01 outubro 2009

Gente

 


 


é tudo gente morta


Gente eterna acordada


em terras alheias e quentes


em terras fundas carentes


 


gente só rejeitada


em risos rictos assentes


em tábuas rasas ardentes


 


gente de ferro tatuada.


 

Période bleue

 



Canta Jane Birkin


 


Je cherche les images roses

Suppose que je me sois trompée

Je trouve un polar gai

Toi en panama "la baie d'Along"

Et moi ma robe en soie

La troll avec ses larges oreilles

Gentille comme Simplet

Et parce que je partais la nuit

Comme allumeuse de jonque

Tu m'as prise sur la banquette

Pleurant, saké sanglant


 


C'est toujours ainsi que la rose est ternie

Mon souvenir s'fait le tri, mettant autant de bleu que de gris


 


Si je cherche des souvenirs roses

Il y a un carnet qui dispose

De belles images de nous en Bretagne et

Qui posent

Et je creuse sur la plage

J' trouve partout ton image

J'entends comme une cornemuse

Tu n'es pas là

Et les feuilles s'amusent

Dans le vent

Embarquant les papiers blancs


 


C'est toujours ainsi que la rose est ternie

Mon souvenir s'fait le tri, mettant autant de bleu que de gris


 


Revenant au carnet rose

Tu as sauvé mon toutou

Parce qu'il était à moi

Je suppose

Car, mon Dieu, t'aimes pas les chiens

Mais t'étais très chic avec le mien

Je trie

Comme quelqu'un qui perd les pages

Y a du vent sur la plage

Et c'est vrai, l'autre soir

J'ai failli te ranger dans un bouquin noir


 


C'est toujours ainsi que la rose est ternie

Mon souvenir s'fait le tri, mettant autant de bleu que de gris


 


Aujourd'hui, parce qu'il fait beau,

J' pense à toi et ton bateau

Aujourd'hui, parce qu'il pleut plus,

Je regrette ton absence, dépourvue


 


Mon souvenir s'fait le tri, mettant autant de bleu que de gris.


 

Cinema Francês

 



 


De 7 de Outubro a 10 de Novembro decorrerá a 10ª Festa do Cinema Francês, nas cidade de Lisboa, Almada, Porto, Guimarães, Faro e Coimbra.


 


Novos autores, curtas-metragens, homenagem a Agnès Varda, concertos com Jane Birkin e Moriarty, muitas razões para seguir sem descanso esta festa, e participar nela.


 

30 setembro 2009

Do regular funcionamento das instituições

 



 


TÍTULO II

Presidente da República

CAPÍTULO I

Estatuto e eleição

Artigo 120.º

Definição

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.


 


 


Em Agosto do ano passado, a propósito do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, Cavaco Silva abriu um conflito institucional com a Assembleia da República. Para quem ainda se lembra, o Presidente dirigiu-se ao país queixando-se de falta de lealdade para com ele, pelo facto dos partidos políticos (todos os partidos políticos) não terem feito as correcções que exigia para a sua promulgação.


 


Embora e Estatuto tenha sido aprovado por unanimidade, tudo se passou como se apenas o PS não tivesse acatado as orientações presidenciais. Significativamente, Cavaco Silva não tinha pedido a fiscalização, pelo Tribunal Constitucional, do artigo que o levou a vetar o Estatuto. Nessa altura sugeri que talvez Cavaco Silva tivesse agido propositadamente para obrigar o PS a defender a Assembleia sozinho, ficando com o ónus do início do fim da cooperação estratégica.


 


Neste momento as manobras, que as houve, de manipulação política foram, na minha opinião, engendradas pela Presidência da República com o objectivo, que vem desde essa altura, de intervir activamente no poder executivo, alicerçado ainda no facto de Manuela Ferreira Leite ter assumido a liderança do PSD.


 


Parece-me a única explicação possível para a atabalhoada e desconexa declaração de ontem, pois as manobras foram mal executadas e postas a público. E aquilo que seria uma fabricação de notícias que visavam fundamentar a tese da asfixia democrática e da censura à TVI, tese única e avassaladora da campanha do PSD, transformou-se num pesadelo quando foi publicado o e-mail no DN.


 


Não sei como tudo isto irá acabar. Mas os rumores que se começam a ouvir e as sugestões que já se lêem da hipótese de o Presidente favorecer a formação de um governo de coligação PSD-CDS, demonstram a vontade de alguns em que Cavaco Silva faça um golpe de estado palaciano.


 


Dizem-me que isto não tem importância. Pois a importância que lhe dou é que a definição constitucional de Presidente da República está totalmente desvirtuada. Neste momento o Presidente é o principal causador da desunião do Estado e do irregular funcionamento das instituições democráticas.


 


(É ou não uma excelente teoria da conspiração?)


 

29 setembro 2009

Ressuscitou

 



 


Pacheco Pereira ressuscitou.


 

Dos medos presidenciais

 


Cavaco Silva falou ao país, depois de semanas de silêncio, para dizer que se tinham ultrapassado limites e decência.


 


De facto eu estou de acordo.


 


A declaração do Presidente começou em Agosto deste ano quando o e-email, do qual tem dúvidas da veracidade, tem a data de Abril de 2008.


 


A declaração do Presidente começa pelas acusações de Vitalino Canas em como os seus assessores ajudavam o PSD e de como teria tido o PS acesso a essas informações, quando as mesmas já tinham sido noticiadas no Semanário e no blogue de campanha de Manuela Ferreira Leite.


 


A declaração do Presidente continua pela tese da manipulação não desmentindo categoricamente nem o conteúdo do email nem as suas desconfianças de vigilância.


 


A declaração do Presidente acaba pateticamente com a dúvida da segurança das redes informáticas.


 


Cavaco Silva não está à altura de exercer o seu cargo.


 


Aguardamos penosamente o desenvolvimento dos próximos capítulos.


 

Das explicações presidenciais

 


O Presidente da República fala hoje ao país. Todos estamos ansiosos perante a eventual gravidade de que se revestem as explicações atrasadas do mais alto magistrado da nação.


 


Temos a tese de Pacheco Pereira, em como os assessores do Primeiro-ministro montaram a operação Diário de Notícias, que nuca foi bem explicada até porque a história começou no Público.


 


Cavaco Silva fala hoje ao país. Esperemos que diga alguma coisa.


 

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...