificada. Não é possível iludir a conclusão de que houve uma deliberada camuflagem da realidade, com fins eleitorais, o que é inaceitável.
Por outro lado é estranhíssimo que, após todas estas negociações orçamentais, de que PSD e CDS tanto gostaram, de tal forma que resolveram abster-se na votação do orçamento, venham agora dizer mal do que negociaram. O problema da lei das finanças regionais é o paradigma da hipocrisia a que se pode chegar.
De facto, mesmo com todos os erros de Teixeira dos Santos, nem à direita nem à esquerda parece haver qualquer alternativa à governação. E a demagogia dos sindicatos da função pública, em guerra permanente perante o maior ataque aos trabalhadores (todos os anos é o maior ataque), é imensa.
Pelo menos há a esperança de que seja um orçamento minimamente equilibrado.