É claro que o orçamento teria que ser revisto, rectificado, complementado, o que se lhe quiser chamar. Não consigo compreender a falha política da equipa governativa ao permitir que isto acontecesse. Era mais que evidente que o orçamento era irrealista, como é mais que evidente que estas previsões se poderão modificar, como muito bem assumiu, por fim, Teixeira dos Santos.
O que não é aceitável, da parte do PSD e de Manuela Ferreira Leite é reduzir os anos de governação socialista a esta crise. Se há coisa de que se não pode acusar este governo é de não ter tentado mudar as coisas, em vários sectores de urgência. Muitas vezes mal, mas outras tantas bem, pelo menos fez.
Na verdade, todo o mundo entrou em crise e Sócrates só esteve à frente do governo de Portugal. E pelo que tenho lido, as medidas que o governo anunciou e anuncia (não faz mesmo outra coisa, é uma tal hemorragia de medidas que até assusta) são idênticas às que os outros governos por essa Europa fora anunciam.
Quanto ao TGV, apesar de achar que de 2003 a 2009 passaram muitos anos e as premissas se modificaram, não consigo perceber porque é que a Europa, com a crise, continua a apostar nele. Aliás, o principal problema do país é que anda a falar de coisas durante décadas mas depois não as concretiza, gasta rios de dinheiro em estudos que dizem uma coisa e o seu contrário e não decide. Quando decide muda o governo e o que era bom passa a ser mau, congelando aquilo que era essencial e nacional no dia anterior. Manuela Ferreira Leite foi protagonista da decisão. Este tipo de investimentos não são pensados apenas para 6 anos. A sua prestação é lamentável.
Esta é que é a verdadeira crise. Assim como a crise de gente que rodeia quem está no poder e que faz com que este tipo de coisas aconteça. Não consigo deixar de falar mais uma vez no cantar das Janeiras ao Primeiro-Ministro. Vergonhoso.