Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos,
melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Metástase (do grego mudança de lugar) é uma palavra que, em linguagem médica, significa que há um foco secundário de uma determinada patologia, habitualmente referindo-se a neoplasias malignas, não contíguo ao primeiro foco, ou original.
No caso das neoplasias malignas, ou cancros, é necessário que as células do tumor adquiram propriedades de mobilidade e capacidade de sobrevivência, no que diz respeito à sua longevidade mas também à possibilidade de promoverem meios para a sua própria nutrição.
Por outro lado, e segundo trabalhos de investigação que se têm realizado já há alguns anos, também há alterações nos micro ambiente dos órgãos que acolhem essas células viajantes, possibilitando a formação de ninhos tumorais que ganham hipóteses de crescer, de sobreviver e de, eles próprio, enviarem outras células com maiores capacidades de invadirem a corrente sanguínea e de se instalarem noutros locais.
A capacidade de metastizar pode transformar um tumor curável numa doença incurável e rapidamente fatal. Assim há cada vez mais investimento na investigação das propriedades celulares que potenciam a capacidade de se transferirem, de mudarem de casa, assim como nas características das casas para onde elas se querem transferir, para que seja possível prevenir esses acontecimentos, ou tratar os focos metastáticos impedindo-os de crescerem e de se reproduzirem.
Entretanto os candidatos do PS, que se esqueceram totalmente dos problemas europeus, do Tratado de Lisboa, da organização europeia, da adesão dos novos estados, da discussão dos federalismos, dos nacionalismos, dos proteccionismos, das imigrações, das políticas sociais europeias, enfim, da Europa, somam disparates atrás de disparates, como a que levou Elisa Ferreira a confundir o Estado com o PS, o que é gravíssimo, além de, num assomo de bairrismo portista, assumir que o seu nome na lista do PS para a Europa é apenas para fazer número.
Ouvi a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu ao i. Percebo a sua defesa de governos minoritários e entendo que desdramatize a mais que provável existência de um próximo governo minoritário, não do PSD, como ela diz, mas do PS. Apesar de eu considerar que seria melhor manter a maioria absoluta ao PS, não perfilho o apocalipse anunciado se o PS não a conseguir, que é quase certo, nem concordo com a visão de crise política se não houver coligações.
Mas Manuela Ferreira Leite arrependeu-se depressa da sensatez e recuperou rapidamente a demagogia mais populista com as afirmações que fez ontem, em Leça de Palmeira.
O que é intolerável é a insinuação de falta de democracia que parece ser o lema do PSD para estas próximas eleições. É a pior forma de branquear o que é viver em ditadura.
De facto a população vive num país em que a justiça não funciona e coloca em perigo o estado democrático. Mas Manuela Ferreira Leite não pode esquecer-se nem passar um pano sob as suas responsabilidades e as do seu partido nestes 35 anos de ausência de reformas no sistema de justiça. Mais uma vez a demagogia populista tomou conta da campanha do PSD.