P. G. Avondano
Divino Sospiro
Capela da Bemposta
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
A coreografia montada visando a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como presidente do PSD é mais um passo atrás na resolução da substituição geracional que, tal como noutros partidos, é indispensável que se faça no PSD.
A rapidez e os apoios à candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, que surge mais uma vez como a única salvadora e credível, para o partido e para o país, são tanto mais estranhos quanto seria razoável o resguardar da figura do Professor para a Presidência da República, já que a recandidatura de Cavaco Silva é cada vez mais improvável.
O que levanta a questão de haver sectores no PSD que não verão com grande entusiasmo a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa ser Presidente da República. Estou convencida que o próprio Marcelo deve pensar que esta é a pior altura para tal dilema.
Assistiremos portanto a várias danças de salão, umas mais sofisticadas que outras, entre os vários actores na esfera do PSD, mais interessados na sua ambição e nas suas carreiras que na construção de uma oposição a sério e de uma alternativa de governação.
(também aqui)
A investigação de casos de corrupção que envolvem directamente agentes do estado, como é o caso Face Oculta, é mais um aviso da necessidade de uma justiça mais célere e mais transparente para restaurar a confiança dos cidadãos na administração pública, central e local.
É preocupante o avolumar de casos a investigar e a não conclusão definitiva de nenhuma destas operações necessariamente mediáticas, como os casos Freeport, Portucale, Apito Dourado, Operação Furacão, etc. A promiscuidade entre política, empresas que dependem do estado ou privadas, futebol, o tráfico de influências, os favorecimentos ilícitos e, sobretudo, o sentimento de impunidade que alastra a toda a sociedade são extremamente perniciosos para o próprio regime democrático.
No caso mais recente, Armando Vara foi constituído arguido. Independentemente do facto de qualquer pessoa ser considerada inocente até que se prove o contrário, como é possível que não apresente a demissão da Vice-Presidência do BCP? A sua manutenção no cargo vai tornar-se rapidamente num embaraço para o BCP assim como para o governo, para além de ser também uma questão de dignidade pessoal. Vítor Constâncio (personagem que perdeu credibilidade ao longo destes últimos 4 anos, nomeadamente com os casos BCP e BPN e BPP) já fez saber que “(…) Enquanto regulador, (…) questiona a idoneidade do vice-presidente do BCP (…)”.
O que se passou com o arrastar e atrasar do pedido de demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado deveria transformar-se num exemplo a não seguir.
(Também aqui)
Depois de Obama ter anunciado o fim da proibição de entrada nos EU aos portadores de HIV, Fidel Castro acusa Obama de ter introduzido a gripe A em Cuba.
(Também aqui)
Adenda: afinal parece que Fidel Castro não disse bem isso. Nada de novo, eu é que me esqueço com frequência: não se pode acreditar no que se lê nos jornais, nem no que se ouve na rádio).
Há algumas coisas que me fascinam. A forma como se baptizam as operações e os casos que estão sob investigação é fantástica: o caso mediático mais recente é o Face Oculta. Não é maravilhoso? Claro que todos já se declararam obviamente inocentes e de consciência tranquila. E claro que agora vamos todos tecer considerações e enveredar pelo jornalismo e comentarismo de investigação para decidirmos na praça pública o que aconteceu. Nem sei para que precisamos de advogados, juízes e tribunais.
Outra coisa fascinante é o sentido de organização, de simetria, direi mesmo de estética de quem, na sombra, arruma todas as armas, munições, dinheiro, cordas, algemas, facas, enfim, tudo o que se encontra nas casas, nos barcos, nos armazéns em que os meliantes são descobertos com armas ilegais, droga ou outras mercadorias. Outro dia foi na casa de um padre. E lá nos deparámos com uma mesa primorosamente arranjada com todas aquelas espingardas e balas, umas para cima outras para baixo, arrumadas por dimensões, em sentido crescente ou decrescente. É fantástico.
Esta legislatura anuncia-se peculiar. Há como que um entendimento oficioso e informal de que é a oposição que deve governar.
Na área da Educação os partidos da oposição multiplicam-se em contactos e iniciativas, ouvem e negoceiam com sindicatos que, por sua vez, já tornaram públicas as suas opiniões e exigências em relação à suspensão da avaliação dos professores e do estatuto da carreira docente.
Aguarda-se que o governo e a ministra se pronunciem em relação à opinião da maioria negativa.
Na área da Saúde dá a sensação que todo o ministério se fundiu no Hospital Central de Portugal em que a Presidência do Conselho de Administração, a Direcção Clínica e o Gabinete de Imprensa são assegurados pela Dra. Ana Jorge. Esse Hospital Central de Portugal é o centro de referência da pandemia de gripe A. São produzidos boletins clínicos com periodicidade quase diária.
A política de saúde auto suspendeu-se por prazo incerto, mas teme-se que esteja de baixa prolongada.
Nota: também aqui.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...