01 novembro 2009

Um dia como os outros (2)

 


Um novo começo


 


(...) Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas. (…)




Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. (...)


 



Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia. (...)

 


(Também aqui)


 

Detalhes

 



Salvador Dali


Les Chants de Maldoror


 


Nas sombras que nos distinguem

no arrastar do tempo em que já não seremos

há sólidos murmúrios de cansaço

em que contamos os dias sem somar

pequenos detalhes de desgaste.


 

Sinfonia em Fá (1º andamento)

 



P. G. Avondano


Divino Sospiro


Capela da Bemposta


 

Danças de salão

 


A coreografia montada visando a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente do PSD é mais um passo atrás na resolução da substituição geracional que, tal como noutros partidos, é indispensável que se faça no PSD.


 


A rapidez e os apoios à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, que surge mais uma vez como a única salvadora e credível, para o partido e para o país, são tanto mais estranhos quanto seria razoável o resguardar da figura do Professor para a Presidência da República, já que a recandidatura de Cavaco Silva é cada vez mais improvável.


 


O que levanta a questão de haver sectores no PSD que não verão com grande entusiasmo a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa ser Presidente da República. Estou convencida que o próprio Marcelo deve pensar que esta é a pior altura para tal dilema.


 


Assistiremos portanto a várias danças de salão, umas mais sofisticadas que outras, entre os vários actores na esfera do PSD, mais interessados na sua ambição e nas suas carreiras que na construção de uma oposição a sério e de uma alternativa de governação.


 


(também aqui)


 

A questão das demissões

 


A investigação de casos de corrupção que envolvem directamente agentes do estado, como é o caso Face Oculta, é mais um aviso da necessidade de uma justiça mais célere e mais transparente para restaurar a confiança dos cidadãos na administração pública, central e local.


 


É preocupante o avolumar de casos a investigar e a não conclusão definitiva de nenhuma destas operações necessariamente mediáticas, como os casos Freeport, Portucale, Apito Dourado, Operação Furacão, etc. A promiscuidade entre política, empresas que dependem do estado ou privadas, futebol, o tráfico de influências, os favorecimentos ilícitos e, sobretudo, o sentimento de impunidade que alastra a toda a sociedade são extremamente perniciosos para o próprio regime democrático.


 


No caso mais recente, Armando Vara foi constituído arguido. Independentemente do facto de qualquer pessoa ser considerada inocente até que se prove o contrário, como é possível que não apresente a demissão da Vice-Presidência do BCP? A sua manutenção no cargo vai tornar-se rapidamente num embaraço para o BCP assim como para o governo, para além de ser também uma questão de dignidade pessoal. Vítor Constâncio (personagem que perdeu credibilidade ao longo destes últimos 4 anos, nomeadamente com os casos BCP e BPN e BPP) já fez saber que “(…) Enquanto regulador, (…) questiona a idoneidade do vice-presidente do BCP (…)”.


 


O que se passou com o arrastar e atrasar do pedido de demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado deveria transformar-se num exemplo a não seguir.


 


(Também aqui)

 

31 outubro 2009

Um dia como os outros (1)

 


Depois de Obama ter anunciado o fim da proibição de entrada nos EU aos portadores de HIV, Fidel Castro acusa Obama de ter introduzido a gripe A em Cuba.


(Também aqui)


 


Adenda: afinal parece que Fidel Castro não disse bem isso. Nada de novo, eu é que me esqueço com frequência: não se pode acreditar no que se lê nos jornais, nem no que se ouve na rádio).


 

29 outubro 2009

Singularidades

 



 


Há algumas coisas que me fascinam. A forma como se baptizam as operações e os casos que estão sob investigação é fantástica: o caso mediático mais recente é o Face Oculta. Não é maravilhoso? Claro que todos já se declararam obviamente inocentes e de consciência tranquila. E claro que agora vamos todos tecer considerações e enveredar pelo jornalismo e comentarismo de investigação para decidirmos na praça pública o que aconteceu. Nem sei para que precisamos de advogados, juízes e tribunais.


 


Outra coisa fascinante é o sentido de organização, de simetria, direi mesmo de estética de quem, na sombra, arruma todas as armas, munições, dinheiro, cordas, algemas, facas, enfim, tudo o que se encontra nas casas, nos barcos, nos armazéns em que os meliantes são descobertos com armas ilegais, droga ou outras mercadorias. Outro dia foi na casa de um padre. E lá nos deparámos com uma mesa primorosamente arranjada com todas aquelas espingardas e balas, umas para cima outras para baixo, arrumadas por dimensões, em sentido crescente ou decrescente. É fantástico.


 



 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...