01 fevereiro 2009

Barcelona

 



Giulia y los Tellarini


 


 


Por qué tanto perderse

tanto buscarse, sin encontrarse.

Me encierran los muros de todas partes.

Barcelona


 


Te estás equivocando

no puedes seguir inventando

que el mundo sea otra cosa

y volar como mariposa.

Barcelona


 


Hace un calor que me deja

fría por dentro

con este vicio de vivir mintiendo

que bonito sería tu mar

si supiera yo nadar.

Barcelona


 


Mi mente tan llena

de cara de gente extranjera,

conocida, desconocida

he vuelto a ser transparente.

No existo más.

Barcelona


 


Siendo esposa de tus ruidos

tu laberinto extrovertido

no he encontrado la razón

por qué me duele el corazón

Barcelona


 


Porque es tan fuerte

que sólo podré vivirte

en la distancia y escribirte

una canción.

Te quiero, Barcelona


 

Breve canção

 



(pintura de Connie Chadwell: A Little Tango)


 


Breve a canção de despedida

entre nuvens penumbras de nós dois

breve a canção entristecida

entre dúvidas de antes e depois.


 


Breve a canção morte querida

divididos os versos sem amor

breve a canção desvanecida

do sangue do sonho e da dor.


 


Breve o momento em que somos

o antes da canção que nos queimou

no amor dos versos que compomos

o depois do amor que nos cegou.

 

Entre dos aguas

 



 


Paco de Lucia


 

Vicky Cristina Barcelona

 


 



 


História de estereótipos de mulheres, de homens e mulheres latinos, do amor em Barcelona e Oviedo, do flamenco e das guitarras, do artista enquanto desequilíbrio e criação, autodestrutivo, das fantasias e da liberdade sexual de quem não tem barreiras.


 


Estereótipos gentis e credíveis, amáveis caricaturas do que somos, filhos do ambiente, das pedras, do vinho, das flores, das cores das cidades meio indígenas aos olhos de um americano como Woody Allen.


 


Não no seu melhor, mas um filme leve e, ao mesmo tempo, um filme que se nos cola como uma máscara invisível, mas que nos assenta bastante bem.

Os Insones

 



 


Tony Bellotto é um escritor brasileiro que também é guitarrista de uma banda rock – Titãs.


 


Não conheço nada da banda rock mas li de novo um livro escrito por ele, Os Insones, que foi uma prenda de Natal gostosíssima.


 


É uma escrita veloz e meio alucinada, totalmente cinematográfica, em que conseguimos ver as personagens e as acções a desenrolarem-se por detrás dos nossos olhos.


 


A violência nas favelas, nos lares da classe média, os idealismos e a sobrevivência sem ideias, as referências adolescentes, as drogas, o cansaço da vida arrumada, a procura do que há do outro lado, a solidariedade, os gangs e a morte, omnipresente, crua e como um hino à insónia de nos imaginarmos num mundo que é assim, mesmo ao lado das nossas vidas, mesmo a entrar-nos pela porta dentro.


 


É muitíssimo bom e, por ironia suprema, li-o em noites de insónia.

Ministério da Saúde - Ana Jorge

A Ministra da Saúde iniciou o seu mandato sob o signo do apaziguamento e de colocar em banho-maria as reformas impopulares que Correia de Campos tinha iniciado.


 


Mais uma vez, a pressão mediática pouco inocente todos os dias ecoava a indignação das populações, os partos nas ambulâncias, as mortes por atraso no socorro, etc.


 


Miraculosamente tudo se apagou desde que Ana Jorge tomou posse. Inclusivamente a situação em Anadia caiu no esquecimento, tendo ficado exactamente na mesma. Os jornalistas nunca mais se lembraram de alertar para essa grande injustiça e ataque à saúde da população.


 


Ana Jorge é uma Ministra que se tem mantido fora das luzes da ribalta, o mais possível. Mas agora recomeçam a virar os holofotes para o que diz.


 


A sua afirmação de que os prematuros deveriam ser tratados apenas em hospitais públicos tem pouco de ideológico e tem muito de profissionalismo e acautelamento da saúde dos mesmos prematuros. O treino de uma equipa de Neonatalogia, médicos e enfermeiros, as condições técnicas e o investimento nessas unidades e, principalmente, o número de prematuros que devem ser assistidos para garantir a melhor competência das equipas não se compadece com a multiplicação de serviços de Neonatalogia em unidades privadas. Aliás, de imediato, o próprio Bastonário da Ordem veio afirmar que esse investimento não interessa às unidades privadas.


 


A defesa do SNS, que Ana Jorge tem inscrita no seu percurso profissional, é uma esperança para que as negociações entre as estruturas sindicais e o ministério corram da melhor forma.


 


A falta de médicos de que muitos governos são responsáveis, pela manutenção de um numerus clausus totalmente irrealista, alimentado pela Ordem dos Médicos, é agora um assunto de emergência nacional. Não há médicos suficientes, os que existem estão numa faixa etária elevada, o que não permite a renovação dos serviços nem a manutenção da qualidade do atendimento por exaustão de meios humanos.


 


Não concordo com a ideia de trazer estudantes portugueses de medicina nas Universidades de Espanha e da República Checa para acabarem o curso em Portugal, porque considero que isso é uma afronta a quem, por motivos económicos, não conseguiu seguir a sua vocação. Mas acho que devem ser dadas todas as condições a quem acaba essa licenciatura, de concorrer em pé de igualdade com os médicos que se formaram em Portugal. Ou até dar-lhes alguns incentivos, pois eles estarão a concorrer já num mercado internacional. Também, haverá injustiça nestas situações, mas será menor e, a verdade é que não há muitas soluções.


 


A tentativa de formação e acreditação dos cursos de medicina e de especialidades médicas de profissionais vindos de países fora da União Europeia, que tem estado a ser efectuado em conjunto com a Fundação Gulbenkian, é também uma proposta de solução. Assim como a possibilidade de abrir vagas para licenciados em áreas de ciências da saúde para quem sempre quis tentar medicina. Não conheço a realidade da Universidade do Algarve, os seus curricula ou os seus métodos de ensino, por isso não me posso pronunciar, mas obviamente é preciso que não tenhamos médicos de primeira e de segunda, sem credibilidade para exercer medicina e tratar os doentes com todos os requisitos de competência e rigor que se exigem aos formados nas outras Faculdades de Medicina.


 


As opções não são muitas. E ainda bem que há ideias, mesmo que algumas não sejam fantásticas. O problema é emergente.

 


Quanto ao facto de os problemas do SNS estarem na sua organização e de serem responsabilidade das Administrações Hospitalares e Direcções dos Serviços, é absolutamente verdade. Mas não é menos verdade que as Administrações são nomeadas pelo Ministério da Saúde. Onde está a avaliação e a demissão dos que não cumprem?


 



 


 

Luta política em baixa versão

Não é possível tentar ignorar a pouca vergonha do que se tem passado com o caso Freeport.


 


Não se trata da investigação do MP, do DCIAP, da PGR, sei lá mais de quem. Trata-se apenas de, a reboque de uma investigação que, como de costume, se arrasta penosamente e sem brio em todos os casos e mais gravosamente, em todos os que envolvem responsáveis políticos, fazer assassinato de caracter com fins políticos.


 


Não é possível tentar ignorar a verdade. A justiça está a ser usada e instrumentalizada por quem está interessado em descredibilizar o Primeiro-Ministro. Tudo é usado, até a compra de uma casa pela mãe de José Sócrates, anos antes do caso que, alegadamente, como agora se diz, está a ser investigado.


 


No início o processo Casa Pia acreditei piamente que haveria gente com cargos de responsabilidade pública que estariam envolvidos, e sempre esperei que a justiça prevaleceria. O resultado foi coisa nenhuma, as prometidas revelações e os terramotos que se iriam sentir apenas se concretizaram na decapitação política do aparelho do PS.


 


Esta é a realidade.


 


José Sócrates não está acima da lei, tal como não está Mário Crespo, Daniel Oliveira, Marcelo Rebelo de Sousa, a D. Anabela do café da esquina ou seja quem for. Se há indícios que levam a investigar processos pouco claros que se investiguem, o que não é possível é manter por semanas esta pressão em cima de um cidadão, com a sensação de que o que interessa não é chegar à verdade.


 


Neste caso, como noutros, a verdade é o que menos interessa. Isto é luta política, na sua mais baixa versão.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...