01 fevereiro 2009

Ministério da Saúde - Ana Jorge

A Ministra da Saúde iniciou o seu mandato sob o signo do apaziguamento e de colocar em banho-maria as reformas impopulares que Correia de Campos tinha iniciado.


 


Mais uma vez, a pressão mediática pouco inocente todos os dias ecoava a indignação das populações, os partos nas ambulâncias, as mortes por atraso no socorro, etc.


 


Miraculosamente tudo se apagou desde que Ana Jorge tomou posse. Inclusivamente a situação em Anadia caiu no esquecimento, tendo ficado exactamente na mesma. Os jornalistas nunca mais se lembraram de alertar para essa grande injustiça e ataque à saúde da população.


 


Ana Jorge é uma Ministra que se tem mantido fora das luzes da ribalta, o mais possível. Mas agora recomeçam a virar os holofotes para o que diz.


 


A sua afirmação de que os prematuros deveriam ser tratados apenas em hospitais públicos tem pouco de ideológico e tem muito de profissionalismo e acautelamento da saúde dos mesmos prematuros. O treino de uma equipa de Neonatalogia, médicos e enfermeiros, as condições técnicas e o investimento nessas unidades e, principalmente, o número de prematuros que devem ser assistidos para garantir a melhor competência das equipas não se compadece com a multiplicação de serviços de Neonatalogia em unidades privadas. Aliás, de imediato, o próprio Bastonário da Ordem veio afirmar que esse investimento não interessa às unidades privadas.


 


A defesa do SNS, que Ana Jorge tem inscrita no seu percurso profissional, é uma esperança para que as negociações entre as estruturas sindicais e o ministério corram da melhor forma.


 


A falta de médicos de que muitos governos são responsáveis, pela manutenção de um numerus clausus totalmente irrealista, alimentado pela Ordem dos Médicos, é agora um assunto de emergência nacional. Não há médicos suficientes, os que existem estão numa faixa etária elevada, o que não permite a renovação dos serviços nem a manutenção da qualidade do atendimento por exaustão de meios humanos.


 


Não concordo com a ideia de trazer estudantes portugueses de medicina nas Universidades de Espanha e da República Checa para acabarem o curso em Portugal, porque considero que isso é uma afronta a quem, por motivos económicos, não conseguiu seguir a sua vocação. Mas acho que devem ser dadas todas as condições a quem acaba essa licenciatura, de concorrer em pé de igualdade com os médicos que se formaram em Portugal. Ou até dar-lhes alguns incentivos, pois eles estarão a concorrer já num mercado internacional. Também, haverá injustiça nestas situações, mas será menor e, a verdade é que não há muitas soluções.


 


A tentativa de formação e acreditação dos cursos de medicina e de especialidades médicas de profissionais vindos de países fora da União Europeia, que tem estado a ser efectuado em conjunto com a Fundação Gulbenkian, é também uma proposta de solução. Assim como a possibilidade de abrir vagas para licenciados em áreas de ciências da saúde para quem sempre quis tentar medicina. Não conheço a realidade da Universidade do Algarve, os seus curricula ou os seus métodos de ensino, por isso não me posso pronunciar, mas obviamente é preciso que não tenhamos médicos de primeira e de segunda, sem credibilidade para exercer medicina e tratar os doentes com todos os requisitos de competência e rigor que se exigem aos formados nas outras Faculdades de Medicina.


 


As opções não são muitas. E ainda bem que há ideias, mesmo que algumas não sejam fantásticas. O problema é emergente.

 


Quanto ao facto de os problemas do SNS estarem na sua organização e de serem responsabilidade das Administrações Hospitalares e Direcções dos Serviços, é absolutamente verdade. Mas não é menos verdade que as Administrações são nomeadas pelo Ministério da Saúde. Onde está a avaliação e a demissão dos que não cumprem?


 



 


 

Luta política em baixa versão

Não é possível tentar ignorar a pouca vergonha do que se tem passado com o caso Freeport.


 


Não se trata da investigação do MP, do DCIAP, da PGR, sei lá mais de quem. Trata-se apenas de, a reboque de uma investigação que, como de costume, se arrasta penosamente e sem brio em todos os casos e mais gravosamente, em todos os que envolvem responsáveis políticos, fazer assassinato de caracter com fins políticos.


 


Não é possível tentar ignorar a verdade. A justiça está a ser usada e instrumentalizada por quem está interessado em descredibilizar o Primeiro-Ministro. Tudo é usado, até a compra de uma casa pela mãe de José Sócrates, anos antes do caso que, alegadamente, como agora se diz, está a ser investigado.


 


No início o processo Casa Pia acreditei piamente que haveria gente com cargos de responsabilidade pública que estariam envolvidos, e sempre esperei que a justiça prevaleceria. O resultado foi coisa nenhuma, as prometidas revelações e os terramotos que se iriam sentir apenas se concretizaram na decapitação política do aparelho do PS.


 


Esta é a realidade.


 


José Sócrates não está acima da lei, tal como não está Mário Crespo, Daniel Oliveira, Marcelo Rebelo de Sousa, a D. Anabela do café da esquina ou seja quem for. Se há indícios que levam a investigar processos pouco claros que se investiguem, o que não é possível é manter por semanas esta pressão em cima de um cidadão, com a sensação de que o que interessa não é chegar à verdade.


 


Neste caso, como noutros, a verdade é o que menos interessa. Isto é luta política, na sua mais baixa versão.


 

29 janeiro 2009

Duilio Galfetti

Para alguém que gosta muito de guitarra... esta é com bandolim.


 


 



 


Antonio Vivaldi - Concerto em Dó Maior (RV 425)


 

28 janeiro 2009

Obamania

Há algo que me desconforta em toda esta Obamania, em toda esta encenação de novo Messias.


 


Não há homens providenciais, muito menos que se sintam imbuídos de uma missão divina, jurando a Constituição sobre a Bíblia, so help me God.


 


Esperemos que Obama cumpra, com a sua equipa, aquilo em que acredita, com as fraquezas e as forças de uma pessoa que se propõe realizar uma tarefa bem difícil. Se não, a seguir a alguém que falava com Deus temos um enviado de Deus, so help us God.


 

Relatórios e peritagens

Então o relatório era da OCDE ou de peritos da OCDE?


 


Não havia necessidade.


 

Esclarecimentos encrespados

Depois de tantos comentários ao meu post anterior a defenderem Pedro da Silva Pereira na entrevista com Mário Crespo, suspeitei que me podia ter escapado alguma coisa.


 


Como gosto de me considerar uma criatura aberta às opiniões alheias e que não gosta de se sentir a cometer injustiças, além do preconceito que tenho contra o mesmo Mário Crespo (que fala duma forma enroladíssima, usando palavra esdrúxulas e desajustadas, que não pergunta, antes afirma, se conseguirmos compreender o que diz) e Pedro da Silva Pereira (que fala com um tom monocórdio e assume sempre um ar didáctico e de superioridade moral bastas vezes irritante), resolvi ouvir de novo a entrevista.


 


Realmente os comentadores têm razão. A entrevista não se destinava a esclarecer coisa nenhuma. O objectivo de Mário Crespo era (pelo menos disfarçou muito bem) entalar o Primeiro-Ministro e, na passada, abalroar Pedro da Silva Pereira.


 


Mário Crespo foi duro, como lhe compete, inquisidor, como lhe compete, defendendo uma posição, como não lhe compete, mostrando sem margem para a sua dúvida e a sua avalizada opinião que Sócrates recebeu luvas para autorizar o empreendimento Freeport.


 




De facto Pedro da Silva Pereira não lhe facilitou a vida pois desmontou uma por uma as várias teorias e certezas que têm sido veiculadas pela comunicação social. E Mário Crespo não conseguiu desmenti-lo em nada. A única vez em que o desarranjou foi quando perguntou se o ambiente daquele governo era propício à corrupção.


 


Embora agora compreenda o desalinho de Pedro da Silva Pereira, penso que fez mal em não ter mantido o mesmo registo (parafraseando Mário Crespo) nem a excelência dos argumentos (continuando a citar Mário Crespo). Mais uma vez o tom de ofensa soou a exagero e, por isso, contraproducente. Por muito insultuosa que fosse a pergunta ele deveria ter respondido, não se pondo de parte, como que a sentir nojo daquele assunto. A corrupção existe nas várias áreas de actividade política, económica e social e, independentemente das atoardas de Mário Crespo (agora cito Pedro da Silva Pereira), tantos tios, primos e primas parecem-me família a mais, para mal dos pecados de Sócrates. Ficaria melhor e mais genuíno que lhe respondesse que o ambiente talvez seja mais propício à corrupção no jornalismo, ou coisa semelhante.


 


Portanto aqui ficam as minhas desculpas públicas a Pedro da Silva Pereira, que foi claro e cilindrou Mário Crespo, com excepção daquela nota dissonante.


 


Mas continuo a não perceber como é que se aprovam empreendimentos deste tipo em governos de gestão. A explicação de Pedro da Silva Pereira não me satisfez. Não é ético nem sensato.


 


Espero ter respondido cabalmente aos comentários que muito agradeço (a excelência dos conteúdos…).


 



 

26 janeiro 2009

Más gestões

Francisco Louçã tem razão. Um governo de gestão nunca deveria aprovar projectos e empreendimentos do tipo de Freeport. Não sei se as leis devem ou não ser alteradas, mas são questões de ética e de senso político que os governos e os primeiros-ministros tendem a desconhecer.


 


Francisco Louçã também tem razão no que diz respeito aos paraísos fiscais, que facilitam lavagem de dinheiro e fuga aos impostos.


 


Pedro Silva Pereira fez uma triste figura ao responder a Mário Crespo que a pergunta que dele era insultusa. Sendo assim, nunca deveria ter aceite ser entrevistado. O problema não são as perguntas e as investigações jornalísticas. É o que se lhes segue, ou mais precisamente, o que se lhes não segue.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...