05 novembro 2009

Ándeme yo caliente / Y ríase la gente

 


poema de Luis de Góngora y Argote (1581)

foto de David Ruiz Bueso:

mañanas de invierno

 

Ándeme yo caliente

  Y ríase la gente.


 

 Traten otros del gobierno

Del mundo y sus monarquías,

Mientras gobiernan mis días

Mantequillas y pan tierno,

Y las mañanas de invierno

Naranjada y aguardiente,

  Y ríase la gente.

 


 Coma en dorada vajilla

El príncipe mil cuidados,

Cómo píldoras dorados;

Que yo en mi pobre mesilla

Quiero más una morcilla

Que en el asador reviente,

  Y ríase la gente.


 


 Cuando cubra las montañas

De blanca nieve el enero,

Tenga yo lleno el brasero

De bellotas y castañas,

Y quien las dulces patrañas

Del Rey que rabió me cuente,

  Y ríase la gente.


 


 Busque muy en hora buena

El mercader nuevos soles;

Yo conchas y caracoles

Entre la menuda arena,

Escuchando a Filomena

Sobre el chopo de la fuente,

  Y ríase la gente.


 


 Pase a media noche el mar,

Y arda en amorosa llama

Leandro por ver a su Dama;

Que yo más quiero pasar

Del golfo de mi lagar

La blanca o roja corriente,

  Y ríase la gente.


 


 Pues Amor es tan cruel,

Que de Príamo y su amada

Hace tálamo una espada,

Do se junten ella y él,

Sea mi Tisbe un pastel,

Y la espada sea mi diente,

  Y ríase la gente


 


 




 


(Mais uma prenda)


 

Boca do mundo

 



Mesa


 


 


Se a chama chega,

E ninguém chega à chama

De que vale arder?

Se o barco parte sem velas,

De que serve a maré?


 


Não se mostra o trajecto

A quem parte para se perder

Não se dá boleia

A quem precisa de ir a pé


 


E é como quando pensas que estás a chegar

E não deste um passo


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fênix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa


 


Hoje até o ar anda cansado

Preciso de um enigma

Para pôr fim ao propor

Não sei o que me deu, não costumo estar assim

Desco a rua que passa, rente à boca do mundo


 


Sinto a vida que passa

E os rumores que circulam na boca do mundo


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fénix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa

E é tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


Por fim, por fim...


 


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fênix a arder


Onde estou, nada mais pode crescer

Eu sou assim, uma fénix a arder

São só os meus erros, é toda a minha culpa

É tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


E é tudo o que faço

E é todo o meu cansaço


 


Por fim, por fim...


 


Sinto a vida que passa

Na boca do mundo, não se sabe quem é quem...


 

Um dia como os outros (4)

 


Armando Vara suspendeu o mandato de Vice-Presidente do BCP, atitude que só o dignifica. Outros, noutras empresas, poderiam seguir-lhe o exemplo.


 


(Também aqui)


 

E já lá vão 4 anos

 


A reserva impede-me de nomear o autor desta prenda de aniversário pelo quarto ano que o Defender o Quadrado faz hoje.


 


Mas que é uma bela homenagem, tenho que concordar que sim.


 


Para todos os que por aqui vão passando, obrigada. Quanto ao Kermit (antes Rechoncha), continuaremos a comparar notas.


 


A Miss Piggy (antes Bonemine), continuará a atacar.


 


04 novembro 2009

Aglomerado governamental

 



I wonder

Frode Inge Helland


 


Vamos lá a ver se entendi.

 


O PS apresentou um programa eleitoral que foi discutido na campanha para as eleições legislativas.

 


O PS ganhou as eleições sem maioria absoluta.

 


O PS formou governo.

 


O PS entregou à Assembleia um programa de governo baseado naquilo que apresentou ao eleitorado e que este votou maioritariamente.

 


Os partidos da oposição estão varados de espanto. Pelos vistos o PS deveria ter apresentado uma miscelânea, um aglomerado, um projecto de negociação sobre a sua própria governação, perguntando primeiro à Assembleia quais as opiniões, estratégias, decisões e políticas que, no entender do conjunto dos partidos que perderam as eleições e que não formaram governo, após eleições democráticas, autorizam o PS a executar.


 


Pois.


 


(Também aqui)


 

Falta de seriedade

 


A proposta do CDS/PP sobre a avaliação do desempenho dos professores contém:



  • A enumeração de objectivos por parte dos avaliados, que têm que estar em consonância com os objectivos enunciados pela própria escola

  • A entrega, no fim de cada ano, por parte dos avaliados, de um relatório, portfolio de auto-avaliação, onde estarão discriminados os objectivos atingidos, as acções de formação organizadas/participadas, trabalhos efectuados, dentro do espírito da formação contínua.


Os avaliadores são o conselho pedagógico e o presidente do conselho executivo (que pode delegar noutras pessoas/docentes) e deve avaliar (entre outros):



  • O relatório da auto-avaliação, avaliando o seu acordo/desacordo com ele, com recurso a entrevistas individuais

  • O nível de assiduidade dos docentes

  • O grau de cumprimento dos serviços distribuídos (componente lectiva e não lectiva), avaliando prazos e objectivos alcançados

  • Participação do avaliado na comunidade escolar

  • Acções de formação frequentadas

  • Participação em projectos (investigação/desenvolvimento educativo)

  • Grau de cumprimento dos objectivos fixados


As classificações são de 1 a 10, divididas em insuficiente, regular, bom, muito bom e excelente.


 


A diferença entre esta proposta e a que está em vigor é que não inclui a avaliação da componente científico pedagógica, com assistência pelos avaliadores às aulas dos avaliados.


 


Falta muita seriedade na discussão deste tema. O oportunismo e a demagogia do CDS e de Mário Nogueira são, de facto, notáveis.


 


(Também aqui)


 

02 novembro 2009

Um dia como os outros (3)

 


Hamid Karzai foi declarado o vencedor das eleições presidenciais no Afeganistão. O simulacro de democracia desapareceu definitivamente deslegitimando todo o processo eleitoral.


 


Entretanto os talibãs paquistaneses continuam a sua acção, matando mais 34 pessoas em Rawalpindi.


 


(Também aqui)


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...