11 novembro 2009

Itinerâncias

 


Para variar, para além do trabalho, há muitas coisas que nos alargam a mente e que nos alegram os dias:



  • Não consegui ir ao lançamento do livro mas, pelo que já li do Luís Naves, não se deve deixar escapar este livro: Territórios de caça.




  • A 12 de Novembro (amanhã), na Galeria 111, será inaugurada uma exposição - Matar o tempo. Não percam, às 19h00 e, depois, até 31 de Dezembro.




  • Contos em Viagem - Brasil, pela excelente companhia de teatro, Teatro Meridional, até 19 de Dezembro (nos domingos há espectáculo às 17h00). Imprescindível.



 

09 novembro 2009

Celibato obrigatório

 


Tenho lido muitos argumentos a favor e contra a legalização do casamento entre homossexuais, muitos argumentos a favor e contra um referendo sobre o assunto.


 


Mas usar a questionável influência que a mulher, amante, amiga, namorada, união de facto ou o que fosse possa exercer sobre o Primeiro-Ministro para defender a existência de um referendo, é verdadeiramente inédito.


 


Penso mesmo que, para alguém poder governar sem ser influenciado, deve cumprir o celibato obrigatório. Ou então teremos uma profusão de referendos a propósito de tudo e de nada, de forma a estarmos 100% certos de que as decisões governamentais nascem por geração espontânea.


 


Pois é, ter uma mulher, amante, amiga, união de facto ou o que seja com uma profissão, com opiniões próprias, que escreve em jornais e em blogues e que pode influenciar a opinião do homem, amante, amigo, união de facto ou o que seja, é absolutamente impeditivo de um poder executivo responsável e idóneo.


 


As mulheres, amantes, amigas, uniões de facto ou o que seja deveriam abdicar de ser pessoas, em santo sacrifício pelos homens, amantes, amigos, uniões de facto ou o que fosse, a bem da nação.


 

Um dia como os outros (6)

 


(...) Sempre soubemos que alguma coisa teria que acontecer lá, para que outras pudessem mudar aqui.





[Gorbachev] tornou isto possível - corajosamente deixou que as coisas acontecessem e isso foi muito mais do que poderíamos esperar. (...)


 


Palavras de Angela Merkel para Mikhail Gorbachev durante as cerimónias de comemoração dos 20 anos da queda do muro de Berlim.


 


(Também aqui)


 

Até um dia

 



Robert Lacke - Time Life Pictures


 


Vi-te hoje através de uma janela de pedra

foi a primeira mas não será a última

até ao dia em que a multidão se abraçar

até ao dia em que derrubarmos tantos

tijolos de medo tantos osso de silêncio.


 


Vi-te nos olhos que me lembro nos dedos

que te agarram que te colam ao lado esquerdo

vi-te no meu corpo dividido de cidade sitiada

até ao dia em que abrirmos a muralha

e sentirmos a chuva igual nos ombros

juntos neste abraço que nos damos.

08 novembro 2009

Si te contara

 



 



Diego el Cigala


Dos lágrimas


 


Si te contara

mi sufrimiento,

si tu supieras

la pena tan grande

que llevo yo adentro

la triste historia

que noche tras noche

de dolor y pena

llena mi alma,

surgió en mi memoria

como una condena.


 


Si tu supieras,

te importaria

si te dijera

que en mi ya no queda

ni luz ni alegria

que tu recuerdo

es el daño mas fuerte

que me hago yo mismo

por vivir soñando

con que tu regreses,

y arrepentida.


 


(Também aqui)


 

Da corrupção

 



 


Sempre que se fala em corrupção, na promiscuidade entre o estado, as empresas públicas, privadas e os partidos políticos, tráfico de influências, enriquecimento ilícito e todo o manancial de jogo sujo entre os poderosos, fico com a sensação de que a sociedade se desliga dessas pessoas, como se elas não fizessem parte da mesma sociedade.


 


É muito fácil encontrar responsáveis, sendo eles bem visíveis nos interesses que se protegem e encobrem dos dois grandes partidos clientelares portugueses, PS e PSD, o chamado bloco central, porque foram eles que assumiram e arcaram com a responsabilidade de nada mudar. Mas não nos enganemos com os pequenos partidos, que apenas são moralmente irrepreensíveis até terem oportunidade de o não ser.


 


Porque a cultura da nossa sociedade não pune verdadeiramente a corrupção. Esta palavra só se usa para os processos faces escondidas e operações papagaio, mas as cunhas, os conhecimentos, o compadrio, o nepotismo, o facilitismo, as pequenas promiscuidades que são olhadas com complacência, fazem parte e alimentam esta benevolência tácita de todos nós.


 


Mas não há heróis nem figuras providenciais. João Cravinho tinha responsabilidades governativas na altura em que o General Garcia dos Santos denunciou situações de suspeita de financiamento ilegal de partidos na Junta Autónoma das Estradas. O caso envolveu também Sousa Franco. E no entanto, quem acabou inquirido e multado foi o próprio Garcia dos Santos.


 


Esta reflexão não tem como objectivo desculpar ou minimizar o problema. Tudo deverá ser feito para que a transparência seja uma realidade, para que a justiça funcione em tempo útil e seja exemplar na punição de quem prevarica, porque está em causa o desenvolvimento do país e a essência do regime democrático, fundado num estado de direito. Mas seria muito interessante que os pacotes legislativos anti-corrupção deixassem de servir de arma de arremesso político porque ninguém está inocente.


 


(Também aqui)


 

07 novembro 2009

Um dia como os outros (5)

 


Obama tenta um último esforço para conseguir a aprovação da reforma da saúde, a prioridade da política interna desta administração até ao fim do ano.


 


Os Democratas estão sozinhos, pois os Republicanos votarão contra a reforma.


 


(Também aqui)


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...