13 maio 2009

Grão de amor

 



(Tribalistas)


 


 


Me deixe sim, mas só se for

Pra ir ali e pra voltar

Me deixe sim, meu grão de amor

 


Mas nunca deixe de me amar


Agora as noites são tão longas

No escuro, eu penso em te encontrar

Me deixe só até a hora de voltar


 


Me esqueça sim. pra não sofrer

Pra não chorar, pra não sentir

Me esqueça sim, que eu quero ver

Você tentar sem conseguir


 


A cama agora está tão fria,

Ainda sinto seu calor

Me esqueça sim

Mas nunca esqueça o meu amor


 


É só você, que vem no meu cantar, meu bem

E só pensar que vem, lara ra ra


 


Me cobre mil telefonemas

Depois me cubra de paixão ..

Me pegue bem

Misture alma e coração.


 

12 maio 2009

Pressões

E o relatório que deveria chegar hoje às mãos de Pinto Monteiro já tinha chegado antes às mãos dos jornalistas da TSF, do Público, do DN e sabe-se lá a quem mais.


 


Mas pelo menos, finalmente, alguma comissão de inquérito ou de averiguações inquiriu e averiguou alguma coisa.


 


Houve pressões aos magistrados que investigam o Freeport, essas pressões foram consideradas ilegítimas e o Procurador Geral da República vai levantar um processo disciplinar ao procurador-geral adjunto José Luís Lopes da Mota.


 


Esperemos que o processo corra célere e que sejam apuradas todas as responsabilidades. Será que Lopes da Mota agiu assim com intenção ou não? Por moto próprio ou como mensageiro?


 


Isso é que é importante. Será desta que a justiça se redime?


 


Adenda: Já agora convinha que o PS não comentasse este tipo de decisões, pois deve ser a justiça a funcionar. O mesmo vale para todos os outros partidos, mas Lopes da Mota deveria pedir a demissão até tudo estar esclarecido.

 

11 maio 2009

Mapa

 



(Autor desconhecido)


 


Desenhei um mapa

usando cada momento de dor

como postes vermelhos

cada ruga como estrada

em escala real proporcional

aos desertos em que semeei

areias e ventos.


 


Desdobrei-o esticando o corpo

mas o mapa apenas indica

a direcção sem destino

que diariamente percorro.


 

Só agora

 



(pintura de Valery Koshlyakov)


 


Só agora reparo no cansaço

atroz e desumano de perder

todos os dias vontade de abrir

as janelas do carro

de ligar as vozes que esperam

dentro da minha cabeça.


 


Só agora reparo na disforme

e descarnada memória

que todos os dias me acorda

o brilho novo das ideias

da certeza de me erguer.


 


Só agora reparo que ainda

faltam muitas perdas

muitas janelas fechadas

muitos sussurros ausentes.

E a estrada que não acaba.

 

As vozes do rio Pamano

 



 


É de solidão que nos fala o livro de Jaume Cabré. Da solidão do heroísmo e da cobardia, da solidão do amor e do ódio, da solidão do segredo e da tortura, da solidão do medo, da solidão das mães e dos pais, da solidão dos filhos, da solidão da vingança e da fé, da solidão dos fortes e dos fracos.


 


É de histórias encobertas de gente que se esconde, da verdade sepultada e do teatro dos vencedores. É de gente que desesperadamente tenta sobreviver, que desesperadamente pergunta, que em segredo desdenha e luta, que do poder faz uma prisão.


 


Uma professora encontra nas ruínas de uma escola primária a história das ruínas da vida de uma aldeia catalã, imediatamente após a guerra civil, contada por um professor primário que se torna um lutador pela liberdade de quem foge da Guerra Mundial, que se revolta contra o regime franquista depois de ser abandonado pela mulher, dilacerada pela sua cobardia na altura do assassinato de uma criança.


 


A história da busca pela verdade, pelo desmascarar da farsa que transformou esse herói secreto da resistência em falangista, beato e candidato a santo, a tentativa de desatar os silêncios de quem calou a vida inteira ódios e amores, a história de um poder assassino por vingança, a história de um amor desesperado, entrelaça-se com a vida desta professora, que procura no passado o remédio para a sua própria vida. Como o fazemos todos.

 

10 maio 2009

Bem que se quis

 



(Marisa Monte)


 


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem que se quis

Depois de tudo

Ainda ser feliz

Mas já não há

Caminhos prá voltar

E o quê, que a vida fez

Da nossa vida?

O quê, que a gente

Não faz por amor?...


 


Mas tanto faz!

Já me esqueci

De te esquecer

Porque!

O teu desejo

É meu melhor prazer

E o meu destino

É querer sempre mais

A minha estrada corre

Pro seu mar...


 


Agora vem, prá perto vem

Vem depressa, vem sem fim

Dentro de mim

Que eu quero sentir

O teu corpo pesando

Sobre o meu

Vem meu amor, vem prá mim

Me abraça devagar

Me beija e me faz esquecer...


 


Bem Que Se Quis!...


 

Em Maio

 



(pintura de Sandra Merwin: raven wind)


 


 


Havia nos dias de Maio a promessa

de uma juventude eterna

as cores intensas dos mitos

a crença inabalável no amor.

Havia nos dias de Maio

o início que nunca seria fim.


 


Hoje os dias de Maio


são como dias de Setembro

amarfanhados e crepitantes

no assobio do vento.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...