Pink Martini
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Esta legislatura anuncia-se peculiar. Há como que um entendimento oficioso e informal de que é a oposição que deve governar.
Na área da Educação os partidos da oposição multiplicam-se em contactos e iniciativas, ouvem e negoceiam com sindicatos que, por sua vez, já tornaram públicas as suas opiniões e exigências em relação à suspensão da avaliação dos professores e do estatuto da carreira docente.
Aguarda-se que o governo e a ministra se pronunciem em relação à opinião da maioria negativa.
Na área da Saúde dá a sensação que todo o ministério se fundiu no Hospital Central de Portugal em que a Presidência do Conselho de Administração, a Direcção Clínica e o Gabinete de Imprensa são assegurados pela Dra. Ana Jorge. Esse Hospital Central de Portugal é o centro de referência da pandemia de gripe A. São produzidos boletins clínicos com periodicidade quase diária.
A política de saúde auto suspendeu-se por prazo incerto, mas teme-se que esteja de baixa prolongada.
Nota: também aqui.
Não percebo porque é que um grupo de socialistas católicos pretende um referendo sobre o casamento entre homossexuais.
Caso este seja legalizado, será o casamento civil. O casamento religioso será sempre conforme os preceitos da religião, neste caso os da Igreja Católica. Ou será que querem referendar a hipótese de haver casamento religioso para homossexuais? Pois, mas para isso não serve um referendo.
Os católicos ofendem-se com frequência e tendem a pretender que todos sigam as suas ideias, os seus valores, as suas escolhas.
O programa do governo era explícito nessa matéria e essa já foi sufragada. Caso seja legalizado o casamento entre homossexuais, ninguém será obrigado a ser homossexual, ninguém será obrigado a casar. Apenas se abrirá a possibilidade de dois cidadãos do mesmo sexo celebrarem um casamento civil.
Um referendo pedido por um grupo de católicos? Não percebo.
Nota: também aqui.
pintura de Gustave Doré
A morte de Abel
Génesis
Capítulo IV
Bíblia Ilustrada, tradução de João Ferreira Annes de Almeida; apresentação e fixação do texto: José Tolentino Mendonça; ilustrações: Ilda David; Assírio & Alvim
Caim (lança) o primogénito, talvez o preferido de Eva, Caim o lavrador, aquele que faria o bem para que fosse recompensado, aquele que ferveria de ciúmes perante Abel (nada), que era crente e solícito, que era bom.
Caim, aquele que escolheu o mal, aquele que pecou, aquele que foi condenado a prisão perpétua e não à morte, o que fugia de Deus e da voz do sangue do seu irmão, aquele que viveu a leste do Paraíso.
Caim, o escolhido por Deus como exemplo, o escolhido de Deus como sinal do lado negro do homem, o escolhido por Deus como prova. Caim, o sacrificado por Deus.
Esta história é uma história de humanidade e desumanidade, de amor, paixão, ciúme e morte, de condenação sem perdão. É uma história de sempre. Crentes, ateus ou agnósticos, há nestes livros uma profunda reflexão sobre nós, como nos vemos, como nos relacionamos, como nos amamos. Podemos sempre interpretá-los de forma literal, mas perderemos um manancial de informação sobre a nossa própria memória ancestral, os nossos medos e os nossos mitos.
Theresienstadt, ou Teresín (em checo) – foi um campo de concentração nazi, desde 1941, para onde se deportavam judeus, definitiva ou transitoriamente, a caminho de Auschwitz.
Era um campo de concentração que, originalmente, foi pensado para albergar a burguesia judaica germanófona. Havia pintores, escritores, músicos, cientistas, diplomatas, professores, etc. Fazia-se uma tentativa de proceder como se a vida decorresse dentro da normalidade, mantendo as crianças nas aulas e uma produção artística que, por entre os horrores que ali se passavam, poderiam sugerir aos presos a ilusão e alguns vislumbres do que era ser-se humano. Chegou mesmo a ser usado como propaganda do regime nazi, que autorizou a Cruz Vermelha a visitá-lo em 1944.
Calcula-se que dos 140.000 deportados para Theresienstadt apenas 12.747 sobreviveram à guerra. No Museu Judaico de Praga estão guardadas colecções de desenhos e pinturas realizados pelas crianças e pintores de Theresienstadt. Muitos músicos continuaram a compor no campo de concentração.
Anne Sofie Von Otter, em 2007, publicou um CD com uma compilação de obras de vários compositores de Theresienstadt.
Não encontrei no YouTube nenhum excerto do CD. Mas é lindíssimo. Apenas encontrei uma interpretação de uma sonata para violino, de Erwin Schulhoff.
Yvonne Smeulers
Adenda (informação de Eugénia de Vasconcellos): ver o livro de Daniel Blaufuks.
pintura de Grady Zeeman
Unemployment Line
Os jornais fazem eco da incapacidade que há em conter o crescimento do desemprego, mesmo com programas de combate como os que o governo tem vindo a desenvolver.
Este será o maior problema e o maior desafio que se colocará ao governo, às entidades patronais e aos sindicatos.
Na verdade a flexibilização do mercado laboral deverá ser estudada, de forma a incentivar a contratação de desempregados de longa duração ou de 1º emprego, mesmo que não seja para contratos sem termo. A precariedade do emprego é uma realidade e é de combater. Mas não se compreende que haja empregos quase vitalícios, em que os empregadores estão impedidos de substituir trabalhadores, muitas vezes totalmente incompetentes e inadaptados, em que já se investiu, formou, etc., mas que, pura e simplesmente, não estão interessados em mudar, sacrificando imensos potenciais excelentes trabalhadores mais qualificados que não conseguem sequer iniciar-se no mercado de trabalho.
Nesta situação todos são responsáveis inclusivamente as estruturas sindicais, que todos os anos clamam pelas justas lutas dos trabalhadores, mas dos trabalhadores entrincheirados em empregos de betão, que apenas estão disponíveis para manter o seu próprio status quo, não se importando nem procurando quaisquer soluções para os que estão desempregados.
Com a queda da inflação neste último ano, que ficará muito abaixo dos aumentos salariais que foram praticados em 2009, qual é a credibilidade de sindicatos que começam as negociações com uma percentagem de aumento de 4,5%? E no entanto, diariamente, mostram a sua preocupação pelo aumento da pobreza e das desigualdades entre ricos e pobres. Não seria mais sério tentar aumentar o salário mínimo e as pensões de reforma, tendo contenção no aumento salarial?
É que nas circunstâncias em que estamos e caso haja deflação, o aumento do poder de compra será para todos os que tiverem emprego. Mas o aumento do desemprego será uma certeza.
Nota: também aqui.
A informação é uma arma.
Em relação aos medos e aos mitos sobre a gripe A e a vacinação o melhor é estudar, procurar e ser crítico perante o que se ouve.
Encontrei um and-reality-check.htm">blogue muito interessante sobre doenças infecciosas, com vários posts sobre a gripe, comparação entre a gripe a e a sazonal, nomeadamente em termos de mortalidade, desmistificação do medo em relação à insegurança sobre as vacinas, explicando que a forma com é feita a vacina para a gripe A é idêntica à da sazonal, com os mesmos ingredientes (com excepção dos virais, obviamente), alertando para quem deve ser vacinado com a vacina injectável (a vírus mortos - aquela que existe em Portugal) e a de aspersão (a vírus atenuados).
Encontrei também informação sobre a eventual associação entre a vacina para a gripe A e a Síndroma de Guillan Barré, uma doença neurológica rara que afectou doentes na década de 70, quando se iniciou um plano de vacinação contra a gripe suína. Explica o que se passou e o que se está a passar, relatando que a vacina de agora é idêntica à da gripe sazonal, não tendo acontecido essa associação com a vacina para a gripe sazonal.
Vale a pena ler consultar estes sites e, serenamente, enfrentar as ondas de desinformação e de propaganda de todos os tipos que nos inundam.
Adenda 1: vale a pena ler a informação da CDC sobre a epidemiologia da gripe A no hemisfério sul (23/10/2009) e um documento de esclarecimento produzido pelo Department of Health, NHS, UK.
Adenda 2: a informação sobre a pandemia de H1N1, da OMS, diz o seguinte:
As of 17 October 2009, worldwide there have been more than 414,000 laboratory confirmed cases of pandemic influenza H1N1 2009 and nearly 5000 deaths reported to WHO.
As many countries have stopped counting individual cases, particularly of milder illness, the case count is significantly lower than the actually number of cases that have occurred. WHO is actively monitoring the progress of the pandemic through frequent consultations with the WHO Regional Offices and member states and through monitoring of multiple sources of data.
Com estes resultados significa que a mortalidade desta gripe será inferior à que podemos determinar apenas com os casos confirmados laboratorialmente: 1,2%.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...