Ouvi partes da entrevista a João Salgueiro na TSF e li a transcrição da mesma no DN.
Alguns fragmentos, para mim significativos, ficaram a rebolar dentro do meu cérebro. A classificação de Teixeira dos Santos, o nosso Ministro das Finanças, como um técnico competente mas que não tem o poder suficiente que os ministros das Finanças deviam ter. Será que para João Salgueiro quem deveria definir a política do governo seria o Ministério das Finanças? Ou seja, a política seria determinada por aquilo que os Economistas pensassem, pelas suas prioridades, pelo seu poder?
Outro fragmento de que não consigo desenvencilhar-me é a afirmação - de trabalho feminino não se criaram muitas oportunidades ainda, talvez agora se comece, mas isso devia ser a primeira prioridade. - em relação ao Alentejo, pela quantidade de fábricas que têm fechado. O desemprego feminino? Como se combate o desemprego feminino? Abrindo creches e lares de 3ª idade para elas aí trabalharem em tarefas domésticas? Abrindo fábricas de tapetes de Arraiolos para bordarem muito? O que significa criar emprego feminino?
E depois a eterna discussão do aeroporto e do TGV. Será que entre tantos estudos e mais estudos, não há nenhum que calcule o prejuízo e o atraso para o país da não concretização das decisões tomadas? Há quantos anos se está a debater a necessidade de um aeroporto novo? Há quantos anos e há quantos estudos foi decidido que a Ota é que era o melhor sítio para o construir? E agora quantos anos vão ser precisos para colocar os estudos de Alcochete em dúvida? Se demorarmos muitos mais anos se calhar até deixa de se andar de avião porque já se descobriu o teletransporte individual.
Quanto ao TGV e à grande despesa do TGV, uma coisa é discutir as linhas e as direcções que o TGV deve tomar, que já foram várias, em número e configuração diferentes, consoante o partido que está no governo, outra coisa é a discussão do investimento na rede ferroviária de alta velocidade. Quem é que vai para Paris, Bruxelas ou Berlim de TGV? Ninguém vai! . Se calhar não, até porque ele não existe. Mas não será de pensar numa alternativa aos transportes que consomem petróleo e que são mais poluentes? Não será uma ideia de futuro investir na rede ferroviária nacional e internacional de alta velocidades?
O Estado não tem a noção do que pode ou não gastar., diz João Salgueiro. Se calhar há pouco dinheiro e há coisas mais urgentes. Mas alguém acha razoável que se deixe de investir em investigação científica de ponta, por exemplo, apenas porque somos um país pobre?
João Salgueiro é um dos Economistas de sempre com o diagnóstico de sempre e a terapêutica de sempre, cuja visão é partilhada por quem tem estado à frente dos destinos do país desde há muitos anos. Será que as soluções que preconizam são as certas? Então porque é que nunca resultaram?
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