Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Há inúmeros e graves problemas a discutir e a esclarecer, nomeadamente na área da saúde. Os cidadãos merecem mais respeito por parte dos seus representantes.
As eleições presidenciais tomaram importância acrescida desde o episódio das escutas a Belém. Ao perder credibilidade e capacidade de acção, perante a crise económica e a crise política que se avizinha, seria necessário um Presidente respeitado pelas restantes instituições, que fosse capaz de congregar esforços sem intervir na luta partidária.
Manuel Alegre apresentou-se às últimas eleições presidenciais sem o apoio do PS. Foi um erro político de Sócrates que, ao arrepio de muitas vozes dentro e fora do PS, preferiam um candidato que englobasse a área do centro esquerda. Mário Soares surgiu já derrotado e Cavaco Silva capitalizou a existência de duas candidaturas com base na matriz socialista.
Votei em Manuel Alegre. O meu blogue surgiu precisamente com o objectivo de, dentro do pouco que podia, fazer campanha por aquela candidatura. As minhas razões estão explicadas ao longo desses dias e não vou repeti-las.
Passaram-se quatro anos e tivemos uma legislatura inteira de governo socialista. Foi um governo que tentou apresentar alternativas, fazer reformas, mudar o que estava parado. Manuel Alegre, ao longo de toda a legislatura, fez um contraponto muitas vezes incompreensível à política governamental. Estão neste grupo as críticas à actuação do Ministro Correia de Campos, acusando o governo de tentar destruir o SNS, e à actuação da Ministra da Educação, pactuando com a demagogia e o populismo dos partidos que se dizem de esquerda, mas cuja defesa da escola pública se limita à defesa dos interesses instalados de uma classe profissional.
Os jantares de apoio a Manuel Alegre são os preparativos para uma onda de dinamização para a próxima candidatura a Belém. Respeito Manuel Alegre e penso que será sempre uma referência, pelo menos é-o para mim, pela sua frontalidade e pela forma de exercer a cidadania. Mas se Manuel Alegre não está refém de ninguémtambém o PS não deverá estar refém de Manuel Alegre. E seria bom que Manuel Alegre e os seus apoiantes pensassem se essa é a candidatura que melhor servirá o país.
O que é preciso é pedir uma comissão de inquérito. Não interessa porquê nem com que objectivo, só interessa que é contra o governo de Sócrates, este ou o anterior. Como deste ainda há muito pouco a inquirir, restam quatro anos de medidas que desagradaram à oposição, seja ela qual for. Portanto a palavra de ordem é: comissão de inquérito.
A primeira proposta, que eu até acharia interessante e talvez esclarecedora, foi uma comissão parlamentar para averiguar se teria havido ou não intromissão política ilegítima por parte do governo anterior na linha editorial dos órgãos de comunicação, mais precisamente na TVI e no Público. Foi o próprio Pacheco Pereira que insinuou que isso seria feito num dos programas da Quadratura do Círculo, após a sugestão de Lobo Xavier. Isto à boleia da vergonhosa defesa da publicitação das escutas entre Sócrates e Armando Vara, que Manuela Ferreira Leite quis transformar em problema político.
Mas essa grande ocasião esvaziou-se repentinamente e o problema da asfixia democrática e do controlo dos media deixou de ser importante e motivo para uma comissão parlamentar de inquérito.
É esta a legislatura que nos espera – a tentativa de desfazer tudo o que foi feito durante 4 anos. Mas, a avaliar pelas alternativas, é para fazer o quê?