04 janeiro 2009

Mensagem de Ano Novo

O último discurso do Presidente Cavaco Silva, ao contrário do que vaticinavam (esperavam) muitos comentadores, foi liso, cinzento, rígido e sem chama.


 


Disse o que todos já tinham dito, falou da verdade e do endividamento, da não resignação e dos agricultores, da falta de competitividade e do pequeno comércio.


 


Foi tão inócuo que agradou a todos. Foi tão descartável que as tentativas de interpretações de recados ao governo e às oposições são divertidíssimas.


 


Na verdade o Presidente só enviou um recado a si próprio, quando afirma que não se deve gastar tempo em querelas institucionais quando está em causa a gestão de uma situação de grande crise (permanente).


 


Enfim, 2009 segue-se a 2008 e antecede 2010.


 



 

Até quando? (1)

Por muito que se compreendam as motivações de Israel quando fala em defesa do território, quando fala em segurança dos seus cidadãos, a escalada de violência a que temos assistido, com uma semana de bombardeamentos e, agora, uma invasão terrestre, extrapolam em muito esses objectivos.


 


 


Que a própria Autoridade Palestiniana já tenha condenado o Hamas, que saibamos do pendor terrorista e ditatorial do Hamas, da sua mistura com a população civil, do seu fundamentalismo, não nos podemos esquecer que o Hamas ganhou as últimas eleições legislativas, que os observadores internacionais consideraram livres, tanto quanto numa situação daquelas se pode pensar e agir livremente.


 


A comunidade internacional está totalmente presa pela posição dos USA sempre apoiando Israel. A EU não existe como voz una, autorizada e com peso nesta ou noutras matérias, apelando ao bom senso e ao cessar-fogo, sem que ninguém a ouça.


 


Não sei se haverá solução para o conflito israelo-palestiniano. Independentemente das simpatias que cada um dos lados angaria, é impossível justificar uma tão desproporcionada reacção de Israel. De vítima passa a algoz, mesmo que descontemos a enorme propaganda a favor da causa palestiniana. Até quando?


 

02 janeiro 2009

Foi assim

 


Ontem, enrolada no sofá, com uma manta, a saborear o começo do ano, às 14:05h.


 



 


 


 


Ontem, sentada num explêndido lugar, embevecida, a ouvir, às 17:00h.


 



 


 


 


Começou bastante bem.


 

01 janeiro 2009

Ano Novo

Há algumas coisas que insisto em fazer no primeiro dia de cada ano, perfeitamente inúteis, mas que me dão uma sensação de começo, de renovação, que apenas se explica pelo bálsamo que os rituais são para a força anímica.


 


Todos os anos transformo o café da manhã numa peregrinação e numa exploração científica, pois todos os cafés e centros comerciais estão fechados. Ao volante do carro, nas manhãs desertas das 10 horas de todos os primeiros de Janeiro, sinto-me num país que espera.


 


Todos os anos inauguro uma agenda nova, vermelha, em que reescrevo as moradas e os telefones da agenda anterior. Aproveito para eliminar alguns nomes que, por negligência ou esquecimento, deixaram de fazer parte da minha vida.


 


Todos os anos assisto ao Concerto de Ano Novo em Viena, pela Orquestra Filarmónica de Viena, enrolada no sofá, meio adormecida. São quase sempre as mesmas músicas, os mesmos bailados, a mesma assistência de vestidos e fatos de gala, as mesmas flores, mas é reconfortante. Este ano vai, talvez, iniciar-se uma nova tradição, juntamente com o almoço/jantar de ossobuco, com o Concerto de Ano Novo no CCB.


 


O dia está frio, rodeado de bruma quase opaca, que dá vontade de soprar com muita força, para ver se desanuvia. Eu gosto assim.


 



(pintura de Lea Kelley: industrial impact)


 

31 dezembro 2008

Celebremos os dias


(pintura de David R. Darrow: celebrate life)


 


Há muita gente a acotovelar-se e a competir nas horríveis previsões para o ano que vem. Pois eu espero que consigamos todos demonstrar que estão erradíssimos.


 


A todos desejo força e vontade para reverter os maus agoiros. Podemos começar por ter boa disposição, que não tem abundado, pelo menos por estas bandas. A partir de agora, sorriso de orelha a orelha que o riso e o amor fazem bem à saúde. Os inevitáveis balanços pesam sempre muito e hoje quer-se leveza.


 


Para todos, espero que 2009 seja melhor que 2008.


 

29 dezembro 2008

Gaza

Assistimos, mais uma vez, a uma escalada de violência israelo-palestiniana e, como é habitual, esgrimen-se argumentos a favor e contra cada uma das partes.


 


Tenho muita dificuldade em escolher um lado, em saber ou acreditar de que lado está a razão. Se Israel parece reagir exageradamente aos ataques do Hamas, matando civis, em que medida isso não acontece porque há mistura entre militares e civis? Se é verdade que o Hamas não cumpriu o cessar-fogo, até que ponto isso não foi apenas usado como desculpa para Israel atacar a Faixa de Gaza, ataque esse que já estaria a ser preparado há vários meses?


 


Os únicos inocentes neste conflito são aqueles que tentam viver a sua vida o melhor possível, em condições dramáticas, que gostariam de viver em paz, de alimentar e educar as suas crianças e de poder dormir sem medo de morrer. Palestinianos ou israelitas.


 

A derrota do Presidente

A maior parte dos comentadores olha para a situação criada pelo conflito entre o Presidente e a Assembleia da República como um braço de ferro alimentado por Sócrates e pelo PS, não se sabe exactamente com que objectivo.


 


Como já aqui defendi, eu penso exactamente o contrário. Houve uma aposta política de Cavaco Silva que resolveu, a propósito da aprovação do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, independentemente das razões que lhe possam assistir, criar um incidente institucional, querendo forçar a Assembleia da República a rever uma lei que tinha sido aprovada por unanimidade. Não tendo pedido a fiscalização do artigo que motivou o veto político, Cavaco Silva arriscou e perdeu.


 


Perdeu não por causa de Sócrates e do PS. Perdeu por causa de toda a Assembleia da República. Os partidos com representação parlamentar, embora protestando o seu acordo com o Presidente, votaram outra vez favoravelmente o Estatuto, com excepção do PSD. Este , com a incrível falta de credibilidade e de senso a que nos tem habituado, falou muito, muito, muito, a favor do Sr. Presidente, que tinha toda a razão, mas absteve-se na votação e deu liberdade de voto para votar a favor, mas não contra.


 


Ou seja, Cavaco Silva jogou politicamente e perdeu. Ao dramatizar a situação como o fez, na primeira comunicação e nesta última, falando inclusivamente do irregular funcionamento das Instituições, de grave revés para a democracia, de falta de lealdade institucional, e não tendo levado até ao fim essa posição com a dissolução da Assembleia da República, o Presidente prestou um mau serviço ao país.


 


Adenda: não deixa de ser interessante o afã de Santana Lopes em comentar...


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...