Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 2º movimento
Violoncelista: Jacqueline du Pré
Maestro: Daniel Barenboim
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Edward Elgar: Concerto para violoncelo - 2º movimento
Violoncelista: Jacqueline du Pré
Maestro: Daniel Barenboim
O dia da mulher é todos os dias.
Todos os dias em que lutam pelo seu sustento, pela sua dignidade, pela sua profissão, pelos seus direitos, pela sua felicidade.
Todos os dias em que contam o dinheiro, em que lavam, vestem, alimentam, acarinham e castigam os filhos.
Todos os dias em que se olham ao espelho e esticam com os dedos a pele das rugas, em que reinventam o brilho dos olhos e da alma.
Todos os dias em que amam e odeiam, em que riem e choram, em que se dão e se usam.
Todos os dias.
Tal como eles.
As declarações de José Lello são o que de pior se pode fazer. Se mandatado ou não para malhar em Manuel Alegre, a acusação de falta de carácter é mentirosa.
Manuel Alegre pode ser muita coisa e, ultimamente, parece estar a fazer todos os possíveis para perder a credibilidade que tinha, mas a falta de carácter é de quem assim o apelida.
O pedido de Sócrates para uma nova maioria absoluta é natural e lógica. Da parte dele, do PS e de uma governação estável.
As maiorias absolutas têm, na minha opinião, mais desvantagens que vantagens. E a do PS de Sócrates, tal como as do PSD de Cavaco anteriormente, é disso plena demonstração. O governo tende a hegemonizar-se na discussão política, desvalorizando e desprezando os debates parlamentares. No último que vi, Sócrates não respondeu a uma única pergunta da oposição, aproveitando o tempo que lhe cabia para falar contra as oposições e fazer propaganda política.
Por outro lado, as maiorias absolutas de um partido apagam os debates no seio dos próprios partidos, eternizando-se a solução única, condenando-os a uma travessia do deserto após a queda do líder. Foi assim no PSD e será assim no PS.
No contexto político em que estamos, no entanto, no Portugal de 2009, temos uma esquerda em que o BE já afirmou que nunca viabilizará um governo do PS, nunca se coligará nem apoiará o PS, porque o seu objectivo não é governar mas ser oposição, sempre. Por outro lado há o PCP que tem uma visão da sociedade que não evoluiu desde 1974, começando no discurso de Jerónimo de Sousa e acabando no sindicalismo que lhe está afecto.
Se o PS não tiver maioria absoluta resta-lhe formar um governo minoritário, com o tempo de vida que se lhe adivinha, ressuscitar o bloco central, que é no que parece apostar o PSD, ou depender de Paulo Portas.
Portanto António Costa tem toda a razão: quem quer votar à esquerda só pode votar PS ou então arrisca-se a fazer o jogo da direita. O BE colocou-se na posição de abrir a porta a governos de ou com a direita, mesmo que a votação na esquerda seja largamente maioritária.
Estes são os paradoxos a que pode conduzir o populismo. Mas não será nenhuma tragédia, nem nenhum colapso governativo. Será apenas uma solução pior que a da maioria absoluta do PS.
Nunca resisto a um desafio destes.
No livro que tenho mesmo à mão (Campos de Castilla, de Antonio Machado), na pág. 161, a 5ª frase completa é uma parte de um poema que se chama La Casa:
(...)
Al arrimo del rescoldo
del hogar borbollonean
dos pucherillos de barro,
que a dos familias sustentan.
(...)
É claro que vou desafiar mais cinco, tal como me compete:
Segue a roda.
Em tempos de crise são sempre elas as primeiras e as que mais gravemente a sentem.
Não só porque ganham menos que eles, como porque perdem mais rapidamente o emprego, como porque ainda têm que prover ao sustento e acompanhamento dos filhos, netos e pais.
São sempre mais pobres e por mais tempo. Portugal, infelizmente, não é excepção, antes a regra.
No DN de hoje vem uma reportagem sobre as penhoras e os endividamentos extremos das famílias.
Conta, entre outros casos, o de um casal com 2 filhos que tinha um endividamento ao banco de €200.000, pela compra de uma vivenda com 2 andares, jardim e garagem, quando os seus ordenados eram de €1.200 (ela) e o ordenado mínimo nacional (ele), em 2003.
Não perderam o emprego, não adoeceram. Apenas estavam a viver muito acima das suas possibilidades. A preocupação da senhora era como explicar ao filho mais novo porque tinham mudado de casa (andar de 3 assoalhadas). Pois, talvez fazer-lhe ver que não tem dinheiro para manter a casa grande.
Este ciclo vicioso de ter que aparentar uma imagem de riqueza e bem-estar, de ter que prover a todas as necessidades que imaginamos que existem às nossas crianças, de haver bancos que emprestam estas quantias de dinheiro com juros que se antecipa que serão impossíveis de pagar a curto ou a médio prazo, é o que temos que quebrar na nossa cabeça.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...