Bobby McFerrin & Thomas Quasthoff
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Também votei no Manuel Alegre. Desde a primeira hora identifiquei-me com a candidatura presidencial de Manuel Alegre, revoltada com a cegueira de Sócrates ao apoiar Mário Soares. Foi um erro político que foi pago com a vitória de Cavaco Silva.
Ao contrário do que eu esperava Manuel Alegre manteve-se em campanha eleitoral nestes 4 anos, fazendo coro com a oposição ao governo, principalmente com a oposição de extrema-esquerda, populista e irresponsável. Manuel Alegre não ajudou o governo, não apresentou ideias refrescantes e inovadoras, não contribuiu em nada para a reestruturação dos serviços públicos de educação e da saúde, alinhando sempre nos folclores das manifestações à porta das maternidades, à porta dos Centros de Saúde, de braço dado com os professores a bem da escola pública, incentivando e aumentando a barreira entre um governo de esquerda reformista e uma retórica que apenas se reclamava de esquerda.
Manuel Alegre apresenta-se de novo como candidato presidencial, no que demonstra também grandeza e vontade de servir o país. Não estão em causa nenhuma das suas características de homem corajoso, referência da cultura e da democracia. Mas como pode Manuel Alegre corporizar agora os anseios de quem votou no PS, de quem apoiou o governo anterior e apoia este governo? Que tipo de Presidente será este que sempre se manifestou contra todo o trabalho do PS em que a maioria da população se revê? Como consegue captar os eventuais arrependidos do voto em Cavaco Silva?
Impedir que Cavaco seja reeleito, pois, deve ser o desígnio nacional de qualquer cidadão. – será o meu. Mas não me parece que Manuel Alegre tenha condições para corresponder às expectativas de uma grande parte dos cidadãos. Aliás este desabafo de Manuel Alegre é bem indicativo da forma como se está a posicionar dentro do espectro político. E não, não são sempre os mesmos que têm uma opinião desfavorável. São capazes de ser uns quantos mais.
Antes das eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975, antes das sondagens e dos estudos de opinião, na alvorada das campanhas, das estratégias e das manipulações políticas, havia a percepção generalizada de que o PCP seria a escolha da grande maioria dos cidadãos.
A omnipresença dos comunistas e da extrema-esquerda em todas as áreas da sociedade, as manifestações, as canções, os debates nas escolas, nas fábricas, nos serviços, a dificuldade de afirmação do contraditório pelo medo de ganhar fama de fascista (todos eram fascistas e reaccionários, com excepção dos comunistas), era avassaladora.
O resultado eleitoral foi uma esmagadora derrota dos comunistas (PCP: 12,46%; MDP: 4,14%) e uma significativa vitória dos socialistas (37,87%). O PPD teve 26,39% e o CDS 7,61%. O País apercebeu-se de que, mais importante do que aquilo que os activos propagandistas faziam acreditar, era o voto popular, era o resultado do acto eleitoral. A decisão popular foi soberana e importantíssima para a legitimidade da luta pela restauração da democracia a 25 de Novembro de 1975.
Hoje em dia há vários activos propagandistas na oposição, sendo Pacheco Pereira um dos mais encarniçados. Se substituirmos socráticos por fascistas e reaccionários, estão lá todos os ingredientes da intoxicação pública de uma dramática encenação, fazendo crer que o país não suporta mais este governo, que o país está à beira de o expulsar, tal como antigamente estava prestes a castigar o grande capital, os monopolistas e os latifundiários.
Mais uma vez o voto livre demonstra qual a vontade dos portugueses. Nas últimas eleições legislativas, a vontade livre e soberana dos cidadãos legitimou a manutenção do governo do PS e do Primeiro-Ministro José Sócrates. Convinha que não nos esquecêssemos que, por muito que Pacheco Pereira gostasse que fosse diferente, apenas 29,11% dos eleitores (do PSD, partindo do princípio que todos pensam da mesma forma) comungam das opiniões de Pacheco Pereira. O PS teve 36,56%, O CDS 10,43% e o PCP 7,86%.
Convém manter uma visão desapaixonada da realidade. Pacheco Pereira perdeu-a.
Amy Schrom: On A Mission
É muito interessante seguir as acusações que a oposição e os apoiantes do governo se fazem mutuamente, em relação à utilização de blogues para lançar dúvidas e insinuações de incompetência e compadrio político.
Vale a pena seguir esta troca de posts e de comentários, iniciado por Pinho Cardão, mostrando 2 despachos seguidos em que se nomeava e exonerava uma pessoa para o cargo de secretária pessoal do gabinete de Sócrates, com uma diferença de 4 dias, louvando-a aquando da exoneração. João Magalhães responde publicando um despacho de 2005 que demonstra que essa nomeação tinha cerca de 4 anos e não 4 dias.
Pinho Cardão reagiu indignado pela mentira de João Magalhães que, inclusivamente, terá colocado um despacho referente a uma pessoa diferente.
No entanto, na caixa de comentários do 2º post de Pinho Cardão é desmontada a história da rapidinha (nomeação para e exoneração de um cargo em 4 dias), com links para os diferentes despachos em relação a esta matéria, que reproduzo por ordem cronológica:
Ao abrigo do disposto no nº 1 do artigo 3º do Decreto- lei nº 322/88, de 23 de Setembro, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 5/92, de 4 de Abril, nomeio secretária pessoal do meu Gabinete XXXX - 12 de Março de 2005 - O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
XXXX - cessa funções, a seu pedido, em virtude de ter iniciado funções em gabinete de membro do XVII Governo Constitucional, nos termos dos nºs 5 e 6 do artigo 46º da Lei nº 77/88, de 1 de Julho (Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República), com a redacção que lhe foi dada pelas Leis nºs 59/93, de 17 de Agosto, e 28/2003, de 30 de Julho, do cargo de assistente parlamentar de nível III deste Grupo Parlamentar, com efeitos a partir do dia 12 de Março de 2005 - 11 de Março de 2005 - A Directora de Serviços, por delegação da Secretária-Geral, Teresa Fernandes.
1 - Nos termos do disposto no nº 1 do artigo 2º, no artigo 5º e no nº 1 do artigo 6º do Decreto-Lei nº 262/88, de 23 de Julho, nomeio, em comissão de serviço, a licenciada XXXX para exercer funções como minha secretária pessoal. 2 - O presente despacho produz efeitos a partir de 31 de Outubro de 2009 - 10 de Novembro de 2009 - O Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, José Manuel Gouveia Almeida Ribeiro.
Pinho Cardão enganou-se. O seu 1º post é uma insinuação de incompetência. Não lhe ficava nada mal reconhecê-lo, dando o mesmo destaque ao reconhecimento do engano que deu à suposta incompetência. Ou então haverá lugar à suspeição de que foi ele próprio quem truncou a informação, e até podemos especular que existira intencionalidade no engano - desinformação? Manipulação?
Porque é assim que se alimentam as desconfianças sobre o papel dos apoiantes das várias facções políticas na blogosfera.
Nota: XXXX corresponde ao nome da pessoa em questão, que é sempre a mesma, o que pode ser confirmado nos respectivos despachos.
Isabela Figueiredo escreve n'O Novo Mundo, depois de ter encerrado O Mundo Perfeito.
É dos blogues mais interessantes que conheço. Por isso estou com curiosidade em ler o livro que, com grande pena minha, há bem pouco tempo não estava ainda disponível na Bulhosa nem na FNAC.
Na Livraria Pó dos Livros, próxima 5ª feira ao fim da tarde, Eduardo Pitta apresentará o livro.
Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...